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A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), com apoio do Programa REM Mato Grosso, está desenvolvendo uma nova plataforma de monitoramento da cobertura vegetal do Estado. A ferramenta terá como diferencial a geração de dados extras, de acordo com a realidade da fiscalização dos ilícitos ambientais em Mato Grosso. Tal procedimento irá potencializar às tomadas de decições no combate ao desmatamento ilegal no Estado.

"O principal diferencial será a implementação de automatizações de processos que agregam informações aos alertas disponibilizados pelas diversas fontes, tornando possível a geração de produtos secundários para subsidiar as análises de inteligência da equipe de fiscalização e, principalmente, tornar mais eficiente e célere as rotinas de gerenciamento da situação dos alertas, até mesmo para potencializar o monitoramento, após os mesmos terem sido fiscalizados", destaca Graziele Gusmão, gerente de Planejamento de Fiscalização e Combate ao Desmatamento (GPFCD) na Sema-MT.

Os “produtos secundários”, citados por Graziele, além de todo o tratamento dos alertas que serão automatizados, também engloba o gerenciamento de todos eles após o atendimento, que atualmente é feito de forma manual e depende que os agentes de fiscalização reportem os resultados obtidos. "Assim, o feedback de atendimento ocorrerá de forma mais célere e eficiente", afirma a gerente do GPFCD. 

Nova plataforma pretende dar mais proteção à floresta amazônica em Mato Grosso. Foto: Marcos Vergueiro/SECOM-MT

Desse modo, a nova plataforma permitirá que a Sema-MT elabore suas próprias informações a partir de dados extraídos dos diferentes sistemas de alertas de desmatamento que operam no Brasil, a exemplo do DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A partir da extração desses dados, a plataforma irá permitir que eles auxiliem na análise e tomada de decisões a respeito do atendimento das demandas e fiscalização, oriundas dos alertas.

Para André Dias, coordenador de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (CGMA) na Sema-MT, a nova gestão dos alertas significa mais autonomia ao Estado, “uma vez que todos os insumos tecnológicos serão propriedades da Sema”. Nesse sentido, conforme Dias, o órgão “poderá incorporar novos módulos e imagens de melhor resolução que venham a surgir, bem como aprimorar os métodos de tratamento de dados”. 

Ele acrescenta ainda que, a partir dessa mudança de lógica, os recursos que atualmente são destinados a contratações de empresas privadas, “poderão ser aplicados em ações mais efetivas voltadas ao monitoramento, fiscalização e responsabilização”.

Sala de Situação da Sema-MT, onde os alertas de desmatamento são analisados.Foto: Secom-MT

A previsão é que a plataforma entre em funcionamento no início do ano que vem. Ela irá substituir o sistema Planet  - ferramenta adquirida pelo REM MT, e que vigora no Estado desde 2019. 

Franciele Nascimento, coordenadora do Subprograma Fortalecimento Institucional do REM MT, explica que a substituição partiu da demanda da Sema-MT de criar seu próprio sistema de recebimento e gerenciamento de alertas, e de forma contínua. Ela ressalta que a nova plataforma é essencial para a continuidade do trabalho do Estado de "monitorar, responsabilizar e consecutivamente coibir os ilícitos ambientais". 

A gestora também enfatiza que a plataforma irá processar os dados de alertas, de acordo com a realidade regional e a lógica de funcionamento das equipes de fiscalização da Sema-MT, Polícia Ambiental e Batalhão de Emergência Ambiental.  Dessa forma, o objetivo é extrair esses dados e refiná-los, como forma de tornar o combante ao desmatamento ilegal em Mato Grosso mais eficiente. 

"Além dos produtos já fornecidos pela plataforma atual [Planet], a própria da Sema  trará novas funcionalidades conforme metodologia de trabalho desenvolvido pela Gerência de Planejamento de Fiscalização e Combate ao Desmatamento", reforça. 

Franciele Nascimento, coordenadora do Subprograma Fortalecimento Insititucional do REM MT
. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

O REM MT apoia o desenvolvimento da plataforma, por meio  da contração da empresa que está criando a nova tecnologia de monitoramento do Estado.


Por Marcio Camilo
Edição: Marianna Vianna

Técnicos, produtores rurais e estudantes de Juara e região (a 693,9 km da capital) tiveram a oportunidade de conferir na prática as principais soluções tecnológicas do mercado, visando uma produção agropecuária mais sustentável, neste último sábado (14.05). A atividade fez parte do Dia de Campo, do evento 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, e foi realizada na Fazenda Santa Sofia.

Para Elcio Sguario Muchalak, 57 anos, proprietário da Fazenda Santa Sofia, o evento trouxe conhecimento para toda região. Segundo ele, o objetivo é fazer novos encontros para que a ideia de sistemas de produção integrados (lavoura e pecuária) se espalhe mais entre os produtores.

“A ideia é expandir. A partir desse evento, com essas pessoas que vieram, elas vão divulgar os próximos, e, de repente, tá todo mundo sabendo”, acredita o produtor rural, cujo pai ajudou a fundar a cidade de Juara.

Elcio Sguario Muchalak, dono da Fazenda Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Para Beatriz Costa, técnica em agropecuária, o evento foi importante, porque trouxe para Juara e região o que há de mais novo sobre os sistemas de criação e de cultivo. Segundo ela, tratam-se de pontos centrais devido à própria evolução econômica da região, que começou com a extração de madeira, na década de 1960, depois a pecuária, e, atualmente, na intensificação da parte de lavoura. Ela ressaltou ainda que o Dia de Campo também serviu para abrir uma nova perspectiva para a cidade: de não ser reconhecida apenas como a "Capital do gado".

"Então, quem sabe, a gente não consegue integrar a lavoura e a pecuária? E ser uma grande potência do Estado, nesse sentido? Todas as áreas - pecuária, agricultura e preservação ambiental - se completam", enfatizou a técnica.

A técnica em agropecuária Beatriz Costa foi uma das participantes do Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

ENSAIOS EXPERIMENTAIS

Os anseios de Beatriz estão em sintonia com o trabalho que o programa de pesquisa e extensão AgriSciences desenvolve na Fazenda Santa Sofia, onde ocorreu o Dia de Campo. No local, os presentes puderam ver ensaios experimentais de integração lavoura-pecuária, que estão sendo desenvolvidos pelo programa. A ideia é que o trabalho se torne referência não só em Juara, como no Estado todo.


"Hoje, a gente expandiu os ensaios diante das demandas dos produtores nessa unidade demonstrativa (Fazenda Santa Sofia). Estamos localizados num produtor, formador de opinião, líder na região e receptivo a mudanças. Diante disso, os ensaios propostos no início - desde o uso de novos materiais genéticos de forrageiras, integração de sistemas com culturas anuais, como o milho e a soja - foram ampliados, de certa forma, incluindo culturas, como a do sorgo, cana de açúcar, o componente florestal, testando diferentes clones, que, até então, não foram avaliados em Mato Grosso. Isso tudo para que a gente possa ter uma diversidade maior de culturas, na perspectiva de diversificação, não só, do sistema de produção, mas de renda para o produtor rural", salientou Daniel Carneiro de Abreu, engenheiro agrônomo, professor da UFMT e coordenador do AgriSciences.

Professor Daniel de Abreu, coordenador do AgriSciences. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

O projeto é apoiado pelo REM MT, por meio do seu subprograma Produção, Inovação e Mercados Sustentáveis (PIMS), dentro do eixo “Pecuária Sustentável”.

Nesse sentido, o REM MT é um dos financiadores do AgriSciences, especificamente do projeto de modelagem computacional, em que um software simula quais sementes, a exemplo da soja e do milho, se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região.

A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção agropecuária. Esse experimento ocorre na prática na Fazenda Santa Sofia e foi conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da do Dia de Campo (4ª Vitrine Tecnológica Agrícola).

Pesquisador explica um dos ensaios experimentais na Fazenda Santa Sofia, durante o Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

MERCADO EXIGENTE

Para Daniela Melo, coordenadora do PIMS/REM MT, eventos como este ajudam a pensar numa agropecuária mais sustentável e alinhada com as exigências ambientais do mercado internacional, fatores relevantes para alavancar positivamente as commodities de Mato Grosso, como soja e carne.

“Além disso, são propostas que vão ao encontro dos objetivos do REM MT, que é preservar as florestas do Estado, mantendo a intensidade da produção, sem incorporação de novas áreas e, ao mesmo tempo, gerando baixo impacto ambiental, com a redução das emissões dos gases de efeito estufa (gee)”, destacou a coordenadora.


Coordenadora do PIMS/REM MT, Daniela Melo. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

ACESSO À TECNOLOGIA

Pamela Rubio é técnica extensionista do escritório da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), no município de Canaã do Norte, regional de Alta Floresta. Para ela, o Dia de Campo aproxima a tecnologia do pequeno e médio produtor, que, normalmente, não tem acesso a esse tipo de informação.

Ela destacou que os extensionistas têm o papel de auxiliar aqueles produtores que não possuem condições financeiras para pagar por uma assistência técnica. E que nesse sentido, eventos como esse abordam tratativas "que a gente vive no campo". "Os técnicos conseguem ter muito conhecimento através desses eventos, para estar levando aos produtores", reforçou.

Técnica extensionista da Empaer-MT, Pâmela Rubio. Foto: Fernanda Fidelis/REM M

PALESTRA

O Dia de Campo também contou com a palestra "A Importância da Diversidade de Plantas na Agricultura Tropical e seus Conceitos", proferida por José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP/Fazenda Capuaba).

Na oportunidade, ele falou sobre a importância do produtor proteger o solo durante o ano inteiro. "A proteção constante do solo não é jogar só uma palhazinha. É proteger o solo durante 360 dias. Ou com uma cultura em desenvolvimento (espécies forrageiras) ou com uma massa orgânica. Isso é fundamental", ressaltou aos presentes na Vitrine Tecnológica.

Palestrante José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

4º ENCONTRO

Além do Dia de Campo, os técnicos e produtores participaram da 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, realizada entre os dias 11, 12 e 13 de maio, no Centro de Eventos Savoine, também em Juara.

Na oportunidade, eles puderam tirar dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. Palestraram no evento algumas das principais referências no setor, a exemplo do pesquisador e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, Rattan Lal. Aos produtores presentes, ele falou sobre o uso correto da terra/solo e sobre como isso pode ajudar nos problemas globais. A conversa foi realizada por meio de uma vídeo-palestra. 

Evento do 4º Encontro Técnico de Atualização que antecedeu o Dia de Campo, na Fazenda
Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Tanto o 4º Encontro Técnico de Atualização, como o Dia de Campo - 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola -, foram realizados pelo AgriScience, em parceira com o REM MT, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis
Edição: Mariana Vianna

 

Começou, nesta quarta-feira (11.05), o evento 4º Encontro Técnico de Ataulização . Trata-se de um dos encontros mais importantes de soluções tecnológicas para a produção agropecuária da região do município de Juara (693, 9 km de Cuiabá), no bioma amazônico, região noroeste de Mato Grosso. Nos próximos três dias, estarão reunidos no Centro de Eventos Savoine, algumas das principais referências nacionais em estudos de melhoramento de pastagem para a alimentação do gado, bem como na utilização dessas áreas para produção agrícola de soja e milho, por exemplo. O objetivo é conscientizar produtores rurais e técnicos da área sobre a necessidade de uma produção mais sustentável, de baixo carbono e alinhada com as exigências do mercado internacional, que compra essas commodities de Mato Grosso. 

 


Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 
PRIMEIRO DIA

O primeiro dia contou com palestras de professores universitários, técnicos extensionistas e especialistas do setor. Os produtores tiraram várias dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. 

João Luiz, por exemplo, era um dos mais interessados em ouvir os especialistas. A curiosidade não era por menos, já que ele tem um média propriedade em que trabalha com a criação de gado para o corte, e também busca diversificar a utilização da terra, por meio da agricultura. 

"O importante para mim e para os outros produtores é saber como funcionam esses sistemas integrados: qual o tipo de forrageira [espécie de planta que serve de alimento para o gado], que vai satisfazer melhor e a questão de quando vai acontecer o lucro, depois desses investimentos. Nós, que temos propriedade, já temos um certo conhecimento. Aí com essas informações dos especialistas, isso só tem a agregar na nossa atividade", destacou.  

 

Produtor rural faz perguntas durante o evento. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

TIME DE CAPINS 

Manoel dos Santos, professor de forragicultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), proferiu a palestra "Como ter um bom pasto diferido na seca?". Ele, que estuda plantas forrageiras, pastagens e processos de conservação da forragem, fez uma analogia com o futebol para explicar a importância de diversificar os tipos de capins para o alimento do boi.

"O time de futebol, por exemplo. Você tem uma equipe. Cada integrante dessa equipe possui uma determinada habilidade. Você tem um atacante, um zagueiro, o meio de campo, o goleiro... é a mesma coisa que o pecuarista deveria fazer, montar um time de capins: um capim que brota mais rápido, quando começar a chover; outro que cresce mais no meio do período das águas... então, se ele montar esse time de capins, seu sistema vai ter uma produção de forragem de alimentos mais estável ao longo dos meses do ano", explicou o especialista.

 

 Manoel dos Santos, professor de forragicultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

Para ele, eventos como esses proporcionam muito conhecimento, para que o produtor trabalhe com mais eficiência na sua fazenda. 

"Para fazer melhorias no sistema de produção, você tem que conhecer. Esse tipo de evento proporciona a possibilidade de sair daqui com um grau maior de conhecimento. Isso é a base para que ele possa chegar em sua propriedade e começar a colocar as tecnologias que vão resultar em melhorias na sua produção", enfatizou.  

Já para Leonora Goes, mestre em Ecologia e profissional sênior do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do Programa REM Mato Grosso, o evento traz de novidade as atualizações de tecnologias na área de integração pecuária-lavoura.  

 “O enfoque é o corpo técnico que atua no dia a dia do campo, dando assistência nas propriedades e trazendo inovação para a ponta. O evento tem apresentado não só na teoria, mas também mostra na prática, através de ensaios experimentais de campo, os benefícios produtivos da integração desses sistemas de produção”, elencou. 

 


 Leonora Goes, mestre em Ecologia e profissional sênior do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS)  - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 QUEBRANDO PRECONCEITOS

Renata Taques, coordenadora de marketing do programa de pesquisa e extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (AgriSciences), destacou que a Vitrine Tecnológica serve para desmistificar alguns preconceitos em relação à produção pecuária e mostrar que sim: é possível produzir commodities de maneira mais sustentável. 

"Hoje, muitas das pessoas que vivem na cidade, tem uma visão equivocada, de que a pecuária só agride o meio ambiente. Mas, o que o AgriSciences tem em seu DNA como atuação, é uma pecuária de baixo impacto de emissão de carbono. Uma pecuária que trabalha com sistemas integrados, que são tipos de culturas que manejam melhor o solo, que, a partir disso, consegue sequestrar mais carbono e gerar mais sustentabilidade", detalhou.  

 


Renata Taques, coordenadora de marketing do programa de pesquisa e extensão AgriSciences - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

ORGANIZADORES DO EVENTO

O AgriScience é um dos organizadores do 4º Encontro Técnico de Atualizações, juntamente com a UFMT, Programa REM Mato Grosso, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

Sobre o que é o AgriSciences, Renata explica que se trata de um projeto de pesquisa e extensão  "que conecta o campo à cidade, de forma que a pesquisa e a ciência chegue até o produtor rural, com objetivo de melhorar cada vez mais a atuação da agricultura do país".

 


Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

MODELAGEM COMPUTACIONAL

Uma das pesquisas do projeto é financiada pelo REM MT, por meio do Subprograma  Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS). Trata-se da modelagem computacional, em que um software simula quais sementes de soja, milho e arroz se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região. A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção pecuária. Esse experimento ocorre na prática, na Fazenda Santa Sofia e será conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da Vitrine Tecnológica. 

"A gente coleta os dados dos experimentos, joga isso num modelo computacional e conseguimos fazer predições, para entender o quanto cada cultivo desse sistema vai ser benéfico, ou não, para a qualidade do solo, para a pegada hídrica, para ver o quanto de carbono vai ficar para o solo e o quanto que vai para atmosfera, ou seja: a gente consegue estudar a sustentabilidade a longo prazo, desses sistemas, a partir da coleta de dados desses experimentos, fazendo previsões futuras daqui há 10 ou 20 anos", explica Wininton da Silva, engenheiro agrônomo extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Winiton da Silva, extensionista da Empaer-MT. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

Segundo os especialistas, a modelagem computacional pode fornecer os arranjos corretos, garantindo o "aumento da qualidade do solo, o aumento de produtividade, sem aumento de custo de produção, e num enfoque para o produtor ter mais lucro, sem a necessidade de ter que desmatar novas áreas". 

 

PROGRAMAÇÃO INTENSA

O 4º Encontro Técnico de Atualização  segue com a programação de palestras nesta quinta (12) e sexta-feira (13). Já no sábado, ocorrerá o segundo evento, que será a 4ª Vitrine Tecnológica, onde os produtores vão presenciar na prática algumas das tecnologias que foram abordadas pelos especialistas, em especial, os experimentos de sistema integrado de lavoura-pecuária, que ocorrem na fazenda Santa Sofia, e que são apoiados pelo REM MT. 

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis / REM MT 

 

 coordenadora do REM MT, Lígia Vendramin, apresentou, nesta terça-feira (10.05), as ações do Programa aos nove secretários de Estado de Meio Ambiente, que compõem a Amazônia Legal. Os gestores estão reunidos em Cuiabá para pensar ações estratégicas de preservação e combate ao desmatamento ilegal. Nesse contexto, a estrutura do REM MT foi apresentada como um dos casos de sucesso da Sema-MT, no combate ao desmatamento e incêndios florestais em Mato Grosso. 

Um dos pontos da apresentação que mais chamou atenção do secretário do Amazonas, Eduardo Costa Taveira, foi a gestão financeira do REM MT, que não é atrelada às contas públicas do Governo de Mato Grosso.

"Isso dá muito mais agilidade para que os projetos sociais cheguem lá na ponta para beneficiar as comunidades locais", destacou.

Secretários de Meio Ambiente, Eduardo Taveira (Amazonas) e Mauren Lazzaretti (Mato Grosso). Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

Nesse sentido, Lígia acrescentou que o REM MT foi estruturado por meio de uma governança própria, composta de um conselho específico e com a participação da sociedade civil organizada.

"Isso permite manter a organização do planejamento original do Programa, sem intervenções adversas”,  ressaltou. 

Para o secretário-executivo de Estado de Meio Ambiente, Alex Marega, o REM MT, juntamente com o Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI) são um dos pilares do Estado no combate ao desmatamento. 

"Somado ao REM MT e a PCI, nós temos o monitoramento via-satélite em tempo real e o sistema de Cadastro Ambiental Rural (CAR) de Mato Grosso, que é considerado um dos mais modernos do país. São essas ferramentas que têm despertado o interesse dos demais secretários de Meio Ambiente da Amazônia Legal, que estão aqui [Cuiabá] nessa imersão, para conhecer de perto as nossas ações de combate ao desmatamento ilegal e incêndios florestais", enfatizou o gestor.

Durante o encontro, os secretários também conheceram o Centro de Comando da Fiscalização da Sema-MT - espaço que integra servidores para planejar as ações de fiscalização e operações integradas com outros órgãos. Eles  também visitaram a sala onde funciona a estrutura do Programa REM MT.

Secretários da Amazônia Legal visitam escritório do REM MT que fica dentro da estrutura da Sema-MT. Foto: Marcio Camilo/REM MT

As atividades desta terça, fazem parte do encontro de dois dias do Fórum de Secretários da Força Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (GCF-Task Force). Estão em Mato Grosso, os secretários de Meio Ambiente  do Acre, Maranhão, Rondônia, Amapá, Roraima, Amazonas, Pará e Tocantins.

 

Por Marcio Camilo

Pesquisadores Mato-grossenses divulgaram em universidades dos Estados Unidos (EUA) os primeiros resultados de uma pesquisa que propõe tornar a produção de commodities mais sustentável em Mato Grosso. Trata-se do projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto”, desenvolvido pelo programa de pesquisa AgriSciences, que usa um software que simula qual tipo de planta é mais adaptável ao ambiente. A iniciativa é financiada pelo Programa REM Mato Grosso (do português, REDD para Pioneiros).

Estiveram à frente da viagem aos EUA, o doutor Wininton Mendes, da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT) e o professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e coordenador do Programa AgriSciences, Daniel de Abreu. Os dois tiveram agendas importantes em Washington (DC), com diretores do Banco Mundial e um representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A primeira parada da viagem foi no Campo Experimental da Universidade de Minnesota. Na oportunidade, Daniel e Winiton promoveram uma palestra aos pesquisadores norte-americanos sobre a modelagem computacional que está sendo feita na fazenda Santa Sofia, no município de Juara, Noroeste de Mato Grosso (bioma amazônico). Por lá, a tecnologia é utilizada para fazer experimentos com sementes híbridas de soja, milho e arroz e integrar essas culturas à produção pecuária.

Wininton detalha que a modelagem computacional permite simular quais sementes se adaptam melhor ao clima e o solo de uma determinada região. Nesse sentido, os trabalhos conduzidos na região Noroeste de Mato Grosso têm mostrado resultados promissores.

“A qualidade do solo na produtividade das culturas em sistemas de integração envolvendo soja-milho e produção de forragem é uma delas”, salienta o pesquisador. 

 

Pesquisadores da Empaer e da UFMT com a equipe da Universidade de Minnesota. Crédito: Empaer

 

Tanto Wininton quanto Daniel reforçaram durante a palestra a necessidade de mais investimentos em pesquisa, transferência de tecnologia e extensão rural neste tema, sobretudo em Juara, por ser uma região de expansão da agricultura em área de pecuária e com bastante demanda por informações técnico-científicas, que visam o uso eficiente de insumos e recursos para garantir maior produtividade das áreas de forma mais sustentável.

Após a apresentação da palestra, os pesquisadores visitaram uma propriedade rural, onde puderam entender os desafios enfrentados pelos produtores da região de Minnesota na atividade de produção agrícola e pecuária.

Durante a viagem, os pesquisadores mato-grossenses passaram por pelo menos cinco estados diferentes, onde visitaram centros de pesquisas e fazendas-modelo em produção sustentável, além de terem dialogado com pesquisadores e professores do ramo. Os estados visitados foram:  Wisconsin, Ohio, Georgia, Mississippi e Flórida.

BANCO MUNDIAL E INTERAMERICANO

Já com relação às reuniões com representantes do Banco Mundial e Interamericano de Desenvolvimento, o professor Daniel de Abreu destacou que o principal objetivo foi mostrar como Mato Grosso tem trabalhado em prol do desenvolvimento sustentável,“especificamente, na intensificação do setor agropecuário”.

 

“Para Mato Grosso, está sendo imposto esse grande desafio, que é a produção de conhecimento para que possamos fomentar, de forma organizada, a tecnologia, a inovação e, principalmente, inclusão social. Todos esses conceitos devem estar alinhados dentro de um modelo de desenvolvimento sustentável. São ações que almejamos, não apenas para a nossa região [Juara], mas também para as outras que circundam o nosso estado”, avaliou o coordenador da AgriSciences.


AGRISCIENCES


O projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto” faz parte da chamada 08/2020, do Eixo Inovação em Cadeias de Commodities, do Subprograma PIMS do REM MT. O projeto também conta com a parceria de instituições internacionais como as universidades de Minnesta e Ohio, nos Estados Unidos. Essas universidades ajudam na condução das ações e desenvolvimento de atividades do AgriSciences. 

“Esse projeto é um bom exemplo do que a gente quer nesse eixo de Inovação do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT, que é justamente disseminar tecnologia capaz de melhorar a eficiência do produtor, reduzir a pressão por desmatamento, otimizar o uso de insumos e reduzir de emissões de gases que agravam o efeito estufa”, comemora Fernando Sampaio, coordenador-adjunto do REM MT.


Fazenda Santa Sofia, em Juara, onde ocorrem os experimentos de integração lavoura-pecuária através da modelagem computacional. Crédito: AgriSciences


Quem também ressalta a importância do trabalho é a coordenadora do PIMS, Daniela Melo. Ela explica que o “projeto auxiliará na divulgação de tecnologias inovadoras para os produtores, sendo estas consonantes com a realidade da região”.

Ao todo, o REM MT investe R$ 999.594,60 no projeto do AgriSciences, que tem como proponente a Fundação de Apoio e Desenvolvimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - Fundação Uniselva.

 

Por Márcio Camilo

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