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O casal Wakinaguni e Maria Asao, da comunidade de Agrovila das Palmeiras, em Santo Antônio do Leverger (Cuiabá, a 86 km), só tinha uma coisa em mente: expandir mais e mais a produção de pepinos para serem comercializados em redes de supermercados na capital. Para isso, eles apostaram na agricultura convencional, com muita utilização de defensivos na lavoura. Por algum tempo deu certo. Os pepinos eram produzidos e vendidos aos montes. Eram caixas e mais caixas… Mas, chegou um momento em que a terra cansou e a grande produção começou a minguar. E isso fez com que eles entrassem num círculo vicioso de sempre precisar abrir novas áreas para sustentar a agricultura convencional.

O ponto de virada desta história veio com a chegada do projeto Campo à Mesa, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT. De agricultura convencional, eles passaram a trabalhar com os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que trouxeram, novamente, vida ao solo da propriedade.

“Estamos contentes com os resultados iniciais. O solo recuperou, deixamos de produzir pepinos, e hoje cultivamos diferentes culturas numa mesma área. É muito mais qualidade de vida para gente”, destaca Maria. 

O casal Asao está inserido num projeto que abrange oito comunidades rurais, situadas na Baixada Cuiabana e região Sul do Estado, e que tem promovido, nos pequenos agricultores e agricultoras, essa mudança cultural de perceber que existem formas mais sustentáveis de lidar com a terra, e, mesmo assim, garantir geração de renda e o sustento das famílias.


PLANTIO DIVERSIFICADO


Hoje, na propriedade dos Asao tem banana, mandioca, feijão guandú e de corda. Defensivos e fertilizantes químicos também deixaram de dar às caras por lá, pois o casal só trabalha agora com adubação verde - por meio do feijão guandú - e pó de rochas. O combate às pragas acontece de modo natural, devido à biodiversidade que se estabeleceu na área.

Apesar da expectativa de renda ser grande, o casal Asao, por outro lado, está ciente que mudanças como essas são gradativas, e os resultados começam a surgir a médio e longo prazo. “Tem que ter paciência, realmente. Mas, no aspecto de saúde, de mais qualidade de vida, a gente já consegue ver os resultados, gerados pelo SAFs”, afirma Wakinaguni Asao.

 

Asao mostra aos técnicos do REM MT em seu Sistema Agroflorestal. Foto: Marcio Camio/REMMT

 

MUDANÇA DE MENTALIDADE

“Olha o tamanho e vigor dessa bananeira! Isso em apenas três meses de SAF”, destacou Marcos Balbino, coordenador do Subprograma Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT. 

 

Pé de banana, de apenas 3 meses, se destaca em meio a plantação no sistema de SAFs. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

Ele, que participou do monitoramento do projeto Campo à Mesa, juntamente com representantes do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), se impressionou com a mudança de hábitos no local. “Me chama muito atenção essa mudança de mentalidade em relação à agricultura. Às pessoas começam a perceber que a natureza pode ser uma parceira de suas produções, e que isso pode gerar muito mais renda do que elas imaginam”, ressalta.

A mudança de mentalidade também chamou a atenção de João Melo, gerente dos projetos do REM MT no Funbio. Ele ressaltou que é muito gratificante ver os projetos pensados no escritório acontecendo na prática, e beneficiando centenas de famílias.

“Ver essa transformação de perto, que é a lógica do REM, a teoria da mudança. Ver que as pessoas estão querendo mudar a forma de produzir, estão querendo pensar de maneira sustentável e amigável com a terra, uma relação menos de exploração, de tirar tudo da terra, e mais de trocar, interagir entre as diferentes famílias e com espaço para a natureza”, avalia o gestor.

 

João Melo (de boné), do Funbio, participa de monitoramento do projeto “Do Campo à Mesa”. Foto: Marcio Camilo/REM MT 

 

DA CIDADE PARA O CAMPO

Outro caso de agricultor que decidiu iniciar uma SAF foi José da Silva. Para ajudar a mãe, depois da morte do pai, ele deixou o emprego de eletricista que tinha em Cuiabá e foi para o campo com a esposa e filhos. Os primeiros anos no assentamento Dorcelina Folador, em Várzea Grande, não foram nada fáceis: “O que a gente plantava não ia, não vingava”. Mas, a partir do auxílio do projeto Do Campo à Mesa, as coisas começaram a mudar.

“Olha, inicialmente, eu não acreditei muito. Eu me perguntava: ‘que negócio é esse de plantar um monte de espécies misturadas, e, ainda por cima, junto com o mato, sem fazer o roçado’. Mas, aos poucos, a partir das orientações dos técnicos, fui percebendo que dava certo mesmo. Hoje mantenho 80% da minha área preservada”, diz Silva orgulhoso.

 

José da Silva deixou a vida na cidade para ajudar a mãe no campo. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

AS ABÓBORAS DE JOSELITA

Quem também está feliz da vida com o seu SAF é Joselita Alcântara, moradora do assentamento Dorcelina Folador. Ela vive compartilhando nas redes sociais as dezenas de abóboras que colhe junto com o marido, do SAF que foi criado em seu quintal, a partir do projeto Campo à Mesa.

O tamanho e quantidade de abóboras impressiona. Mas, também não é por menos. Elas são cultivadas em uma área rica em biodiversidade, que conta com pés de babaçu, pequi, aroeira, baru, jatobá e mangaba, além de tantas outras árvores nativas do Cerrado.

O convívio entre diferentes espécies, proporciona um solo rico de nutrientes para que os pés de abóboras de Joselita se espalhem pelo quintal, e garantam renda para a família. “No meu SAF também tem mamão, banana, caju, limão, quiabo, feijão andu e de corda. Estou muito feliz com esse apoio do REM [MT] e do Campo à Mesa”, destaca Joselita.

 

Abóboras de Joselita já são famosas na região. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

SEGURANÇA ALIMENTAR

Para o coordenador do projeto Campo à Mesa e professor da Faculdade de Agronomia e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Henderson Nobre, os Sistemas Agroflorestais Florestais (SAFs) reúnem culturas agrícolas em consórcio com as espécies nativas que integram a floresta. Toda essa interação, conforme o professor, mantém a floresta em pé e gera renda às famílias durante o ano inteiro.

“Você têm espécies nativas e frutíferas, tudo numa mesma área, e com isso ocorre o aumento da produtividade, porque há culturas de diferentes hábitos e de tempo de crescimento. Então, enquanto as espécies arbóreas e frutíferas não produzem, você tem as culturas anuais, as espécies perenes, e tudo isso, vai chegar lá no final, trazendo segurança alimentar e aumento de renda para os agricultores familiares”, explica. 

 

Professor Henderson Nobre (no canto à direita), coordenador Do Campo à Mesa. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

O PROJETO

O Campo à Mesa: “fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis em redes de cooperação solidária”, é um projeto de pesquisa e extensão desenvolvido por professores e professoras da UFMT, e que tem a sua gestão executiva, administrativa e financeira tocada pela Uniselva - Fundação de Apoio e Desenvolvimento da UFMT e pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

O projeto é financiado pelo Programa REM Mato Grosso e concentra seu trabalho em 10 municípios da baixada cuiabana e da região Sul do Estado, envolvendo famílias em assentos de reforma agrária, reassentamentos e em territórios indígenas. Alguns desses municípios são: Acorizal, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Santo Antônio de Leverger e Várzea Grande.

 

Roda de conversa de agricultores participantes Do Campo à Mesa. Foto: Marcio Camilo/REM MT

Ao todo, REM MT investe R$ 1,4 milhão para desenvolver as atividades do Campo à Mesa, que são baseadas em quatro eixos de atuação: a organização social dos grupos; a transição agroecológica, por meio dos SAFs; a agroindustrialização; e a comercialização, propriamente dita.

“É por isso que a gente chama do Campo à Mesa: vai desde o processo de organização das famílias, até a comercialização do produto lá no consumidor final, que vai estar na cidade”, acrescenta Henderson.

O projeto também é acompanhado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que é o gestor financeiro do REM MT.

 

 

Por Márcio Camilo 

O Programa REM Mato Grosso (do inglês REDD para Pioneiros) lança nesta sexta-feira (18.03.22) Manifestação de Interesse para edital que vai apoiar projetos de organizações produtivas, com objetivo de beneficiar agricultores familiares, comunidades tradicionais, como quilombolas, extrativistas e povos indígenas no estado. Ao todo, serão investidos R$ 23,5 milhões nos Planos de Gestão de Cadeias de Valor da Sociobiodiversidade (PGCdV), que serão construídos junto às organizações selecionadas a partir da  Manifestação de Interesse. 

Esse é o segundo edital do Subprograma Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCT) lançado pelo Programa REM MT para atender este público. Desta vez, o foco é fortalecer cadeias de valor de produtos da sociobiodiversidade: Castanha do Brasil, Babaçu, Açai, Pequi, Cumbarú, Sementes Florestais e Borracha natural.

 


Produção de Castanha do Brasil da comunidade indígena dos Zorós, apoiada pelo REM MT.  Crédito: ADERJUR

“Temos sim as cadeias prioritárias, mas isso não impede que as organizações manifestem interesse em outras culturas, como as cadeias de valor do leite, café, cacau, banana, citrus, cultivos perenes, apicultura e meliponicultura”, detalha Marcos Balbino, coordenador do Subprograma AFPCT, do REM MT.

Os Planos de Gestão das Cadeias de Valor também serão importantes para estruturar políticas de Estado, que vão ao encontro de diferentes eixos do Plano Estadual de Agricultura Familiar (PEAF), elaborado pela Secretaria de Estado de  Agricultura  Familiar (SEAF-MT). Um dos eixos do PEAF, que dialoga com a Chamada, por exemplo, é a promoção de produção sustentável, agregação de valor, comercialização, regularização de empreendimentos dos agricultores familiares. 

 

QUEM PODE PARTICIPAR

Podem participar da manifestação de interesse, organizações formalizadas ou grupo de produtores com representação comprovada junto aos beneficiários finais (agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais ou povos indígenas localizados em Mato Grosso). Balbino explica que a nova chamada será mais ampla, envolvendo  a participação de organizações menores, que ainda não estejam totalmente regularizadas. 

 

“Sabemos que no estado a maioria dessas organizações têm alguma pendência, seja jurídica, financeira ou fiscal. Isso fez com que muitas não pudessem participar da primeira chamada. Identificamos esse problema e formatamos a segunda chamada para que os pequenos também tenham possibilidade de acessar esses recursos e fortalecerem seus negócios”, detalha o coordenador do subprograma.   


Marcos Balbino, coordenador do Subprograma AFPCT, do REM MT - Crédito: REM MT

 

PRAZOS E MANIFESTAÇÕES

 Os interessados terão 30 dias para preencher o formulário eletrônico, contados a partir da abertura do edital (18 de março de 2022), e enviar a sua Manifestação de Interesse. Esse documento deve ser preenchido nos formulários de inscrições (Anexo II), através do site do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, CLIQUE AQUI. 

 

As organizações interessadas em participar da seleção deverão responder a um questionário simples, explicando com qual público irão trabalhar e qual cadeia de valor será desenvolvida, dentre outras informações sobre a cadeia de valor que estão trabalhando.

 

“Nesse questionário as organizações também irão mostrar como está a situação das comunidades, quais são os desafios, as oportunidades, o que eles querem melhorar. Mas a Manifestação de Interesse não é um projeto. Ela é o início para se construir um Plano de Gestão em seguida”, observa Balbino.  

 


Mais informações podem ser encontradas no site do Funbio - Crédito: REM MT

 

PASSO A PASSO

O coordenador destaca ainda que o “primeiro de tudo” é a organização enviar a Manifestação de Interesse. Em seguida, as manifestações serão analisadas por um comitê técnico, que levará em conta os critérios de representatividade da instituição proponente, o enquadramento técnico e o mérito da proposta em questão. 

 

Esse comitê será formado por especialistas em cadeias de valor do extrativismo, como representantes da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], UnB [Universidade de Brasília], UFMT [Universidade Federal de Mato Grosso], Unemat [Universidade Estadual de Mato Grosso], SEMA-MT [Secretaria de Estado de Meio Ambiente] e SEAF-MT [Secretaria de Agricultura Familiar].

 

Formulário para o envio da Manifestação de Interesse - Crédito: REM MT

 

MENTORIA 

Depois de selecionadas as manifestações, vem a etapa de planejamento junto às organizações com apoio da mentoria fornecida pelo programa REM MT. Essa fase terá a duração de 3 meses. 

 

“Um dos grandes diferenciais dessa chamada é que o REM MT fornecerá apoio por meio de consultoria gratuita, que dará todo suporte para as organizações escreverem os planos de gestão. Os consultores irão lá na comunidade promover oficinas e desenvolver toda uma metodologia para, primeiro mapear toda a cadeia que os beneficiários estão inseridos, e depois começar a construir  o Plano de Gestão de Cadeias de Valor (PGCdV) com duração de 5 anos. 

Ele ressalta que os projetos serão estruturados para terem vida própria, depois do fim do apoio do REM MT, que será nos primeiros 12 meses. “A ideia é estabelecer a implementação de médio e longo prazo para que os PGCdV’s se sustentem por pelo menos mais quatro anos, após a parceria com o REM MT. A essas alturas, as organizações poderão adquirir condições de captar novos recursos com outras entidades, por conta própria”, enfatiza. 

 

Agricultor familiar - Crédito: REM MT

RECURSOS

Os recursos para as chamadas de projetos da AFPCT vem do Governo Alemão, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW) e pelo Governo do Reino Unido, através do Departamento Britânico para Energia e Estratégia Industrial (BEIS). Os recursos são geridos pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO. 


Documento da Manifestação de interesse resumida - Crédito: REM MT


LINKS:
Manifestação de Interesse – AFPCT
Anexo I – Modelo de Plano de Gestão de Cadeia de Valor
Anexo II – Formulário de Manifestação de Interesse
Anexo III – Critérios de avaliação

Documento de apoio:
Manifestação de Interesse resumida

Dúvidas:
Dúvidas poderão ser enviadas para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

 

 

 

Crédito Foto de Capa: IAssociação ACCPAJ

Por Marcio Camilo - REM MT

 

Já pensou se existisse um profissional especializado em conciliar o desenvolvimento e a sustentabilidade no planeta? A boa notícia é que esta pessoa existe e sua profissão é celebrada no dia 31 de janeiro. Trata-se do Dia do (a) Engenheiro (a) Ambiental. E para homenageá-los, conversamos com engenheiros e engenheiras que ajudam a fazer a diferença. É o caso da engenheira ambiental e especialista em Geoprocessamento do Subprograma Agricultura Familiar de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs), do REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros), Larissa Arruda.

 

“Em suma, a gente faz planejamentos de como usar os recursos de maneira consciente. E quando esse recurso já foi usado incorretamente, nosso trabalho é propor ações para recuperar o meio ambiente, seja por meio da reciclagem ou evitando que novas áreas sejam desmatadas”, sintetiza ela.

 

SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS

A engenheira destaca ainda que outra grande contribuição social da profissão é oferecer soluções para que empresas e órgãos estatais minimizem a poluição que podem provocar na água, no ar e no solo. 

“Muitas empresas privadas contratam profissionais de engenharia ambiental para fazer a filtragem da fumaça que emitem, mitigando, assim, os impactos do dióxido de carbono que provocam o efeito estufa no planeta. A água purificada que as pessoas recebem em casa, também passa pelo acompanhamento de um ou uma engenheira ambiental”, elenca.                                  


                                                                                                                                                                Larissa Arruda, engenheira ambiental que atua no REM MT. 

 

RECUPERAÇÃO DE PASTAGENS

Outra área em que um(a) engenheiro(a) ambiental pode atuar, juntamente com o(a) engenheiro (a) florestal, é na recuperação de pastagens de propriedades rurais. E é justamente isso que o  engenheiro ambiental Eduardo Souto de Oliveira tem feito como extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT). Ele aplica seus conhecimentos para recuperar as pastagens de pequenos pecuaristas de gado de corte da zona rural de Juína (752 km de Cuiabá), no bioma amazônico.

 

Eduardo - que trabalha há cinco anos na Empaer-MT - detalha que recuperar as pastagens é fundamental para a preservação do meio ambiente. Isso evita, conforme o especialista, que novas áreas verdes dentro da propriedade sejam devastadas para colocar o gado. 

 

“Hoje em dia há técnicas que possibilitam que o produtor aumente a sua produtividade sem a necessidade de desmatar novas áreas. Então, nosso trabalho no dia-dia é orientá-los nesse sentido: com políticas públicas de preservação ambiental que trabalhem com o mínimo nas propriedades. Isso também faz com que os produtores não sofram com as multas por crimes ambientais. Prevenir é bem melhor do que remediar”, enfatiza Eduardo. 

 

                                     ,

Extensionista da Empaer formado em Engenharia Agrícola Ambiental. Crédito: Arquivo Pessoal

 

Algumas dessas técnicas, conforme o extensionista, é a aplicação do Metarhizium (inseticida biológico para o controle das pragas que atacam as pastagens) e a rotação de animais, em que a área de pasto é dividida para evitar justamente a abertura de novos pastos por meio do desmatamento. 

 

CONSCIENTIZAÇÃO

 

Eduardo destaca ainda que após anos de trabalho de orientação e conscientização, observou que os produtores rurais têm buscado trabalhar de maneira mais sustentável.

 

“Uma parte dos produtores ainda é resistente às mudanças. Mas, muitos já entendem a necessidade de conciliar o desenvolvimento com a preservação do meio ambiente, e querem realizar os melhoramentos propostos pelo REM e a Empaer. Prova disso é que já fizemos análises de diversas áreas e agora ocorrerá a reforma dessas pastagens", conta. 

 

Extensionista da Empaer-MT (de branco) utiliza suas técnicas da engenharia ambiental para recuperar pastagem degradada. Crédito: Arquivo Pessoal

APOIO

 

Atualmente, cerca de 357 propriedades de gado de corte na região de Juína são atendidas com recuperação de pastagens pelo Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis do REM-MT e pela Empaer-MT. Até dezembro de 2022, o objetivo do PIMS é alcançar 1.950 propriedades, que terão seus pastos recuperados e melhorados de uma maneira que aumente a renda dos produtores ao mesmo tempo que preserve o meio ambiente.

 

Inclusive, uma dessas propriedades deve se tornar uma Unidade de Referência Técnica (URT), que será um espelho de desenvolvimento sustentável para as demais da região. E o trabalho da engenharia ambiental tem sido fundamental para que isso se torne realidade. 

 

Por isso tudo isso, o REM Mato Grosso parabeniza a todos os engenheiros e engenheiras pela importante contribuição social!

 

Veja mais em:  https://www.instagram.com/p/CZZoAecNmX-/?utm_source=ig_web_copy_link

 

 

Por Marcio Camilo



Sítio de agricultor familiar se transformou numa Unidade de Referência Técnica (URT) que servirá de grande exemplo para os produtores dos 14 municípios que  compõem a baixada cuiabana. O projeto é executado pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Empaer, com recursos financeiros do Programa REM MT. 

Marcio Camilo/ Comunicação REM MT

"Estou pronto. Tenho potência para encarar o serviço". Foi assim que Ademilson Bento de Santana, produtor rural de 67 anos aceitou um novo desafio em sua vida: fazer de seu sítio uma Unidade de Referência Técnica (URT) em produção de limão para os demais agricultores familiares da cidade de Jangada, a 70 quilômetros da capital de Mato Grosso, Cuiabá. Espera-se que 20 toneladas da fruta sejam produzidas anualmente na propriedade.

As URTs são projetos do Governo de Mato Grosso, por meio da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) que auxiliam as famílias do campo a aprimorarem suas produções. Isso é feito com a difusão de novas tecnologias que também garantem o desenvolvimento econômico e social dessas famílias. Com a chegada do Programa REM Mato Grosso, o conceito das URTs ganhou um reforço na questão de produzir com sustentabilidade com objetivo de manter os estoques florestais dos três biomas de Mato Grosso (Amazônia, Pantanal e Cerrado).

O sítio de Ademilson está inserido nessa lógica ao ser contemplado com recursos do Subprograma de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT. No projeto, sua propriedade foi contemplada com 400 mudas de limão, além de fornecimento de adubos, calcário, sistema de irrigação e outros insumos. A terra está toda preparada para receber as mudas que devem ser plantadas durante este mês de maio.

Ademilson dedicou uma vida toda à agricultura familiar e ainda quer aprender muito mais. Conta que com os extensionistas da Empaer em Jangada aprendeu a plantar com o devido espaço, além de utilizar o calcário para tirar a acidez da terra e fazer com que as mudas cresçam com saúde e rendam bons frutos. "A minha vida toda eu plantei verduras, hortaliças, maracujá, limão... Isso vem de família. Aprendi essas coisas no dia-dia, no trato com a planta. Com essas novas tecnologias sugeridas através da Empaer e do REM, acredito que isso só vem a agregar no meu conhecimento. Por isso sou muito grato", disse.


Ademilson, juntamente com a esposa, recebe adubos do técnico da Empaer, Edgar Bento, adquiridos pelo projeto do Programa REM MT/Edgar Bento

Quem também está empolgado com a futura produção de limão é o genro de Ademilson, o também agricultor familiar, José Galhardo. Ele está trabalhando junto com o sogro na propriedade e avalia que há um grande potencial na cadeia produtiva do limão na baixada cuiabana, que envolve 14 municípios. Pensa em comercializar a fruta nas feiras e mercados de Jangada, Várzea Grande e Cuiabá. "Esse projeto tem sido um sonho para a nossa família. Estamos muito animados com essa possibilidade de melhorar a renda e garantir cada vez mais o nosso sustento e também levar alimento para outras famílias". 

A empolgação de Galhardo faz sentido, levando em conta que 90% do limão que abastece os mercados dos municípios da baixada cuiabana vem de fora. 

“É uma região onde concentra a grande parte do público consumidor de Mato Grosso. E muitos desses produtos, no caso do limão e outros, acabam vindo de outros estados. Então você tem um mercado consumidor próprio e você tem dificuldades de organizar a produção, que por sua vez sustentaria essas cidades. Nesse sentido a gente incentiva eles [agricultores familiares] e mostra que é possível produzir aqui perto”, ressalta Marcos Balbino, o coordenador do Subprograma de Agricultura Familiar e de Comunidade e Povos Tradicionais do REM. 

A escolha da URT

Quem fez a proposta para Ademilson e Galhardo inscreverem o sítio como a URT de Jangada foi o extensionista da Empaer Edgar Bento. Ele já conhecia Ademilson há muitos anos e identificou que a sua área tinha um grande potencial para ser referência em produção sustentável. "Eu percebo que ele naturalmente tem esse entendimento. Aos fundos de sua propriedade tem uma grande mata de APP [Área de Preservação Permanente] por onde passa um riacho. Desde que eu o conheci, ele sempre se preocupou em fazer seus cultivos sem degradar essa mata", destacou o técnico da Empaer.

A partir disso, Bento enviou o projeto de URT ao Subprograma de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais do REM, que aceitou a proposta e começou a investir na propriedade. A Empaer, por sua vez, entrou com a orientação técnica. Já os produtores, com a mão de obra. 

Se as coisas continuarem nesse ritmo, a expectativa é que o sítio da família de Ademilson se torne uma grande referência na região com uma produção de 20 toneladas de limão ao ano. Além de Bento, os produtores também contam com o auxílio dos técnicos Gláucio Guimarães e Roberto Damaceno na unidade local da Empaer em Jangada. 

URTs e preservação da floresta

Para o presidente da Empaer, Renaldo Loffi, o “Alemão”, o REM MT fortaleceu o trabalho das URTs, no sentido de desenvolver ainda mais as cadeias produtivas e transferir os conhecimentos tecnológicos aos agricultores. “O REM MT reforçou nas URTs a importância de aumentar a produção e diminuir o desmatamento e, acima de tudo, melhorar a qualidade de vida das famílias do campo”, ressaltou o gestor. 

Balbino, do REM MT, também explica que a propriedade de Ademilson está inserida dentro da lógica de redução do desmatamento e manutenção de estoques florestais. Trata-se de uma política ambiental incorporada pelo Governo de Mato Grosso desde 2015, quando o estado apresentou ao mundo as metas do programa Produzir Conservar e Incluir (PCI), na Convenção do Clima (COP 21) realizada em Paris. 


Da esquerda para direita: Vico Capistrano (Empaer), o produtor, Isaías Ribeiro de Oliveira, atual coordenador Regional da Empaer Cuiabá; e Edgar Bento/Foto: Edgar Bento

A propriedade faz parte de uma rede de 20 URTs que são apoiadas pelo REM nos territórios "Baixada Cuiabana", "Noroeste" e “Portal da Amazônia”. Essas unidades servem de modelo de produção sustentável para mais de três mil famílias da agricultura familiar atendidas pela EMPAER no programa. No caso do sítio de Ademilson, ela compõe uma das cinco URTs da Baixada Cuiabana. Já as demais (15) estão distribuídas nos outros dois territórios do Subprograma de Agricultura Familiar e de Comunidade e Povos Tradicionais do REM. 

“Essa metodologia [URT] possibilita ao técnico colocar em prática técnicas e aprimoramento nas atividades produtivas que já existem na região. E depois isso é mostrado aos demais produtores da região que é possível adotar aqueles melhoramentos na atividade”, enfatiza. 

Ele também destacou que com a parceria do programa REM MT, os insumos e equipamentos chegam diretamente para as famílias beneficiadas que foram selecionadas pelos extensionistas da Empaer. Dessa forma, ele consegue montar todas as etapas com seus devidos insumos para aplicação das novas tecnologias.

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KFW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Saiba mais sobre o Programa REM MT em: https://remmt.com.br/

Confira também a primeira reportagem especial sobre as URTS: BANANA COM SUSTENTABILIDADE: Programa REM MT transforma a vida de pequenos agricultores no interior do Estado


Produtor recebe o calcário para melhorar a qualidade do plantio/ Edgar Bento


Terra já tratada com o calcário pronta para receber as mudas de limão/ Edgar Bento

 

Conheça a história do produtor José Borges, que com o apoio do REM e da Empaer irá dobrar sua produção de banana, garantindo o sustento da família e a floresta em pé

Marcio Camilo
Assessoria REM MT

O produtor rural José Borges, de 58 anos, está empolgado para começar a plantar as 2 mil mudas de bananeira. Sua chácara de 1 hectare foi selecionada para ser uma das Unidades de Referências Tecnológicas (URTs) da Empaer [Empresa de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural], que tem recebido insumos, capacitações e recursos do Subprograma de Agricultura Familiar, Povos e Comunidades Tradicionais (AFCPTs) do  Programa REM Mato Grosso.  O objetivo é que os técnicos do órgão atuem junto aos agricultores familiares, dentro de uma lógica de rentabilidade e ao mesmo tempo preservando os rios, as matas ciliares, às Áreas de Preservação Permanentes (APPs), preservando cada vez mais as florestas mato-grossenses e ajudando os responsáveis por mantê-la em pé.

Borges, mais conhecido como “Seu Zé”, foi contemplado pelo programa REM em novembro do ano passado. Desde então, juntamente com o extensionista rural da Empaer, Antonio Carlos Pedro Carneiro, tem trabalhado firme na terra para receber as mudas de banana que estão sendo preparadas (preparadas para o plantio) e cultivadas no viveiro municipal da prefeitura  de Carlinda que é parceira do programa, no extremo norte de Mato Grosso, a 760 km de Cuiabá. 

A terra já foi gradeada e recebeu o calcário para o controle de acidez no solo. Se tudo continuar nesse ritmo, as mudas serão plantadas ainda neste mês de fevereiro e a expectativa é que a produção do pequeno agricultor dobre nos próximos anos. Só na primeira colheita, ele calcula recolher 2 mil cachos de banana, cada um com 10 a 20 quilos. Ele pretende vender o produto no comércio local a 2 reais o quilo.  

“Surgiu essa oportunidade de plantar novamente uma área de banana e eu estou bem animado. O fato do projeto ter arcado com as despesas iniciais, isso pra mim foi muito bom. Eu tenho esperança que sim, que esse plantio de banana vai me dar um bom salário, para minha família”, disse o produtor que tem contado com o auxílio emergencial do governo para ajudar no sustento do lar. 

A ação do Governo do Estado veio em boa hora, num momento em que seu Zé estava desacreditado com o plantio de banana, já que a mais importante cooperativa do produto na cidade faliu e o que sobrou foram as dívidas que o produtor contraiu devido a um empréstimo bancário. A assistência da Empaer apoiada pelo Programa REM MT tem permitido que seu Zé volte a plantar novamente, com estrutura, insumos agrícolas de qualidade e recursos tecnológicos. 

“A tecnologia é fundamental. Plantar com a terra já calcareada, plantar com o adubo tudo certinho, o acompanhamento dos técnicos é uma esperança no futuro”, ressalta.

A conexão de seu Zé com a terra vem de berço. Ela é de uma família tradicional de agricultores do Paraná e desde criança acompanhava o pai no roçado, no cultivo de trigo.O fato de sua propriedade ser uma Unidade de Referência tem reforçado ainda mais sua paixão pelo campo e a  preservação ambiental. 

“Eu já fui produtor orgânico. O meu hectare é  bem cuidadinho, não é preciso desmatar mais, dá pra sobreviver com ele. Inclusive eu tenho uma preocupação com o rio que passa no fundo da minha chácara, e da cidade escorre a terra com água que vem tudo pra dentro desse rio e daqui um tempo ele vai estar entupido de lama. Então é muito importante preservar a mata ciliar, o meu espaço eu nunca tirei uma árvore de lá [da área de APP que fica nos fundos da propriedade do seu Zé]”. 

O coordenador do Subprograma de AFCPTs, Leonardo Vivaldini dos Santos, explica que o REM MT já ofereceu três capacitações aos extensionistas da Empaer, com o objetivo de fortalecer Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) envolvendo URTs de cadeias produtivas do leite, limão e banana, com produtores das regiões Noroeste, Portal da Amazônia e Baixada Cuiabana. 

Depois de capacitados, os técnicos selecionaram os imóveis que seriam as unidades de  referência do programa. A chácara de seu Zé, no município de Carlinda, é uma dessas URTs.  Agora o programa está na fase em que os extensionistas acompanham esses imóveis rurais, a partir da capacitação do REM MT. 

Extensão rural 

Para Antônio Carlos, o técnico da Empaer, exemplos como o do seu Zé é que fazem a profissão de extensionista rural valer a pena. Foi ele o responsável por estudar as necessidades tecnológicas dos produtores no município e propor uma solução  ao produtor de banana e apresentá-la ao Programa REM MT. “É legal você chegar num lugar e as pessoas falarem ‘nossa, você me ajudou, muito obrigado’. São essas coisas que motivam, coisas que estão acontecendo no campo que às pessoas da cidade nem fazem ideia”.

Conta que antes a terra do produtor estava precária, sem adubo, defensivos e outros insumos necessários para um bom plantio e colheita. Além de toda assistência técnica, o projeto também dará suporte logístico e de distribuição, para que seu Zé venda suas bananas da melhor maneira possível.

 


“A gente escolheu o produtor que tinha aptidão, mandou o projeto para as coisas que precisavam, e agora nós só estamos esperando chegar os equipamentos para finalizar o plantio. É um produtor de baixa renda que vive só do campo. Então o projeto vai ajudar bastante ele”, destacou Carlos que todo dia tem ido ao viveiro para monitorar o desenvolvimento das mudas de banana.

Carlos sabe muito bem da importância de fortalecer a produção da agricultura familiar, principalmente nesses tempos de pandemia, em que os preços dos alimentos subiram. Estruturados e bem subsidiados, são os pequenos agricultores que podem levar comida à mesa das famílias brasileiras de forma mais barata.

“Você vê essa alta de preços dos alimentos. O que segura para o pessoal da cidade é o pequeno agricultor familiar, o que ele planta e chega barato no mercado. Essas grandes commodities vão tudo pra fora, estão aproveitando a alta do dólar e não fica nada aqui. Sem agricultura familiar, numa época de crise como essa seria bem pior. 

Conta que, além dos recursos, o REM MT tem capacitado os extensionistas da Empaer, principalmente quanto à legislação ambiental e os procedimentos envolvendo o CAR [Cadastro Ambiental Rural], documento crucial para o pequeno produtor adquirir empréstimos bancários e financiamentos estatais.  

 “Tem me ajudado muito a tirar minhas dúvidas e orientar o produtor. Antes eu não tinha propriedade para falar sobre o CAR, mas hoje pelo menos o básico eu já consigo explicar e sempre que eu tiver outras dúvidas sei que posso contar com o suporte do REM MT”. 

Subprograma Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais  

No âmbito da preservação ambiental, o REM MT entende que investir na produção do agricultor familiar, dos povos e comunidades tradicionais é estratégico por duas questões.  

Primeiro, para investir em cadeias que já trabalham com essa lógica de produção aliada à sustentabilidade e à restauração florestal. E, segundo, para conscientizar cadeias produtivas com grande pressão por desmatamento, como a pecuária, revertendo essa lógica e as transformando em modelos de sustentabilidade ambiental e de baixa emissão de carbono na atmosfera. 

Diante dessa perspectiva o Subprograma AFPTC’s lançou em fevereiro de 2020 o edital para chamada de projetos com investimentos na ordem de 32 milhões de reais, com abrangência em todo estado. Foram selecionados 23 projetos que irão mudar a realidade de muitos agricultores familiares e de povos e comunidades tradicionais. 

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM remunera e premia o esforço de mitigação das mudanças climáticas de pioneiros do REDD + (Early Movers) a nível estadual, subnacional ou nacional, pretendendo fomentar o desenvolvimento sustentável, e gerar aprendizados até que um mecanismo global de REDD+ seja operacional. O principal objetivo do programa é a valorização da floresta em pé. O REM segue todos os princípios e critérios da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), na qual não ocorre transferência de créditos de carbono.

O contrato do REM Mato Grosso prevê recursos na ordem de 44 milhões de euros do governo da Alemanha por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), e o governo do Reino Unido, por meio do Departamento Britânico para Energia e Estratégia Industrial (BEIS).

Os recursos do Programa estão distribuídos da seguinte maneira: 60% para os subprogramas de agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais na Amazônia, Cerrado e Pantanal; territórios indígenas; e produção sustentável, inovação e mercados. Os demais 40% são destinados ao fortalecimento institucional de entidades governamentais do Estado e na aplicação e desenvolvimento de políticas públicas estruturantes.

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