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Programa REM MT lança cartilha para povos indígenas com orientações para elaboração e gestão de projetos

Um guia de elaboração e gestão de projetos para os povos indígenas de Mato Grosso foi lançado nesta semana pelo Programa REM MT. A cartilha Tecendo Projetos – Associações Indígenas no Protagonismo da Elaboração e Gestão de seus Projetos foi produzida a partir da oficina de Elaboração e Gestão de Projetos, organizada em três módulos, entre o período de abril e agosto de 2023.

 

A oficina, que foi realizada em Cuiabá, foi uma iniciativa do Programa REM MT e contou com a colaboração da instituição Remar. Participaram 30 lideranças indígenas de 21 etnias mato-grossenses, que se capacitaram para elaborar, gerir projetos e elaborar relatórios técnicos, prestar contas dos recursos recebidos, além de fortalecer suas cadeias de valor e conquistar protagonismo.

 

Lideranças indígenas participaram da oficina de capacitação em gestão de projetos - Foto: Programa REM MT 

 

Para sintetizar todo o conhecimento compartilhado durante a oficina, foi produzida uma cartilha que explica o passo a passo da elaboração e gestão de projetos, visando minimizar os desafios na elaboração dos mesmos nos formatos exigidos, auxiliando na compreensão desde a idealização até o seu encerramento. 

 

A cartilha busca dar autonomia aos povos indígenas, o que para eles, é de extrema importância.

“Realizamos alguns projetos de recurso internacional, aos cuidados de instituições brasileiras, e vamos fazendo acontecer da maneira que os povos indígenas sejam os autores e gestores das propostas”, apontou Luizinho Tserewatsitsi durante uma das atividades da Oficina de Elaboração e Gestão de Projetos.

 

A cartilha foi produzida em duas partes principais, a primeira orientando sobre escrita de projetos, apresentando temas como diagnóstico participativo, documentação exigida nos editais de financiamento, escrita, análise de riscos e captação de recursos. 

 

A segunda parte trata de gestão, realização das atividades, prestação de contas, relatórios técnicos e comunicação. Além disso, foi criada uma lista com significados de projetos com o propósito de tornar mais acessível a compreensão dos termos técnicos utilizados na publicação.

 

Oficina foi realizada entre abril e agosto de 2023 - Foto: Programa REM MT 

 

O coordenador do Subprograma Territórios Indígenas do REM MT, Marcos Ferreira, explica que diversos projetos recepcionados pelo Programa são submetidos por instituições indígenas, mas em sua maioria, escritos e geridos por instituições não-indígenas e por isso este processo de aprendizagem em elaboração e gestão de projetos para os povos indígenas é fundamental, para se alcançar a independência externa e fortalecer o protagonismo.

 

"Com a disponibilização dessa cartilha será possível fortalecer as organizações ou associações indígenas beneficiárias pelo Programa REM MT. Atualmente, a maior parte dos projetos conta com o apoio de terceiros ou instituições sociais que os apoiam, mas é importante que eles tenham o conhecimento necessário para fazer a gestão de seus projetos de forma autônoma", pontua o coordenador.

 

A cartilha Tecendo Projetos – Associações Indígenas no Protagonismo da Elaboração e Gestão de seus Projetos foi produzida com colaboração dos próprios indígenas, com a introdução de falas, imagens e textos elaborados durante a oficina.

 

Para conferir a cartilha na íntegra, acesse AQUI

 

CONHEÇA O REM MT

 

O Programa REM MT é uma premiação dos governos da Alemanha e do Reino Unido, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento. O REM MT beneficia aqueles que contribuem para manter a floresta em pé, como os agricultores familiares, pequenos e médios produtores que praticam a agropecuária sustentável, povos e comunidades tradicionais e os povos indígenas. O REM MT também realiza o fomento de iniciativas que estimulam a economia de baixo carbono e a redução do desmatamento, a fim de reduzir as emissões de CO2 no planeta. 

 

O Programa REM MT é coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e tem como gestor financeiro o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). 




Por Priscila Soares (REM MT)

 

Pecuaristas do Araguaia são capacitados com o Projeto Garantia Agroambiental Araguaia do REM MT

Ao longo de quase dois anos, o Projeto Garantia Agroambiental Araguaia, apoiado pelo Governo de Mato Grosso através do Programa REM MT e executado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (IMAFLORA) apoiou pecuaristas da região do Vale do Araguaia com investimentos na ordem de R$ 1.621.833,09.

 

O projeto atendeu toda a região do Médio Araguaia englobando 11 municípios de Mato Grosso, sendo Cocalinho, Araguaiana, Nova Nazaré, Ribeirão Cascalheira, Água Boa, Querência, Nova Xavantina, Canarana, Pontal do Araguaia, Torixoréu e Barra do Garças.

 

O projeto, que já finalizou sua execução, teve como objetivo principal conectar as diferentes iniciativas em curso desenvolvidas pelo movimento Liga do Araguaia - que busca adoção de práticas de pecuária sustentável no Vale. A ideia é fortalecer a inclusão de pequenos e médios produtores, disseminar e gerar conhecimento para aperfeiçoar o sistema de monitoramento, reporte e verificação de boas práticas.

O projeto realizou visitas técnicas, instruindo os produtores para o atendimento de critérios socioambientais e de qualidade do mercado, atingindo diretamente 30 propriedades, além de compartilhar boas práticas em eventos que alcançaram quase 600 pessoas, sendo aproximadamente 300 produtores rurais. 

 

Produtor Joaquim Ferreira da Silva recebeu diversas consultorias e palestras para adoção de boas práticas em sua fazenda - Foto: Priscila Soares/ REM MT.

 

O técnico de campo da Liga do Araguaia, Hiltonis Souza, falou sobre a importância do projeto para os pecuaristas locais.

“O conhecimento que a gente deixou foi importante para muitos produtores. Nós levamos boas práticas para dentro da propriedade, informações sobre bem-estar animal e qualidade de vida de uma forma geral para o produtor”, explica.

 

O Projeto Garantia Agroambiental Araguaia elaborou um relatório de desempenho de cada uma das 30 propriedades quanto ao atendimento de princípios ambientais, sociais, produtivos, de gestão, de qualidade do produto e de bem estar animal. Nestes relatórios foram apresentadas ações necessárias para melhoria de desempenho (benchmarking), como por exemplo, realizar análises de solo e seguir recomendações de adubação, adotar ferramentas financeiras para gestão, infraestruturas, entre outras ações. 

 

O projeto também identificou e repassou aos produtores oportunidades de melhorias em diversos aspectos, como orientações para armazenagem de agroquímicos, treinamentos e manejo de resíduos. Para cada propriedade também foi gerado um diagnóstico geoespacial e análise de risco ambiental, contendo informações sobre o uso do solo e reserva legal, avaliação das áreas de preservação permanente e a adequação das propriedades quanto ao Código Florestal.

 

Com a finalização do projeto, foi possível identificar que grande parte das fazendas possuem déficits em Área de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL) e necessitam de projetos específicos de restauração ecológica. 

 

O produtor Joaquim Ferreira da Silva, contou que aprendeu mais sobre sustentabilidade por meio do projeto.

“Esse tipo de evento agrega muito. Essa questão de sustentabilidade eu aprendi com o projeto. Eu aprendi que sustentabilidade não é só a questão da reserva e de preservar, mas engloba vários fatores. Isso eu aprendi lá”, afirmou.