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Redação REM MT

Redação REM MT

A aquisição de um trator multiuso está aumentando a área de cultivo de cana de açúcar na Comunidade Quilombola de Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso. Em alguns quintais, a produção da safra deste ano irá dobrar em relação ao ano passado. O trator faz parte do projeto Muxirum Quilombola, que é financiado pelo Programa REM Mato Grosso.

"Vamos dizer que aumentou o cultivo em 100%. Porque quem cultivava um ou dois hectares de cana, hoje está em quatro, cinco hectares. Só para se ter uma ideia, para a safra deste ano, tem quintal que vai aumentar de 500 feixes para mais de 1.200 feixes de cana de açúcar, em relação à safra do ano passado. Cada feixe vem com 15 troncos de cana”, destaca Oildo Ferreira, uma das lideranças de Mata Cavalo, ao acrescentar que o aumento no cultivo se traduz em mais geração de renda às famílias locais.

Ele acrescenta ainda que, além do plantio da cana de açúcar, o implemento tem ajudado a aumentar a produção em Mata Cavalo, nas culturas de mandioca, milho, arroz, abóbora, cará, quiabo e maxixe. 

Sistema de cultivo tradicional dos quilombolas em Mata Cavalo. Foto: Projeto Muxirum

O trator é equipado com estrutura de grade niveladora e uma caçamba, além de pá carregadeira. Um dos responsáveis pela manutenção do veículo é João Pedro da Silva. Com 67 anos de idade, ele é um dos anciãos da comunidade.

"Eu faço alguns ajustes mínimos: verificar o óleo, a limpeza, aperto alguns parafusos. A gente faz tudo com esse trator, até nivelar as estradas de chão da comunidade, por exemplo", conta João.

 Patriarca da comunidade, João Pedro Silva, fazendo a manutenção do trator. Foto:REM MT


PARA TODA COMUNIDADE

Oildo ressalta que o trator está disponível para toda comunidade, atendendo mais de 40 quintais de cultivos tradicionais.

"Temos um caderninho onde anotamos os pedidos. Por exemplo, se uma pessoa quer limpar ou gradear sua área, é só vir até a sede de Mato Cavalo e agendar. Aí no dia combinado, o trator é disponibilizado para fazer o serviço", explica a liderança. 

Patriarca da comunidade, João Pedro Silva, fazendo a manutenção do trator. Foto:REM MT


PROJETO AMPLO

O trator multiuso é apenas um dos aspectos do projeto Muxirum, que visa potencializar a agricultura tradicional dos quilombolas de Mata Cavalo.

Entre outras coisas, o projeto também prevê uma fábrica de beneficiamento comunitário, que irá possibilitar a produção escalonada de itens como: a banana fatiada, o óleo de babaçu e a farinha de bocaiúva.

Mata Cavalo, por sinal, é apenas uma das comunidades visadas pelo Muxirum, que, ao todo, pretende beneficiar mais de 500 famílias quilombolas da Baixada Cuiabana (Livramento e Poconé), do Médio-norte (Barra do Bugres) e Sudoeste do Estado (Cáceres).

“O objetivo maior do Muxirum é o fortalecimento das atividades econômicas, produtivas e comerciais dos produtos quilombolas, a partir do manejo sustentável da biodiversidade e a valorização social e cultural das comunidades inseridas no projeto”, destaca Laura Ferreira, a coordenadora do Muxirum.

Patriarca da comunidade, João Pedro Silva, fazendo a manutenção do trator. Foto:REM MT


INVESTIMENTOS

Ao todo, o Programa REM MT investe no Muxirum R$ 1,5 milhão, para colocar as diferentes atividades do projeto em prática. Os recursos são administrados pelo Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio), que é o gestor financeiro do REM MT.

O projeto faz parte da Chamada de Projetos 03.2020 do Subprograma de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Traicionais da AFPCTs, que atualmente financia 22 projetos que atuam nos três biomas de Mato Grosso (Amazônia, Cerrado e Pantanal), e que são focados na preservação ambiental, transformação social e geração de renda das famílias.

 

Por Marcio Camilo
edição: Mariana Vianna

A realidade de centenas de seringueiros e pequenos agricultores da Reserva Estadual Extrativista Guariba Roosevelt (Resex), nos municípios de Colniza e Aripuanã, extremo Noroeste de Mato Grosso, está sendo mudada graças ao projeto Biodiverso. Apoiado pelo Programa REM Mato Grosso e executado pela organização socioambiental Pacto da Águas, o projeto tem como objetivo fortalecer o extrativismo sustentável, principalmente da borracha natural, e gerar renda para 70 famílias.


AUMENTO DA RENDA

De acordo com o coordenador do projeto Biodiverso, João Manoel, além de aumentar a renda dos trabalhadores, o projeto também criou uma rede para a comercialização da borracha da Resex. Para se ter uma ideia, os trabalhadores faturaram R$ 82,6 mil na última safra, gerando uma renda média de R$ 4,3 mil reais por família seringueira.


"Essa articulação só foi possível através das parcerias com a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (COOPERACRE) e com a Empresa V. Fair Trade Comércio e Exportação de Calçados e Acessórios. Sendo assim, há o fornecimento de borracha sustentável para a Fair Trade e os seringueiros recebem um pagamento digno por essa negociação, que segue todos os princípios contidos na Norma Fair for Life de certificação para comércio justo e cadeias de suprimentos responsáveis", detalha.

 Seringueiros durante a pesagem da borracha natural. À direita, o coordenador do Biodiverso, João Manoel.
Foto: Biodiveso

SUSTENTABILIDADE

Outro ponto importante do projeto Biodiverso é a gestão ambiental e territorial da Resex e das áreas próximas onde moram os agricultores familiares.


"Buscamos preparar as organizações sociais para maior autonomia e sustentabilidade na gestão socioprodutiva dos recursos da floresta. Além disso, buscamos desenvolver a gestão, a governança e a disseminação dos conhecimentos sobre desenvolvimento sustentável para os povos da floresta”, enfatiza.

 Jovem seringueiro durante atividade na Resex. Crédito: Biodiverso


EXPLORAÇÃO DESORDENADA

Manoel destaca também que a extração de látex é centenária na região. E isso, ao longo do tempo, garantiu renda aos seringueiros. No entanto, o que vigora no Noroeste mato-grossense é um modelo econômico que resulta na supressão da floresta e gera pouco desenvolvimento local.

Crédito: Biodiverso


"A história da região é marcada pela exploração desordenada dos recursos naturais, com impactos sociais e ambientais profundos. A lógica comercial predominante é exploratória e põe em risco a manutenção dos serviços ambientais fornecidos pela floresta", pontua.


‘MUITO MAIS VIÁVEL’

Nesse sentido, o coordenador do Biodiverso observa que o modelo econômico proposto pelos seringueiros é muito mais viável para a região.


"É um modelo pautado pelo uso responsável da biodiversidade que privilegia e fortalece a coesão social entre os grupos extrativistas. Além disso, trata-se de uma estratégia relevante para reduzir as taxas de desmatamento, que voltaram a subir desde 2012 na Amazônia, e propiciar alternativas de geração de renda e vida digna para os povos da floresta, respeitando suas culturas e modos de vida tradicionais e, ainda beneficiando todo o planeta, por meio da redução das emissões de gases de efeito estufa (gee) que provocam ao aquecimento global", afirma.

 

Borrachas naturais (CVP) que foram prensadas para a pesagem. Crédito: Biodiverso

 

APOIO DO REM MT

O Biodiverso foi contemplado pela chamada 03 dos projetos do Subprograma Agricultura Familiar de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT. Ao todo, o Programa está investindo R$ 1,4 milhão no projeto, que tem em seus indicadores a reforma de 2.000 hectares, aos moldes do plano de manejo florestal sustentável de Produtos Florestais não Madeireiros (PFNM).

 

Por Marcio Camilo
edição: Mariana Vianna

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), com apoio do Programa REM Mato Grosso, está desenvolvendo uma nova plataforma de monitoramento da cobertura vegetal do Estado. A ferramenta terá como diferencial a geração de dados extras, de acordo com a realidade da fiscalização dos ilícitos ambientais em Mato Grosso. Tal procedimento irá potencializar às tomadas de decições no combate ao desmatamento ilegal no Estado.

"O principal diferencial será a implementação de automatizações de processos que agregam informações aos alertas disponibilizados pelas diversas fontes, tornando possível a geração de produtos secundários para subsidiar as análises de inteligência da equipe de fiscalização e, principalmente, tornar mais eficiente e célere as rotinas de gerenciamento da situação dos alertas, até mesmo para potencializar o monitoramento, após os mesmos terem sido fiscalizados", destaca Graziele Gusmão, gerente de Planejamento de Fiscalização e Combate ao Desmatamento (GPFCD) na Sema-MT.

Os “produtos secundários”, citados por Graziele, além de todo o tratamento dos alertas que serão automatizados, também engloba o gerenciamento de todos eles após o atendimento, que atualmente é feito de forma manual e depende que os agentes de fiscalização reportem os resultados obtidos. "Assim, o feedback de atendimento ocorrerá de forma mais célere e eficiente", afirma a gerente do GPFCD. 

Nova plataforma pretende dar mais proteção à floresta amazônica em Mato Grosso. Foto: Marcos Vergueiro/SECOM-MT

Desse modo, a nova plataforma permitirá que a Sema-MT elabore suas próprias informações a partir de dados extraídos dos diferentes sistemas de alertas de desmatamento que operam no Brasil, a exemplo do DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A partir da extração desses dados, a plataforma irá permitir que eles auxiliem na análise e tomada de decisões a respeito do atendimento das demandas e fiscalização, oriundas dos alertas.

Para André Dias, coordenador de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (CGMA) na Sema-MT, a nova gestão dos alertas significa mais autonomia ao Estado, “uma vez que todos os insumos tecnológicos serão propriedades da Sema”. Nesse sentido, conforme Dias, o órgão “poderá incorporar novos módulos e imagens de melhor resolução que venham a surgir, bem como aprimorar os métodos de tratamento de dados”. 

Ele acrescenta ainda que, a partir dessa mudança de lógica, os recursos que atualmente são destinados a contratações de empresas privadas, “poderão ser aplicados em ações mais efetivas voltadas ao monitoramento, fiscalização e responsabilização”.

Sala de Situação da Sema-MT, onde os alertas de desmatamento são analisados.Foto: Secom-MT

A previsão é que a plataforma entre em funcionamento no início do ano que vem. Ela irá substituir o sistema Planet  - ferramenta adquirida pelo REM MT, e que vigora no Estado desde 2019. 

Franciele Nascimento, coordenadora do Subprograma Fortalecimento Institucional do REM MT, explica que a substituição partiu da demanda da Sema-MT de criar seu próprio sistema de recebimento e gerenciamento de alertas, e de forma contínua. Ela ressalta que a nova plataforma é essencial para a continuidade do trabalho do Estado de "monitorar, responsabilizar e consecutivamente coibir os ilícitos ambientais". 

A gestora também enfatiza que a plataforma irá processar os dados de alertas, de acordo com a realidade regional e a lógica de funcionamento das equipes de fiscalização da Sema-MT, Polícia Ambiental e Batalhão de Emergência Ambiental.  Dessa forma, o objetivo é extrair esses dados e refiná-los, como forma de tornar o combante ao desmatamento ilegal em Mato Grosso mais eficiente. 

"Além dos produtos já fornecidos pela plataforma atual [Planet], a própria da Sema  trará novas funcionalidades conforme metodologia de trabalho desenvolvido pela Gerência de Planejamento de Fiscalização e Combate ao Desmatamento", reforça. 

Franciele Nascimento, coordenadora do Subprograma Fortalecimento Insititucional do REM MT
. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

O REM MT apoia o desenvolvimento da plataforma, por meio  da contração da empresa que está criando a nova tecnologia de monitoramento do Estado.


Por Marcio Camilo
Edição: Marianna Vianna

Técnicos, produtores rurais e estudantes de Juara e região (a 693,9 km da capital) tiveram a oportunidade de conferir na prática as principais soluções tecnológicas do mercado, visando uma produção agropecuária mais sustentável, neste último sábado (14.05). A atividade fez parte do Dia de Campo, do evento 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, e foi realizada na Fazenda Santa Sofia.

Para Elcio Sguario Muchalak, 57 anos, proprietário da Fazenda Santa Sofia, o evento trouxe conhecimento para toda região. Segundo ele, o objetivo é fazer novos encontros para que a ideia de sistemas de produção integrados (lavoura e pecuária) se espalhe mais entre os produtores.

“A ideia é expandir. A partir desse evento, com essas pessoas que vieram, elas vão divulgar os próximos, e, de repente, tá todo mundo sabendo”, acredita o produtor rural, cujo pai ajudou a fundar a cidade de Juara.

Elcio Sguario Muchalak, dono da Fazenda Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Para Beatriz Costa, técnica em agropecuária, o evento foi importante, porque trouxe para Juara e região o que há de mais novo sobre os sistemas de criação e de cultivo. Segundo ela, tratam-se de pontos centrais devido à própria evolução econômica da região, que começou com a extração de madeira, na década de 1960, depois a pecuária, e, atualmente, na intensificação da parte de lavoura. Ela ressaltou ainda que o Dia de Campo também serviu para abrir uma nova perspectiva para a cidade: de não ser reconhecida apenas como a "Capital do gado".

"Então, quem sabe, a gente não consegue integrar a lavoura e a pecuária? E ser uma grande potência do Estado, nesse sentido? Todas as áreas - pecuária, agricultura e preservação ambiental - se completam", enfatizou a técnica.

A técnica em agropecuária Beatriz Costa foi uma das participantes do Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

ENSAIOS EXPERIMENTAIS

Os anseios de Beatriz estão em sintonia com o trabalho que o programa de pesquisa e extensão AgriSciences desenvolve na Fazenda Santa Sofia, onde ocorreu o Dia de Campo. No local, os presentes puderam ver ensaios experimentais de integração lavoura-pecuária, que estão sendo desenvolvidos pelo programa. A ideia é que o trabalho se torne referência não só em Juara, como no Estado todo.


"Hoje, a gente expandiu os ensaios diante das demandas dos produtores nessa unidade demonstrativa (Fazenda Santa Sofia). Estamos localizados num produtor, formador de opinião, líder na região e receptivo a mudanças. Diante disso, os ensaios propostos no início - desde o uso de novos materiais genéticos de forrageiras, integração de sistemas com culturas anuais, como o milho e a soja - foram ampliados, de certa forma, incluindo culturas, como a do sorgo, cana de açúcar, o componente florestal, testando diferentes clones, que, até então, não foram avaliados em Mato Grosso. Isso tudo para que a gente possa ter uma diversidade maior de culturas, na perspectiva de diversificação, não só, do sistema de produção, mas de renda para o produtor rural", salientou Daniel Carneiro de Abreu, engenheiro agrônomo, professor da UFMT e coordenador do AgriSciences.

Professor Daniel de Abreu, coordenador do AgriSciences. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

O projeto é apoiado pelo REM MT, por meio do seu subprograma Produção, Inovação e Mercados Sustentáveis (PIMS), dentro do eixo “Pecuária Sustentável”.

Nesse sentido, o REM MT é um dos financiadores do AgriSciences, especificamente do projeto de modelagem computacional, em que um software simula quais sementes, a exemplo da soja e do milho, se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região.

A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção agropecuária. Esse experimento ocorre na prática na Fazenda Santa Sofia e foi conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da do Dia de Campo (4ª Vitrine Tecnológica Agrícola).

Pesquisador explica um dos ensaios experimentais na Fazenda Santa Sofia, durante o Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

MERCADO EXIGENTE

Para Daniela Melo, coordenadora do PIMS/REM MT, eventos como este ajudam a pensar numa agropecuária mais sustentável e alinhada com as exigências ambientais do mercado internacional, fatores relevantes para alavancar positivamente as commodities de Mato Grosso, como soja e carne.

“Além disso, são propostas que vão ao encontro dos objetivos do REM MT, que é preservar as florestas do Estado, mantendo a intensidade da produção, sem incorporação de novas áreas e, ao mesmo tempo, gerando baixo impacto ambiental, com a redução das emissões dos gases de efeito estufa (gee)”, destacou a coordenadora.


Coordenadora do PIMS/REM MT, Daniela Melo. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

ACESSO À TECNOLOGIA

Pamela Rubio é técnica extensionista do escritório da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), no município de Canaã do Norte, regional de Alta Floresta. Para ela, o Dia de Campo aproxima a tecnologia do pequeno e médio produtor, que, normalmente, não tem acesso a esse tipo de informação.

Ela destacou que os extensionistas têm o papel de auxiliar aqueles produtores que não possuem condições financeiras para pagar por uma assistência técnica. E que nesse sentido, eventos como esse abordam tratativas "que a gente vive no campo". "Os técnicos conseguem ter muito conhecimento através desses eventos, para estar levando aos produtores", reforçou.

Técnica extensionista da Empaer-MT, Pâmela Rubio. Foto: Fernanda Fidelis/REM M

PALESTRA

O Dia de Campo também contou com a palestra "A Importância da Diversidade de Plantas na Agricultura Tropical e seus Conceitos", proferida por José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP/Fazenda Capuaba).

Na oportunidade, ele falou sobre a importância do produtor proteger o solo durante o ano inteiro. "A proteção constante do solo não é jogar só uma palhazinha. É proteger o solo durante 360 dias. Ou com uma cultura em desenvolvimento (espécies forrageiras) ou com uma massa orgânica. Isso é fundamental", ressaltou aos presentes na Vitrine Tecnológica.

Palestrante José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

4º ENCONTRO

Além do Dia de Campo, os técnicos e produtores participaram da 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, realizada entre os dias 11, 12 e 13 de maio, no Centro de Eventos Savoine, também em Juara.

Na oportunidade, eles puderam tirar dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. Palestraram no evento algumas das principais referências no setor, a exemplo do pesquisador e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, Rattan Lal. Aos produtores presentes, ele falou sobre o uso correto da terra/solo e sobre como isso pode ajudar nos problemas globais. A conversa foi realizada por meio de uma vídeo-palestra. 

Evento do 4º Encontro Técnico de Atualização que antecedeu o Dia de Campo, na Fazenda
Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Tanto o 4º Encontro Técnico de Atualização, como o Dia de Campo - 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola -, foram realizados pelo AgriScience, em parceira com o REM MT, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis
Edição: Mariana Vianna

O segundo dia do 4º Encontro Técnico de Atualização contou com a participação, por meio de vídeo-palestra, do pesquisador e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, Rattan Lal. Aos produtores presentes, ele falou sobre o uso correto da terra/solo e sobre como isso pode ajudar nos problemas globais. 

"A degradação do solo está ligada à instabilidade política, à insegurança alimentar, às mudanças climáticas e à pandemia global", destacou o especialista. 

O 4º Encontro foi realizado no Centro de Eventos Savoine, no município de Juara, região Noroeste de Mato Grosso. Por lá, estão reunidos importantes especialistas para dialogar com os agropecuaristas e técnicos sobre soluções tecnológicas que podem tornar a produção de commodities mais sustentável, de acordo com as exigências ambientais do mercado internacional, que compra a carne, a soja, o milho, e outros produtos primários de Mato Grosso. O evento também teve como público-alvo, profissionais do campo, engenheiros, veterinários, zootecnistas, entre outros atores envolvidos no setor.

Lal chamou a atenção dos produtores para o uso mais correto do solo, em diálogo com a natureza. Isto, conforme ele, evita problemas drásticos, como a erosão e o esgotamento da matéria orgânica. "Se a erosão parar, pode manter o equilíbrio. Se adotar melhores práticas de manejo, pode aumentar o tempo de residência da parte de matéria orgânica do solo", acrescentou.  

Ele também pontuou sobre estratégias de retenção de carbono no solo, que podem gerar diferentes benefícios aos ecossistemas, bem como a economia do uso de recursos naturais, a exemplo da água para irrigar lavouras. 

"Se puder melhorar o estoque de carbono no solo, por uma tonelada de carbono por hectare, por ano, isso pode gerar muitos outros serviços para o ecossistema, como a economia de irrigação e na água. Se eu aumentar o conteúdo de matéria orgânica, entre um e dois por cento, pode aumentar a retenção de capacidade de água [no solo] entre um e dois por cento. Isso é uma economia de água considerável", observa. 

AGRICULTURA REGENERATIVA

Ele também destacou que, independente da região, a agricultura regenerativa tem um papel muito importante. "Uma das maiores agriculturas positivas, é a agricultura regenerativa. Esse objetivo básico é reparar o carbono orgânico do solo. É o pano de fundo consistente com o desenvolvimento sustentável", afirmou aos presentes no evento.  

Ainda sobre agricultura regenerativa, Lal enfatizou que a prática se estabelece por meio de manejo contínuo de cobertura e sem prejudicar o solo. Nessa lógica sustentável, de acordo com o cientista, ocorre  "o manejo integrado de nutrientes e uma rotação complexa, tentando criar mais com menos". Isso quer dizer: "menos terra, menos água, menos fertilizantes e pesticidas e menos emissão de gases de efeito estufa. Temos que retornar à natureza, à terra e à água [que ela nos oferece]. Essa é a nossa meta", concluiu.

O segundo dia de encontro também contou com a palestra de “Manejo da Fertilidade do Solo para Alta Produtividades”, abordada pelos especialistas Wininton Mendes da Silva (Empaer-MT); e a palestra “Manejo de Plantas Daninhas em Sistema Integrado de Produção”, realizada por Fernanda Satie Ikeda (Embrapa). 

Wininton, por exemplo, destacou como a agricultura é dinâmica e mostrou capas de revistas, para exemplificar o tema. O extensionista também falou sobre os cuidados que um solo precisa ter, além de abordar algumas características do solo mato-grossense, bem como às dificuldades de se plantar em algumas regiões do Estado, por conta da acidez do solo. Wininton é engenheiro agrônomo extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT).

Técnico extensionista da Empaer-MT, Winiton Mendes da Silva

NOBEL DA PAZ

Rattan Lal ganhou o prêmio Nobel da Paz por integrar o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele é considerado a maior autoridade mundial em pesquisa e ciência do solo. 

Lal é indiano  e graduou-se na Universidade de Agricultura de Punjab. Fez mestrado em Nova Deli (Índia) e PhD na Universidade de Ohio (EUA), onde atua como professor de ciências do solo desde 1987. 

PRIMEIRO DIA

O primeiro dia do 4º Encontro Técnico de Atualização contou com palestras de professores universitários, técnicos extensionistas e especialistas do setor. Os técnicos e produtores tiraram várias dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. 

O AgriScience é um dos organizadores do evento, juntamente com a UFMT, Programa REM Mato Grosso, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

O evento segue com a programação de palestras nesta sexta-feira (13). Já no sábado (14), será realizado o segundo evento, que será a 4ª Vitrine Tecnológica, onde os produtores vão presenciar na prática algumas das tecnologias que foram abordadas pelos especialistas, em especial, os experimentos de sistema integrado de lavoura-pecuária, que ocorrem na fazenda Santa Sofia, e que são apoiados pelo REM MT. 

 

Quem acha que pecuarista só se preocupa em aumentar a produção bovina sem levar em conta o meio ambiente, precisa dar uma visitada na propriedade de seu Romeo Silvestre, na zona rural de Cotriguaçu, região Noroeste de Mato Grosso, no bioma amazônico. Por lá, ele trabalha firme para reflorestar a mata ciliar de um córrego que cruza a sua propriedade, mostrando que sim: é possível produzir commodities de maneira sustentável, em harmonia com a floresta.

Há no consciente popular uma ideia preconcebida de que os produtores de commodities (carne, soja, milho, algodão…) são todos grandes e bem estruturados. Na prática, não é bem assim. Seu Silvestre, por exemplo, se enquadra na categoria de pequeno/médio produtor. Seu pasto sofre com a falta de manejo correto do gado, o que resulta em um solo compactado de baixa fertilidade e exposto às ervas daninhas. Em seus 66 anos de vida, mais da metade deles dedicados ao campo, nunca contou com a assistência técnica de um engenheiro agrônomo para corrigir esses problemas. Na verdade, essa é uma realidade do Assentamento PA Vale Verde, onde mora Silvestre e pelo menos mais 600 pecuaristas.

“De todos que já conversei, e não foram poucos, nenhum já recebeu esse tipo de orientação, seja na parte de melhoramento do gado, na recuperação de pastagens, como também na parte ambiental”, afirma Silvestre, que há mais de 20 anos cria gado no assentamento. Ele é um dos mais antigos da região.

Mas, essa realidade, começou a mudar há um ano quando a propriedade dele passou a fazer parte de um projeto promovido pelo Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) e a Empresa Mato-grossense de Assistência Técnica e de Extensão Rural (Empaer-MT). A fazenda foi escolhida para ser uma Unidade de Referência Técnica (URT) da Empaer, com objetivo de se tornar modelo de produção sustentável na pecuária de corte para os demais produtores de Cotriguaçu.

Extensionistas da Empaer-MT conversam com Silvestre na propriedade. Crédito: REM MT

RECUPERANDO A APP

O trabalho é de médio e longo prazo e exige paciência. Mas, os principais problemas da propriedade já foram diagnosticados pelos técnicos da Empaer e, aos poucos, o projeto começa a dar frutos. Na parte ambiental, recentemente ocorreu o plantio de diversas sementes nativas para regenerar a mata ciliar do córrego que passa dentro da propriedade de seu Silvestre. Também começaram a ser instaladas cercas no local para impedir que o gado continue pisoteado às margens do córrego e degradando ainda mais o solo.

Silvestre sabe que se não recuperar a mata ciliar, num futuro breve, o córrego irá secar e o seu gado não terá água para beber. Para além da questão ambiental, ele aprendeu com a assistência técnica da Empaer- apoiada pelo REM MT - que reflorestar a APP [Área de Preservação Permanente] é um ganho econômico também, diante de um mercado cada vez mais comprometido em comprar gado de fazendas que não estejam envolvidas com o desmatamento ilegal.

 

Extensionistas da Empaer-MT conversam com Silvestre na propriedade. Crédito: REM MT

Quem orienta Silvestre nos trabalhos é o extensionista rural da Empaer, Anderson Bays. Ele detalha que o projeto irá desenvolver tecnologias para melhorar o solo, a pastagem e a produção animal da URT, a partir dos recursos disponibilizados pelo REM MT.

“Está prevista a recuperação de 10 hectares, sendo cinco para pastagem e cinco para reforma. Isso inclui a parte de calagem, adubação, plantio de sementes, tratos culturais, construção de cercas, piqueteamento [para melhor distribuição do gado] e outras tecnologias de manejo, como estação de monta, bem como a instalação de sistema de irrigação na área de plantação do capiaçu e silagem para alimentação do gado durante o período da seca", elenca.

Com relação ao manejo adequado da pastagem, o Silvestre está empolgado com as mudanças. Se tudo der certo, ele espera aumentar de 3 para 10 cabeças de gados por alqueire [equivalente a 2,4 hectares]. “Com isso, eu promovo o pastoreio rotativo, produzindo mais sem ter que aumentar novas áreas de pasto. É bom para o meu negócio, mas também é bom para o meio ambiente”, destaca.

EIXO PECUÁRIA SUSTENTÁVEL

A propriedade ainda tem um caminho a percorrer para se tornar uma URT de sucesso, mas a semente parece que já está plantada na região. Silvestre está espalhando a boa nova pelo assentamento, o que tem despertado cada vez mais o interesse dos vizinhos em saber como exatamente funciona o projeto do REM MT, tocado pelos extensionistas rurais da Empaer.

“Para todo mundo que pergunta eu falo que a assistência é muito boa. Recomendo mesmo! Os técnicos e as técnicas da Empaer são muito educados e atenciosos. O Anderson e a Marinete vem aqui conversar comigo e fazem o trabalho para que a minha propriedade se transforme numa unidade de referência para os demais produtores da região”, comenta SIlvestre ao mencionar Marinete da Silva, extensionista que atua no escritório da Empaer em Cotriguaçu. Já a URT tem como coordenador geral o engenheiro agrônomo Rogério Leschewitz, também extensionista da Empaer.

Foto: Empaer-MT

A URT de Cotriguaçu faz parte das oito unidades desse tipo na região Noroeste do Estado. As outras estão nos municípios de Aripuanã, Castanheira, Colniza, Juara, Juína, Juruena e Nova Bandeirantes. Essas unidades estão inseridas no eixo “Pecuária Sustentável” do Subprograma Produção, Inovação e Mercados Sustentáveis (PIMS) do REM MT. O eixo tem como objetivo promover a bovinocultura de corte intensificada com adequação ambiental e sem incorporação de novas áreas. O PIMS ainda conta com mais 3 eixos: “Soja Responsável”, “Manejo Florestal” e “Inovação em cadeias de commodities”.

ESG

O trabalho nas propriedades/URT's é focado nos critérios ESG [Environmental, Social and Corporate Governance], que em português significa “Ambiental, Social e Governança Corporativa”. Trata-se de uma série de normas que as propriedades têm que seguir para promover uma produção sustentável em harmonia com o meio ambiente, exigência cada vez mais constante dos mercados nacionais e internacionais que compram a carne de Mato Grosso.

 

Por Marcio Camilo

Mato Grosso é o estado com melhor desempenho na fiscalização de alertas de desmatamento florestal, de acordo com a primeira leva de levantamentos do Monitor da Fiscalização do Desmatamento - a mais nova plataforma online do MapBiomas, uma rede colaborativa formada por ONGs, universidades e empresas de tecnologia, com objetivo de preservar o meio ambiente.

Nessa primeira rodada foram analisados os alertas de desmatamento, produzidos pelo MapBioamas, em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Pará e São Paulo. Um dos objetivos da plataforma é verificar quanto desses alertas foram fiscalizados pelos cinco estados, e Mato Grosso, de longe, está com o melhor desempenho, com 40,9% de área fiscalizada, de um total de 546, 3 mil hectares analisados. Em seguida vem Minas Gerais (34,6%), Goiás (24,8%), São Paulo (26,3%) e, por último, Pará, com apenas 9,8% de área fiscalizada com alertas de desmate. 

Para a coordenadora do Subprograma Fortalecimento Institucional do REM MT, Franciele Nascimento, o bom desempenho de Mato Grosso se deve aos investimentos promovidos pelo Governo do Estado nos últimos anos na prevenção e combate ao desmatamento ilegal, envolvendo os biômas da Amazônia, Cerrado e Pantanal. 

"O destaque de Mato Grosso com a melhor resposta de autuação/fiscalização dos alertas de desmatamento se deve primeiramente ao esforço dos Agentes de Fiscalização, tanto no planejamento como na execução e na incorporação como política de estado. E ainda ao Programa REM MT, que proporcionou condições de trabalho às equipes, com entrega de equipamentos, serviços e tecnologia de ponta", avalia a gestora. 

Uma das tecnologias proporcionadas pelo REM MT foi a aquisição de um sistema de satélites que permitiu o monitoramento em tempo real das áreas desmatadas no Estado. Tal fator, conforme Franciele, potencializou as ações de fiscalização dos agentes de campo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), e dos batalhões de Polícia Ambiental e de Emergências Ambientais, com aumento significativo de aplicação de multas, apreensões, embargos, interdições, entre outras medidas para impedir o dano ambiental. 

Sobre o Monitor da Fiscalização do Desmatamento, a gestora destaca que se trata de uma ferramenta fundamental, que tem objetivo de monitorar o desmatamento, bem com a resposta que o Poder Público está dando no combate aos  crimes ambientais

“Ter esses dados sistematizados e disponibilizados ao público é crucial para acabar com a sensação de impunidade. Além do mais, com a plataforma, a sociedade passa a acompanhar os alertas e a cobrar uma resposta mais efetiva do Poder Público no combate ao desmatamento ilegal”, enfatiza a coordenadora do Fortalecimento Institucional do REM MT.  

Aumento de 396%

Os dados do MapBiomas também dão uma noção da evolução da fiscalização da Sema-MT, antes e depois do Programa REM MT. Em 2018, quando o Programa ainda não estava em atividade, o Governo do Estado emitiu 850 infrações ambientais, relacionadas à destruição da vegetação nativa. Já no primeiro ano de atividades do REM MT, em 2019, as infrações subiram para 1.346; no segundo ano, mesmo diante da pandemia de Covid-19, houve a lavratura de 2.840 infrações. Mas, o auge mesmo ocorreu no ano passado, com o registro de 4.216 autos de infração ambiental. No total, entre 2018 e 2021, a Sema-MT aumentou em 396% seu poder de fiscalização, a partir do apoio do REM MT.

 

Por Marcio Camilo

 coordenadora do REM MT, Lígia Vendramin, apresentou, nesta terça-feira (10.05), as ações do Programa aos nove secretários de Estado de Meio Ambiente, que compõem a Amazônia Legal. Os gestores estão reunidos em Cuiabá para pensar ações estratégicas de preservação e combate ao desmatamento ilegal. Nesse contexto, a estrutura do REM MT foi apresentada como um dos casos de sucesso da Sema-MT, no combate ao desmatamento e incêndios florestais em Mato Grosso. 

Um dos pontos da apresentação que mais chamou atenção do secretário do Amazonas, Eduardo Costa Taveira, foi a gestão financeira do REM MT, que não é atrelada às contas públicas do Governo de Mato Grosso.

"Isso dá muito mais agilidade para que os projetos sociais cheguem lá na ponta para beneficiar as comunidades locais", destacou.

Secretários de Meio Ambiente, Eduardo Taveira (Amazonas) e Mauren Lazzaretti (Mato Grosso). Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

Nesse sentido, Lígia acrescentou que o REM MT foi estruturado por meio de uma governança própria, composta de um conselho específico e com a participação da sociedade civil organizada.

"Isso permite manter a organização do planejamento original do Programa, sem intervenções adversas”,  ressaltou. 

Para o secretário-executivo de Estado de Meio Ambiente, Alex Marega, o REM MT, juntamente com o Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI) são um dos pilares do Estado no combate ao desmatamento. 

"Somado ao REM MT e a PCI, nós temos o monitoramento via-satélite em tempo real e o sistema de Cadastro Ambiental Rural (CAR) de Mato Grosso, que é considerado um dos mais modernos do país. São essas ferramentas que têm despertado o interesse dos demais secretários de Meio Ambiente da Amazônia Legal, que estão aqui [Cuiabá] nessa imersão, para conhecer de perto as nossas ações de combate ao desmatamento ilegal e incêndios florestais", enfatizou o gestor.

Durante o encontro, os secretários também conheceram o Centro de Comando da Fiscalização da Sema-MT - espaço que integra servidores para planejar as ações de fiscalização e operações integradas com outros órgãos. Eles  também visitaram a sala onde funciona a estrutura do Programa REM MT.

Secretários da Amazônia Legal visitam escritório do REM MT que fica dentro da estrutura da Sema-MT. Foto: Marcio Camilo/REM MT

As atividades desta terça, fazem parte do encontro de dois dias do Fórum de Secretários da Força Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (GCF-Task Force). Estão em Mato Grosso, os secretários de Meio Ambiente  do Acre, Maranhão, Rondônia, Amapá, Roraima, Amazonas, Pará e Tocantins.

 

Por Marcio Camilo

Na comunidade quilombola de Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento (MT), a relação com a banana é tão forte que ela deixa de ser um mero alimento. Ela é a cultura de um povo, é o próprio quilombo. Estão espalhadas pelos mais de 40 quintais de sistemas tradicionais de cultivo da comunidade e cercadas por uma mata exuberante dos biomas Pantanal e Cerrado. Tem bananal que chega a ter mais de 4 mil pés. Um horizonte a se perder de vista. A agricultura no lugar é ancestral, que existe e resiste ao longo dos tempos, gerando assim, espécies únicas e aprimoradas de mudas e sementes, conhecidas como crioulas.

“Esse tipo de plantação eu aprendi com o meu pai, que aprendeu com o meu avô, que aprendeu como o meu tataravô. A gente cresce sabendo que é assim que tem que fazer”, diz Oildo Ferreira da Silva, de 43 anos. Ele é uma das lideranças quilombolas da comunidade Mata Cavalo, que fica distante a 50 quilômetros da capital de Mato Grosso, Cuiabá. 

Da banana colhida, parte vai para o alimento da comunidade, que conta com mais de 160 famílias; e a outra serve como geração de renda. De produto in natura, ela se transforma em doce de rapadura, doce cristalizado e na réstia de banana - que faz um tremendo sucesso durante as festas na comunidade e no comércio da região. A réstia são balinhas envolvidas e trançadas em folhas de bananeira. Além de muito saborosas, elas simbolizam o trabalho sustentável da comunidade e sua relação intensa com a banana. A fruta também se transforma nas crocantes bananas chips, embaladas em saquinhos: “Êpa! Chips não! A nossa, vamos chamar de banana fatiada. Esse nome aí [chips] a gente não reconhece", destaca Oildo, ao se queixar do estrangeirismo.

 

Produtos derivados da banana. Da esquerda para direita: a réstia de banana, a rapadura de banana e a balinha açucarada de banana. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

Fábrica de beneficiamento

A banana fatiada de Oildo, na verdade, representa um pensamento coletivo dos quilombolas de Mato Cavalo, de levar seus produtos para além dos balcões dos bares e pequenas mercearias de Nossa Senhora do Livramento e cidades do entorno. Um objetivo que fica cada vez mais próximo, a partir da chegada dos equipamentos de beneficiamento, que irão possibilitar a produção da banana fatiada - e de tantos outros produtos quilombolas - de forma escalonada.

“Rapaz, quando tudo estiver funcionando, vai ser só jogar a banana na máquina que ela vai sair toda fatiada. Se atualmente a gente leva de três a quatro dias para fazer mil saquinhos de banana, com os equipamentos vamos fazer essa mesma quantidade em um dia!”, comemora Oildo.

Oildo mostra o espaço onde funcionará a fábrica de beneficiamento comunitário de Mata Cavalo. A Fábrica está sendo montada com recursos do REM MT. Foto: Marcio Camilo/REM MT

E todos os equipamentos já estão na comunidade, acomodados no local onde será a fábrica de beneficiamento comunitário. Além do cortador elétrico, há a máquina seladora, o liquidificador industrial, o tacho, a despolpadeira, o forno elétrico, a panificadora e a fritadeira, todos financiados pelo Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros), a partir do projeto Muxirum Quilombola, da Associação da Comunidade Negra Rural Quilombo Ribeirão da Mutuca (Acorquirim).

Equipamentos que irão beneficiar a banana e os outros produtos quilombolas do projeto Muxirum. Foto: Marcio Camilo/REM MT

“Nós também produzimos pão e, em breve, iremos trabalhar com a farinha de bocaiúva e o óleo de babaçu, que é muito procurado por empresas de fora do estado e até mesmo de fora do país. O bom nisso tudo é que os equipamentos também servirão para processar e beneficiar essas outras culturas produzidas pela gente, afirma Wilson Ferreira, o irmão de Oildo, e membro da Acorquirim.

Wilson Ferreira é uma das lideranças de Mata Cavalo. Foto: Marcio Camilo/REM MT

Para que a fábrica esteja em pleno funcionamento só falta a energia elétrica. Situação que está sendo negociada com a Energisa - empresa que faz a distribuição de energia no estado. “Se tudo der certo, a fábrica começa a funcionar ainda neste ano”, reforça Laura Ferreira, irmã de Oildo e Wilson, e coordenadora do projeto Muxirum Quilombola.

Diversidade

A banana pode ser o carro-chefe, mas na comunidade Mata Cavalo tem de tudo um pouco. Basta caminhar pela comunidade e reparar que as roças nos quintais das casas, feitas a partir do Muxirum - ritual coletivo de plantio dos quilombolas - estão repletas de milho, arroz, mandioca, abóbora, cará, quiabo, maxixe, mamão, limão, poncã e cana de açúcar. Além dos quintais produtivos, os barus, pequis e as exuberantes palmeiras de babaçu completam a paisagem da comunidade de Mata Cavalo, indicando também que há um grande potencial para o extrativismo sustentável envolvendo esses produtos da sociobiodiversidade.

Mata nativa do Cerrado e Pantanal interage com os quintais florestais dos quilombolas. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

Tais fatores chamaram a atenção de Marcos Balbino, ao analisar a viabilidade do projeto Muxirum, que foi apresentado ao REM MT pela associação Arcorquirim. Balbino é o coordenador do Subprograma Agricultura Familiar de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT, que atualmente financia a iniciativa dos quilombolas de Mata Cavalo.

“Me emociono ao falar desse projeto, porque acredito que ele é um dos mais completos da primeira chamada. Em seus objetivos gerais e específicos, ele prevê a força coletiva da comunidade, a experiência dos mais velhos, com a vitalidade da juventude, o protagonismo das mulheres, o manejo florestal em harmonia com a natureza, bem como o fortalecimento econômico da comunidade, a partir da comercialização das diferentes culturas que vêm dos quintais florestais desses agricultores e agricultoras. E nesse bojo, o projeto também pretende desenvolver as cadeias de valor do extrativismo”, destaca.

O Coordenador do AFPCTs do REM MT, Marcos Balbino, e a integrante do Muxirum, Iolanda Silva, fazem ajustes técnicos/administrativos do projeto. Foto: Marcio Camilo/REM MT

Manejo sustentável ancestral

Quem também visitou Mata Cavalo foi o engenheiro florestal Leonardo Vivaldini, da Secretaria de Estado e Agricultura Familiar (SEAF). Ao observar um plantio de milho todo cercado por mata nativa, ele chamou atenção para o tipo de manejo florestal que é feito no lugar: uma prática ancestral, fundamental para manter a floresta em pé.

“Penso, que além de apoiar às tecnologias novas, que ajudam a potencializar a produção e o comércio das roças comunitárias de Mata Cavalo, o apoio do REM MT, por meio do Muxirum, também serve para manter e fortalecer a agricultura tradicional ancestral dos quilombolas, que une árvores nativas, espécies agrícolas e sistema de rotação dessas áreas da agrobiodiversidade. É um cultivo que dialoga e respeita o tempo da natureza. Que permite que a terra descanse por quase 10 anos, antes de receber os plantios. Essa lógica de descanso faz com que o solo recupere todos os seus nutrientes de maneira natural. E, dessa maneira, eles vão fazendo esse revezamento, plantando em uma área e conservando a outra”, destaca.

Projeto amplo

Na verdade, Mata Cavalo é apenas uma das comunidades visadas pelo Muxirum, que, ao todo, pretende beneficiar mais de 500 famílias quilombolas da Baixada Cuiabana (Livramento e Poconé), do Médio-norte (Barra do Bugres) e Sudoeste do Estado (Cáceres).

“O objetivo maior do Muxirum é o fortalecimento das atividades econômicas, produtivas e comerciais dos produtos quilombolas, a partir do manejo sustentável da biodiversidade e a valorização social e cultural das comunidades inseridas no projeto”, destaca Laura Ferreira, a coordenadora do Muxirum. 

Laura Ferreira, coordenadora do projeto Muxirum, e uma das principais lideranças de Mata Cavala. Foto: REM MT

Ao todo, o Programa REM MT investe no Muxirum R$ 1,5 milhão, para colocar as diferentes atividades do projeto em prática. Os recursos são administrados pelo Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio), que é o gestor financeiro do REM MT.

O projeto faz parte da Chamada 03.2020 de editais da AFPCTs, que atualmente financia 22 projetos que atuam nos três biomas de Mato Grosso (Amazônia, Cerrado e Pantanal), e que são focados na preservação ambiental, transformação social e geração de renda das famílias.

Programa de “Reinserção e Monitoramento” dos pecuaristas é desenvolvido pelo IMAC (Instituto Mato-grossense da Carne) com financiamento do Programa REM Mato Grosso

Marcio Camilo
Comunicação REM MT/SEMA-MT


Legalizar 500 pecuaristas e recuperar mais 20 mil hectares de áreas degradadas. Essas são as metas do “Programa de Reinserção e Monitoramento”, do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), no projeto apresentado ao Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros).

O Programa de Reinserção, com previsão de início a partir da segunda quinzena de julho, envolverá produtores de oito municípios da região noroeste do estado: Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juína, Juruena e Nova Bandeirantes.

Espera-se com a iniciativa que áreas que foram desmatadas ilegalmente dentro das propriedades pecuárias sejam reparadas. O Programa de Reinserção é de participação voluntária pelo pecuarista e consiste em identificar o dano ambiental e monitorar sua regeneração.

“Como resultado, a implantação do Programa de Reinserção e Monitoramento visa garantir que o dano ambiental está sendo reparado (com um monitoramento constante), permitindo que o pecuarista retome sua atividade de comercialização de animais com a indústria frigorífica, oferecendo ao mercado formal animais de procedência garantida, enquanto o processo de adequação ambiental está ocorrendo pelo Programa do Imac”, destaca Caio Penido, presidente do instituto.



O programa está inserido no Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do REM MT. A expectativa é de que traga “melhorias na qualidade da carne, diminuição dos riscos reputacionais do setor no estado, transparência e garantia de origem do produto”. O Programa de Reinserção é uma estratégia do Imac para buscar a recuperação de áreas degradadas em mais de 12 mil propriedades no estado de MT.

A aplicação do Programa de Reinserção está inserida no eixo “Inovação nas Cadeias de Commodities Pecuária” do PIMS/REM MT.

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).
 
Saiba mais sobre o Programa REM MT em: https://remmt.com.br/

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