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Capacitação promovida pelo REM MT impulsiona o manejo florestal sustentável em Mato Grosso

Mato Grosso é conhecido por sua exuberante biodiversidade e pelas vastas áreas florestais, além da forte produção de commodities. Para manter esse reconhecimento, aliado à sustentabilidade, o Programa REM MT investiu na capacitação de profissionais envolvidos em todo o processo do Manejo Florestal Sustentável.

De julho a novembro deste ano, uma série de capacitações foram realizadas nos municípios de Nova Maringá, Sinop, Brasnorte e Cotriguaçu. O público foi diverso, abrangendo todos os profissionais que lidam no dia a dia com a atividade de manejo florestal, como analistas ambientais, engenheiros florestais, profissionais autônomos que operam equipamentos e maquinários, entre outros.

Esse esforço busca promover práticas que conciliam a exploração dos recursos naturais com a conservação ambiental, reconhecendo a importância vital de preservar as riquezas naturais do estado, pontua a superintendente de desenvolvimento do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), Bárbara Pimentel. 

“O critério norteador para a participação nas capacitações foi o envolvimento com as atividades de manejo florestal sustentável, tanto para os colaboradores que atuam nas operações florestais e que muitas vezes adquiriram o conhecimento com a prática, quanto para profissionais da engenharia florestal”, explica a superintendente.

Bárbara ainda destaca que a primeira turma da capacitação em técnicas Especiais de Corte de Árvores e Segurança em Manejo Florestal contou com a participação de alunos da graduação em engenharia florestal da UFMT/Cuiabá, formada em sua maioria por mulheres.

Mais mulheres participaram da capacitação (Foto: Reprodução)

“Com essa oportunidade, houve grande participação de mulheres, que sairão capacitadas em uma atividade em que atualmente predominam homens, como é o caso da operação de motosserras”, salienta Bárbara. 

A qualificação abordou assuntos também diversificados, como identificação botânica das 50 espécies mais comercializadas em Mato Grosso, planejamento de estradas e infra estruturas permanentes, dispositivos de drenagem, técnicas pré-exploratórias relacionadas ao planejamento inicial das atividades, incluindo a escolha e delimitação de áreas, a abertura das trilhas, a condução do inventário florestal, a organização de dados, confecção de mapas, inventário florestal, planejamento de arraste de toras, atividade de corte de cipós, entre outros.

O QUE É MANEJO FLORESTAL E SUA IMPORTÂNCIA

O manejo florestal sustentável é uma importante atividade econômica que possui em seu escopo a premissa de utilizar os recursos florestais por meio de técnicas de impacto reduzido. Por conta disso, é uma atividade fundamental para garantir a longevidade da floresta e de seus recursos ao longo do tempo, contribuindo também para a agenda climática.

O Instituto Floresta Tropical (IFT) foi contratado pelo Programa REM MT, por meio do subprograma Produção Sustentável, para realizar as qualificações.

Responsável pelas capacitações, o coordenador dos projetos do Instituto Florestal Tropical (IFT), Marcelo Galdino, explica que a qualificação é importante para unir o tripé de sustentabilidade.

“No caso do manejo florestal a ideia é garantir o tripé de sustentabilidade. A gente tem que olhar pro social, tem que olhar a questão econômica, logicamente, e também a questão ecológica. Então, com as capacitações, o objetivo é passar essa visão, que o importante é garantir esse tripé, tanto da questão econômica, que para as empresas que trabalham no setor produtivo é fundamental, mas também olhar um pouquinho a questão social e a questão ecológica. É preciso avaliar tudo isso e só através de treinamentos e capacitações em exploração de impacto reduzido é que você consegue desenvolver realmente um manejo florestal sustentável”, aponta Marcelo.

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Bárbara defende ainda que a capacitação tem papel significativo para atualizar os conhecimentos dos profissionais. “Ao capacitar os colaboradores envolvidos com o manejo, além da reciclagem dos conhecimentos prévios, ocorre também a atualização de procedimentos que otimizam as operações, reduzindo custos e desperdícios, além de aperfeiçoar técnicas com novas tecnologias”.

O empresário do setor de base florestal, Wicler Fábio, participou da capacitação "Planejamento e Infraestrutura e planejamento e arraste". De Brasnorte, ele comenta que a qualificação foi de suma importância para se manter atualizado. 

"Essa capacitação já está ajudando nas explorações de nossos projetos de manejos. E sabemos que com essas capacitações nossos colaboradores vão estar sempre atualizados a fim de que possamos explorar os manejos com consciência e sempre cuidando do meio ambiente", avalia o empresário. 

APOIO DO REM MT

Por meio do subprograma Produção Sustentável (PS), o Programa REM MT investiu R$1.366.288,29 em capacitações. Marcelo avalia que a articulação do programa com os órgãos ambientais foi fundamental para a realização das qualificações.

“Sem esse empenho do programa REM nessas articulações, os cursos não poderiam ter acontecido. Então, é uma contribuição significativa do programa para o sucesso desse projeto de capacitações e treinamentos em manejo florestal e exploração de impacto reduzido no Mato Grosso”.

De acordo com a coordenadora do subprograma Produção Sustentável, Daniela Melo, o plano estratégico da cadeia da madeira no contexto do REM  MT foi definido em uma oficina, em parceria com a IdH em 2022, contando com a participação de diversas instituições, como SEMA MT, UFMT, IFMT, INDEA, IBAMA, EMBRAPA, CIPEM e ICV. 

Durante a oficina, uma das iniciativas destacadas foi a implementação de um plano de capacitações em exploração de impacto reduzido e conformidade em manejo florestal sustentável.

“Antes da oficina, já tínhamos promovido uma capacitação em identificação botânica das espécies arbóreas e madeireiras mais comercializadas no estado, destinada aos servidores da SEMA MT. Após a oficina, realizamos um segundo módulo dessa capacitação, desta vez voltado para os servidores do IBAMA e INDEA. Para o plano de capacitações, também foram conduzidas capacitações em técnicas pré-exploratórias, destinadas aos motosserristas, além de treinamentos em planejamento de infraestrutura e planejamento de arraste de toras. Tivemos um retorno positivo dos participantes, com quase 100 pessoas capacitadas”, explica. 

 

Com discussões sobre saúde e educação, REM MT apoia Assembleia da Fepoimt com R$ 699 mil

 

A aldeia Urubu Branco, do povo Tapirapé, localizada em Confresa, foi sede de um dos mais importantes eventos indígenas do estado: a 6ª Assembleia Geral da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), que contou com a presença de mais de mil lideranças indígenas do estado.

O evento teve apoio do Programa REM MT, para atender os membros e convidados das sete regionais da Fepoimt:  Regional Cerrado Pantanal, Regional Kayapó Norte, Regional Xingu, Regional Noroeste, Regional Xavante, Regional Médio Araguaia e Regional Vale do Guaporé.

De acordo com a secretária-executiva da Fepoimt, Darlene Taukane, foram discutidos assuntos pertinentes aos povos, relacionados à saúde, educação, gestão de território e incentivo à cultura indígena. Com a proximidade da COP 28, também foram trazidas questões que debatiam as mudanças climáticas. 

 

Por sua vez, Darlene lista alguns dos problemas em relação à saúde indígena, como falta de medicamentos e demora de atendimentos. “Porém, esse ano de 2023, faltaram muitos medicamentos essenciais e básicos e a demora de contrato de locação de veículos entre a empresa locadora e com a Secretaria Especial de Saúde Indígena(SESAI), que atendem os indígenas nos seus territórios causou muita dificuldade pela demora de firmarem o contrato, e por isso essa pauta de saúde veio a ser discutida”, cita. 

 

Fazendo uma retrospectiva, a educação também teve precariedades. 

 

“E na parte de educação, foram constatadas que há muitas salas de aulas anexas com muitas precariedades, inclusive as aulas sendo ministradas nas casas   de professores indígenas, falta de material didático e outros, também esse assunto mereceu atenção a ser discutido e encaminhado à SEDUC”, comenta Darlene. 

 

IMPORTÂNCIA DAS ASSEMBLEIAS E PARTICIPAÇÃO INDÍGENA

Lideranças dos 43 povos indígenas vivendo no estado foram convidados, com destaque da presença do cacique Raoni, grande liderança reconhecida internacionalmente. 

A presidente da Fepoimt, Eliane Xunakalo, salienta a importância de participar e realizar assembleias, pois fortalece a luta indígena.

 

“Essas assembleias são importantes, porque é o momento de maior encontro dos povos indígenas do estado. Momento que nossas lideranças celebram, se reencontram, é o momento de a gente discutir a nossa vida, de colocar as nossas demandas, de trazer soluções, de compartilhar lutas, resiliências e também de acolhimento das nossas dores. É muito importante porque fortalece, é um momento do ápice do movimento do estado de Mato Grosso, que é um dos celeiros de grandes lideranças a nível de Brasil”, explica Eliane.

Darlene Taukane pontua que a federação é um importante instrumento de defesa dos povos indígenas, além de representar os interesses e apoios para articular, incidir e informar dentro das possibilidades das normas que o estatuto orienta.

“As assembleias da FEPOIMT são importantes porque desde sua criação foi pensado para unir e fortalecer a luta dos povos indígenas de Mato Grosso. Então, durante as assembleias discutimos os assuntos principais que nos afetam e são feitas as avaliações dos avanços de nossas lutas, mas também são momentos de confraternizações através de apresentações culturais”, pontua Darlene. 

APOIO DO REM

O Programa REM MT, por meio do subprograma Territórios Indígenas, subsidiou R$ 699.924,22 para a realização do evento, com recursos para alimentação, aquisição de combustível, locação de ônibus e pagamento de diárias para membros da diretoria e consultores. 

“Pagou o frete de avião para que o cacique Raoni Metuktire, reconhecido a nível nacional e internacional, pudesse participar da assembleia. E a presença do cacique Raoni só fortaleceu a nossa assembleia. Foi muito importante o apoio do REM MT para o movimento de luta e da defesa dos povos indígenas no Estado” , reflete Darlene.



Workshop do Instituto PCI reúne setor produtivo e privado para discutir ações que serão levadas para a COP28

 

De olho na proximidade da 28ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 28), o Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI) e demais parceiros realizaram na última terça-feira (28) o Workshop REDD+ Jurisdicional e Mercado de Carbono - Mato Grosso, para discutir as melhores estratégias para reduzir a emissão de carbono e tornar Mato Grosso um exemplo de produção e sustentabilidade. 

 

A COP 28 acontece na próxima quinta-feira (30), em Dubai, reunindo as principais lideranças dos países-membros da ONU e da área ambiental para discutir estratégias e realizar compromissos na mitigação das mudanças climáticas. 

 

Com os olhos do mundo voltado para o evento, o diretor executivo da PCI, Richard Smith, pontua que o workshop é uma reunião da sociedade civil, setores privados e produtivos para discutirem as implementações do REDD+ e mercado de carbono no estado, que serão levadas para a COP28.

 

Richard Smith, diretor executivo do Instituto PCI (Foto: REM MT)

 

“A ideia aqui é discutir uma visão em comum, da sociedade civil organizada, setor produtivo e o setor privado para que essa ideia comum seja levada para a COP, tem uma série de caminhos e opções que podem ser escolhidas, é um tema complexo e que demanda bastante qualificação e informação dos participantes”, explica.

 

Mato Grosso é uma região estratégica e de grande importância para as discussões e ações relacionadas às mudanças climáticas. Enquanto grande produtor de commodities do país, o estado também possui três importantes biomas- cerrado, amazônia e pantanal. Portanto, é preciso alinhar estratégias que unam produção e sustentabilidade. 

 

“Esse evento está discutindo dois principais mecanismos para redução de emissões de gases de efeito estufa de uma forma geral, porque a atmosfera do planeta é uma só, mais especificamente aqui no estado de Mato Grosso, os dois principais mecanismos são o de REDD+, que são desmatamento e degradação evitada e o mercado de carbono

REDD+”, cita Richard.

 

REDD+

 

REDD+, que significa "Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal", é uma iniciativa internacional que visa combater as mudanças climáticas, principalmente focada na conservação e gestão sustentável das florestas. 

 

A ideia central por trás do REDD+ é criar incentivos econômicos para os países em desenvolvimento preservarem suas florestas, que desempenham um papel crucial na absorção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. E é exatamente aí que o Programa REM MT atua.

 

Ligia Vendramin, coordenadora geral do REM MT (Foto: REM MT)

 

“Pra gente entender o que é REDD jurisdicional é preciso entender primeiro o que é REDD+. REDD+ é a redução de emissões por desmatamento e degradação. E quando tem aquele mais na frente do REDD, significa que também estão incluídas ações de conservação pela floresta em pé. Um programa de REDD jurisdicional é quando o governo ou uma empresa resolve pagar pelo esforço de uma jurisdição, no caso um estado ou país, por estar combatendo o desmatamento e também melhorando suas ações de conservação”, explica a coordenadora geral do REM MT, Ligia Vendramin. 

 

O REM MT é pioneiro no estado, após Mato Grosso reduzir o desmatamento em 10 anos. Os governos da Alemanha e Reino Unido investiram em ações de preservação, combate ao desmatamento e fortalecimento dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultura familiar.

 

OUTROS SETORES

 

Participaram do workshop representantes do setor privado e produtivo. A diretora de sustentabilidade da Aprosoja, Marlene Lima, cita a importância de reunir todos os setores para entender e discutir as melhores práticas de produções aliadas com a preservação ambiental.

 

“Foi muito pertinente e de extrema relevância para trazer informações sobre esse tema carbono, sobre o mercado, como ele funciona, colocar todas as pessoas das instituições do governo na mesma mesa, onde trouxeram o que está acontecendo e também as perspectivas de mercado e estamos aproveitando para tirar dúvidas e pensar num futuro de longo prazo”, conta Marlene. 

 

O diretor financeiro do Instituto Ação Verde, Álvaro Leite, por sua vez, pontua que o evento pensa no futuro do estado a longo prazo, além de realizar parcerias para que o estado seja um exemplo de sustentabilidade.

 

“O evento é muito importante, principalmente para técnicos como eu, que estou há muitos anos na estrada. Pude aqui encontrar parceiros, já travei algumas conversas para futuros projetos na área de sustentabilidade. Acredito que em eventos como esse aqui, a gente consegue nivelar o conhecimento e talvez unir forças para alcançar o objetivo que todos nós estamos almejando, que é reduzir a emissão de carbono e fazer com que o nosso Mato Grosso seja cada vez mais sustentável”, diz Álvaro. 

Representantes de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso participam da COP28

Três representantes do Comitê Estadual dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Trabalho, Ação Social e Cidadania de Mato Grosso (SETASC-MT), participarão da 28ª Conferência das Partes (COP28) das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O evento acontece nos Emirados Árabes, em Dubai, entre 30 de novembro e 12 de dezembro de 2023.

Laura Ferreira, da comunidade Ribeirão da Mutuca, território quilombola de Mata Cavalo; Lidiane Taverny Sales, Retireira do Araguaia da comunidade de Mato Verdinho; e Aluízio de Azevedo, Calon da comunidade cigana de Cuiabá, vão a COP28 para debater as questões ambientais e climáticas que afetam suas comunidades. A participação dos PCTs mato-grossenses é financiada por duas ações do governo do estado: o programa REM e o projeto Janela B, ambos executados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT).

O evento ocorre anualmente desde 1992, quando países presentes na Eco92 assinaram o acordo climático da ONU, no Rio de Janeiro. A programação da COP28 inclui a Cúpula Mundial de Ação Climática, que reunirá líderes mundiais, entre eles, o presidente Luís Inácio Lula da Silva. Eles apresentarão ações, políticas e propostas para mitigação das crises e injustiças climáticas, cujos eventos extremos, como ondas de calor e inundações severas, ampliaram-se consideravelmente nos últimos anos.

De acordo com a presidente do CEPCT-MT, Vânia Montalvão, as catástrofes causadas pelas alterações climáticas afetam, sobretudo, comunidades e povos tradicionais e populações em situação de vulnerabilidade, pois são as que menos consomem, porém, são as mais impactadas pelas mudanças climáticas, sofrendo racismo ambiental.

“Temos atuado para fortalecer esse colegiado, que é um espaço de discussão e de construção de políticas públicas. A COP28 é um espaço de acordos e de estabelecer compromissos. Discutir políticas que envolvam as populações tradicionais, que estão dentro dos territórios, sem a participação dessas pessoas, não é discutir política pública. Por isso, a direção do CEPCT se empenhou para solicitar que o governo do Estado pudesse incluir participação de representantes de PCTS no evento”, ressalta Vânia.

Quilombolas - Na COP28 os representantes debaterão as mudanças climáticas e questões ambientais afetam seus territórios tradicionais e os problemas enfrentados para conservá-los. Laura Ferreira, do quilombo Ribeirão da Mutuca, Território de Mata Cavalo, por exemplo, afirma que será um momento importante para mostrar ao mundo que os povos e comunidades tradicionais “têm inúmeros saberes, ciências e costumes que precisam ser disseminados”.

“A nossa relação é de preservar o que temos dentro dos nossos territórios. A comunidade sempre interagiu com natureza, respeitando, cuidando e preservando. A natureza tem vida, tanto é que quando vamos tirar alguma árvore, sempre pedimos licença. A gente constrói nossas roças em forma de rodízio, para não devastar as matas. A natureza oferta o ar que a gente respira, o alimento, o fruto, então, a gente tem que cuidar. A natureza cuida da gente e a gente cuida dela”, destaca.

Na avaliação da ativista quilombola, será um momento para levar as demandas, tornando-as visíveis. “Uma das grandes demandas que a gente pretende levar é a questão das violências e do racismo perante às comunidades quilombolas, que muitos defensoras e defensores dos direitos humanos e da Terra estão recebendo por defender aquilo que é o bem mais precioso, não somente para nós quilombolas, mas para o Brasil e o mundo, que é ter nossa natureza saudável”, pondera Laura, ao frisar que também será um momento para mostrar que há povos tradicionais vivendo nos principais biomas mato-grossenses:

“Vamos interagir com outros atores e países e mostrar que no cerrado e no pantanal não temos só fauna e flora. Temos seres humanos que habitam esses espaços, de onde advém toda a sua cultura e tradicionalidade. A sociedade precisa saber quem somos nós, onde estamos e o que necessitamos. Nas queimadas do pantanal, muitas vezes, a gente dá muita ênfase aos animais, mas é preciso dar ênfase às pessoas que ali habitam, homens mulheres e crianças, que fazem parte da construção do Brasil”.

 

Retireiras/os do Araguaia – Por sua vez, a Retireira do Araguaia, Lidiane Taverny Sales, do território Mato Verdinho, no município de Luciara, salienta que “ainda que seja uma pauta complexa e que reunirá diversas pessoas de todos os continentes, com línguas e costumes diferentes”; a participação dos PCTs no evento será “de extrema importância”, pois “esses espaços de discussões e decisões sempre nos foram negados”. Segundo ela, tais “discussões são de extrema relevância para aqueles que diretamente combatem as alterações climáticas com seus modos de vidas e tecnologias socioambientais”.

Para Lidiane, participar da COP28, é tornar visível modos de viver e de ser das pessoas Retireiras do Araguaia, compostos por práticas sustentáveis, que respeitam e conservam o meio ambiente. Também para mostrar as problemáticas enfrentadas e as necessidades em termos climáticos e ambientais. “Marcar nossa participação com a presença, é marcar o ponto da visibilidade, mostrar para o mundo que existimos e somos detentores dos saberes e tecnologias capazes de frear essa dura realidade da alteração climática, que afetam diretamente as classes menos favorecidas economicamente”, analisa Lidiane.

Na avaliação da ativista, Mato Grosso é diretamente afetado pelas mudanças climáticas. “Não há como negar a realidade que hoje vivemos. Pessoas estão morrendo pelo extremo calor, presenciando a maior seca da história do rio Amazonas. O fato de MT ser o maior exportador de grãos contribuí bastante para o desmatamento e invasão dos territórios tradicionais. As alterações climáticas estão diretamente relacionadas ao desmatamento. O impacto não é somente nas áreas desmatadas. Todos os PCTs e territórios tradicionais sofrem com essa alteração. Presenciamos queimadas descontroladas, calor extremo, seca de lagos e rios, perda da produção sustentável familiar nos territórios”, conclui.

Povos Ciganos – Já o representante dos povos ciganos de MT na COP28, o Calon Aluízio de Azevedo, aponta para a necessidade que os Estados e governos têm em conhecer e reconhecer a contribuição dos povos e comunidades tradicionais brasileiros, especialmente, os pertencentes aos três troncos étnicos Romani, os Calon, os Rom e os Sinti, tanto para o desenvolvimento econômico, histórico, cultural e social do país, quanto para a conservação da natureza.

“Apesar do estado brasileiro nunca ter demarcado um território físico para os povos ciganos e mesmo não tendo uma religião própria, juntos, os três troncos étnicos ciganos, os Calon, os Rom e os Sinti, configuram uma das maiores nações multiculturais e sem pátria do planeta. Estamos em praticamente todos os países. Só no Brasil somos mais de 500 mil pessoas vivendo em todas as unidades da federação. Mas não somos responsáveis pela devastação planetária e não é justo que fiquemos com os principais prejuízos causados por elas”, salienta Aluízio.

O ativista cigano explica que na cultura, filosofia e mitologia Calon, os elementos ambientais são sagrados. “Não devastamos as florestas, não destruímos os rios, os lagos e os mares. Não envenenamos o ar, a terra e os ar para fazer grandes plantações. Nunca iniciamos uma guerra. Sabemos o quanto a mãe terra é importante para todos nós vivermos, tanto porque nos dá o alimento, quanto nos dá as curas para as doenças. A respeitamos e consideramos como sagrada, assim como a água, o ar e a floresta. Somos parte da natureza e se não pararmos urgentemente de depreda-la, o resultado será terrível e irreversível para toda a humanidade”, enfatiza Aluízio.

CEPCT-MT

O Comitê Estadual de Povos e Comunidades Tradicional de MT é um colegiado representativo que atua pela valorização, proteção e defesa dos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais do Estado. O órgão coordena a melhoria das políticas públicas que beneficiam os PCTs e respondem aos seus anseios e necessidades. Seu compromisso é com o reconhecimento e o respeito às diversidades, à identidade cultural e à sustentabilidade destes povos e comunidades, favorecendo toda a sociedade mato-grossense. Em sua composição, integrantes de diversos segmentos de PCTs e do Poder Público têm participação igualitária.

Para a presidente do CEPCT-MT, é imprescindível que os compromissos estabelecidos e firmados na COP sejam discutidos com essas populações, que também são as que mais protegem a natureza.

“O comitê tem se esforçado para tornar visível esse olhar duplo de que os mais afetados pelas crises ambientais que estão aí no planeta são as populações tradicionais, que estão no território. Mas são elas também as que garantem que a preservação ambiental realmente ocorra e que este impacto possa ser reduzido. A mitigação das crises ambientais, para que as mudanças climáticas possam ser reduzidas, são as populações tradicionais que fazem isso”, encerra Vânia.

Texto: Assessoria de Comunicação do CEPCT-MT

Para proteger o território de atividades ilegais, REM MT compra equipamentos tecnológicos para comunidades indígenas do Xingu

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Equipamentos vão otimizar o monitoramento do território do Xingu (Foto: Reprodução)

Na vastidão da região do Xingu, 16 povos indígenas têm desempenhado um papel crucial na preservação não apenas de suas culturas, mas também da biodiversidade de seu território. Para proteger o território de atividades ilegais de invasores, eles precisam contar com tecnologias para auxiliar na vigilância. Considerando isso, o Programa REM MT apoiou a compra de equipamentos, como: drone, gerador e rádio para otimizar o monitoramento.

No baixo Xingu, duas etnias – Kawaiweté e Yudjá – já fazem a vigilância da região de forma autônoma. Entretanto, o local tem vários braços de rios, que desaguam no Rio Xingu. E são nesses pontos que invasores procuram passar para adentrar nos territórios, praticando pesca, caça e extração de madeira ilegal.

O coordenador do projeto Infraestrutura dos pólos Regionais, proteção territorial e alternativas econômicas do Território Indígena do Xingu (TIX), Douglas Pereira, explica que esses locais também dividem território com fazendas. “Muitas vezes esses rios são o ponto, o meio de acesso onde os infratores entram, de barco pra retirar madeira, lasca, pra pescar, pra caçar, fazer alguma atividade ilegal dentro da terra indígena, porque é mais fácil descer de barco no rio, não tem estradas nessas regiões”, explica.

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A entrada dessas pessoas para praticar crimes ambientais prejudica a região do Xingu como um todo, porque os indígenas dependem da natureza para se alimentar, além de incentivar a destruição ambiental dos biomas.

Por isso é tão importante a existência de bases de vigilância. “Eles sabem da importância de ter o rio seguro, porque o peixe é o alimento, de ter a floresta em pé, porque a gente precisa da floresta para construir casa, de buscar remédio e de ter os animais que eles caçam. Então, eles entendem a importância disso, de ter essas áreas preservadas e seguras”, relata Douglas.

BASES DE VIGILÂNCIA BEM EQUIPADAS

Douglas explica ainda que por ser região de mata, as equipes de vigilância precisam montar os acampamentos quando vão fazer as rondas. Pois, muitas vezes, quando observam uma atividade ilegal em algum ponto, podem demorar dias para retornar até às aldeias.

 

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Reunião para definir como serão usados os equipamentos (Foto: Reprodução)

O coordenador detalha a importância de ter uma base de vigilância bem equipada, com energia e equipamentos de comunicação.

“Com o drone, isso otimiza e melhora a vigilância, porque consegue cobrir uma área maior. Com o treinamento de geoprocessamento, você consegue identificar onde você está, até mesmo para fazer as denúncias. Então, ter um notebook, um rádio facilita, às vezes, você está lá no rio a dois dias de distância da comunidade e lá você se depara com um conflito. Como você avisa sua comunidade, se não tem internet, rádio? No mínimo com um rádio, você consegue avisar a comunidade e as instituições responsáveis”, exemplifica.

Além do drone, foi adquirido um motor de popa, notebook, barco de alumínio, gerador e rádio. Uma reunião foi realizada para definir os responsáveis dos equipamentos, assim como o local para construção das bases de vigilância. 

Segundo a profissional sênior do Subprograma Territórios Indígenas (STI), Paula Vanucci, a importância de fortalecer as ações de gestão ambiental e territorial nos territórios indígenas está preconizada na Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial de Terras Indígenas - PNGATI, instituída em 2012.

O REM MT, por meio do STI, busca fortalecer o apoio aos povos, para assegurar melhores condições de vida, garantindo a manutenção de seus territórios, culturas e a rica biodiversidade que os indígenas salvaguardam e preservam. 

Num contexto de mudanças climáticas radicais, como estamos vivendo, as populações indígenas são os verdadeiros guardiões desse patrimônio ambiental, que beneficia a toda humanidade. Nesse sentido,  apoiar ações que instrumentalizem essas populações, para o monitoramento e a vigilância de seus territórios, é um benefício não apenas para as populações diretamente envolvidas, mas a todos nós que usufruímos dessa proteção”, pontua.  

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Mapa de Atuação

400

PROJETOS

R$30.000,00

VALOR

100.000

RESULTADOS
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Projetos AFPCTS

Projetos TI

Projetos PIMS

Projetos FIPPE

14.000

Famílias beneficiadas diretamente

22

Povos beneficiados pelo REM MT nas 7 regionais

52.250

Hectares sob manejo de baixo carbono

R$200 milhoes

Em investimentos privados anuais para produção sustentável de baixo carbono

8.940.000 tCO2e

É a nossa meta em reduções de emissões oriundas de desmatamento remuneradas