Barracão financiado pelo REM MT fortalece produção de farinha do povo indígena Terena

A construção de um barracão, com recursos do Programa REM Mato Grosso, está mudando a realidade de 90 famílias do  povo Terena, localizadas na Terra Indígena do Xingu, ao Nordeste de Mato Grosso, no bioma amazônico. É que o espaço resultou num melhor armazenamento, logística e distribuição da farinha de mandioca produzida pela comunidade, que é comercializada nos mercados da região. 

“Antes, os sacos de farinha eram armazenados nas casas das famílias. Isso era muito ruim, devido a falta de espaço. Então, o barracão foi fundamental para melhorar tanto o armazenamento, quanto a distribuição do produto, que é o carro-chefe da geração de renda do povo Terena”, afirma Eliel Rondon, coordenador da regional Norte  Kayapó, da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT).

Eliel Rondon, liderança do Povo Terena e coordenador da regional Norte Kayapó da FEPOIMT


MULTIUSO

Eliel recorda ainda que a construção do barracão, articulada junto ao REM MT, surgiu justamente da necessidade das famílias terem um espaço multiuso, pensando principalmente no estoque da produção de farinha. Mas, garante que para além de armazenar da produção, o barracão também serve como espaço de convívio social, cultural e formação política da comunidade. 

“É aqui também que realizamos as nossas festividades, reuniões para tomar decisões importantes que afetam as aldeias, além de armazenar as doações de programa sociais. Antes, nós tínhamos uma barracão de madeira, mas teve um temporal que derrubou ele e ficamos sem esse importante espaço por um bom tempo, até que conseguimos viabilizar a construção do novo barracão, por meio dos recursos do REM MT”, explicou a Eliel, ao acrescentar que a estrutura do atual espaço é toda reforçada e feita de metal.

Localizado na região central do território, o Barracão Terena é multiuso, servindo para diferentes estratégias e articulações da comunidade local. Foto: Arquivo Pessoal

Marcos Ferreira, coordenador do Subprograma Territórios Indígenas (STI) do REM MT, ressalta que o Programa tem como objetivo fortalecer as ações de gestão ambiental,  territorial e de segurança alimentar dos povos indígenas no Estado, respeitando a autodeterminação dos povos. 

Ele acrescenta que o STI “busca valorizar o modo de vida tradicional, apoiando a geração de renda e melhoria da qualidade de vida dos povos indígenas de forma sustentável", e que essa meta está diretamente alinhada com os principais objetivos  do REM MT, que são: a mitigação das mudanças climáticas, a conservação das florestas, bem como a redução das emissões de CO2, oriundas do desmatamento de Mato Grosso.

Marcos Ferreira, coordenador do Subprograma Territórios Indígenas (STI) do REM MT

A construção do barracão para o povo Terena faz parte do Plano Emergencial de Enfrentamento à Covid-19 nos territórios indígenas de Mato Grosso. A construção do plano foi pensada pelo REM MT junto à FEPOIMT e teve como aglutinadora o Instituto Raoni. As aglutinadoras são organizações socioambientais responsáveis pela execução dos projetos junto às comunidades indígenas. 

Produção de mandioca do povo Terena no Xingu. Foto: Arquivo pessoal

 

Por Marcio Camilo
edição: Mariana Vianna