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Técnicos, produtores rurais e estudantes de Juara e região (a 693,9 km da capital) tiveram a oportunidade de conferir na prática as principais soluções tecnológicas do mercado, visando uma produção agropecuária mais sustentável, neste último sábado (14.05). A atividade fez parte do Dia de Campo, do evento 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, e foi realizada na Fazenda Santa Sofia.

Para Elcio Sguario Muchalak, 57 anos, proprietário da Fazenda Santa Sofia, o evento trouxe conhecimento para toda região. Segundo ele, o objetivo é fazer novos encontros para que a ideia de sistemas de produção integrados (lavoura e pecuária) se espalhe mais entre os produtores.

“A ideia é expandir. A partir desse evento, com essas pessoas que vieram, elas vão divulgar os próximos, e, de repente, tá todo mundo sabendo”, acredita o produtor rural, cujo pai ajudou a fundar a cidade de Juara.

Elcio Sguario Muchalak, dono da Fazenda Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Para Beatriz Costa, técnica em agropecuária, o evento foi importante, porque trouxe para Juara e região o que há de mais novo sobre os sistemas de criação e de cultivo. Segundo ela, tratam-se de pontos centrais devido à própria evolução econômica da região, que começou com a extração de madeira, na década de 1960, depois a pecuária, e, atualmente, na intensificação da parte de lavoura. Ela ressaltou ainda que o Dia de Campo também serviu para abrir uma nova perspectiva para a cidade: de não ser reconhecida apenas como a "Capital do gado".

"Então, quem sabe, a gente não consegue integrar a lavoura e a pecuária? E ser uma grande potência do Estado, nesse sentido? Todas as áreas - pecuária, agricultura e preservação ambiental - se completam", enfatizou a técnica.

A técnica em agropecuária Beatriz Costa foi uma das participantes do Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

ENSAIOS EXPERIMENTAIS

Os anseios de Beatriz estão em sintonia com o trabalho que o programa de pesquisa e extensão AgriSciences desenvolve na Fazenda Santa Sofia, onde ocorreu o Dia de Campo. No local, os presentes puderam ver ensaios experimentais de integração lavoura-pecuária, que estão sendo desenvolvidos pelo programa. A ideia é que o trabalho se torne referência não só em Juara, como no Estado todo.


"Hoje, a gente expandiu os ensaios diante das demandas dos produtores nessa unidade demonstrativa (Fazenda Santa Sofia). Estamos localizados num produtor, formador de opinião, líder na região e receptivo a mudanças. Diante disso, os ensaios propostos no início - desde o uso de novos materiais genéticos de forrageiras, integração de sistemas com culturas anuais, como o milho e a soja - foram ampliados, de certa forma, incluindo culturas, como a do sorgo, cana de açúcar, o componente florestal, testando diferentes clones, que, até então, não foram avaliados em Mato Grosso. Isso tudo para que a gente possa ter uma diversidade maior de culturas, na perspectiva de diversificação, não só, do sistema de produção, mas de renda para o produtor rural", salientou Daniel Carneiro de Abreu, engenheiro agrônomo, professor da UFMT e coordenador do AgriSciences.

Professor Daniel de Abreu, coordenador do AgriSciences. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

O projeto é apoiado pelo REM MT, por meio do seu subprograma Produção, Inovação e Mercados Sustentáveis (PIMS), dentro do eixo “Pecuária Sustentável”.

Nesse sentido, o REM MT é um dos financiadores do AgriSciences, especificamente do projeto de modelagem computacional, em que um software simula quais sementes, a exemplo da soja e do milho, se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região.

A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção agropecuária. Esse experimento ocorre na prática na Fazenda Santa Sofia e foi conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da do Dia de Campo (4ª Vitrine Tecnológica Agrícola).

Pesquisador explica um dos ensaios experimentais na Fazenda Santa Sofia, durante o Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

MERCADO EXIGENTE

Para Daniela Melo, coordenadora do PIMS/REM MT, eventos como este ajudam a pensar numa agropecuária mais sustentável e alinhada com as exigências ambientais do mercado internacional, fatores relevantes para alavancar positivamente as commodities de Mato Grosso, como soja e carne.

“Além disso, são propostas que vão ao encontro dos objetivos do REM MT, que é preservar as florestas do Estado, mantendo a intensidade da produção, sem incorporação de novas áreas e, ao mesmo tempo, gerando baixo impacto ambiental, com a redução das emissões dos gases de efeito estufa (gee)”, destacou a coordenadora.


Coordenadora do PIMS/REM MT, Daniela Melo. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

ACESSO À TECNOLOGIA

Pamela Rubio é técnica extensionista do escritório da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), no município de Canaã do Norte, regional de Alta Floresta. Para ela, o Dia de Campo aproxima a tecnologia do pequeno e médio produtor, que, normalmente, não tem acesso a esse tipo de informação.

Ela destacou que os extensionistas têm o papel de auxiliar aqueles produtores que não possuem condições financeiras para pagar por uma assistência técnica. E que nesse sentido, eventos como esse abordam tratativas "que a gente vive no campo". "Os técnicos conseguem ter muito conhecimento através desses eventos, para estar levando aos produtores", reforçou.

Técnica extensionista da Empaer-MT, Pâmela Rubio. Foto: Fernanda Fidelis/REM M

PALESTRA

O Dia de Campo também contou com a palestra "A Importância da Diversidade de Plantas na Agricultura Tropical e seus Conceitos", proferida por José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP/Fazenda Capuaba).

Na oportunidade, ele falou sobre a importância do produtor proteger o solo durante o ano inteiro. "A proteção constante do solo não é jogar só uma palhazinha. É proteger o solo durante 360 dias. Ou com uma cultura em desenvolvimento (espécies forrageiras) ou com uma massa orgânica. Isso é fundamental", ressaltou aos presentes na Vitrine Tecnológica.

Palestrante José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

4º ENCONTRO

Além do Dia de Campo, os técnicos e produtores participaram da 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, realizada entre os dias 11, 12 e 13 de maio, no Centro de Eventos Savoine, também em Juara.

Na oportunidade, eles puderam tirar dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. Palestraram no evento algumas das principais referências no setor, a exemplo do pesquisador e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, Rattan Lal. Aos produtores presentes, ele falou sobre o uso correto da terra/solo e sobre como isso pode ajudar nos problemas globais. A conversa foi realizada por meio de uma vídeo-palestra. 

Evento do 4º Encontro Técnico de Atualização que antecedeu o Dia de Campo, na Fazenda
Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Tanto o 4º Encontro Técnico de Atualização, como o Dia de Campo - 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola -, foram realizados pelo AgriScience, em parceira com o REM MT, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis
Edição: Mariana Vianna

Pesquisadores Mato-grossenses divulgaram em universidades dos Estados Unidos (EUA) os primeiros resultados de uma pesquisa que propõe tornar a produção de commodities mais sustentável em Mato Grosso. Trata-se do projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto”, desenvolvido pelo programa de pesquisa AgriSciences, que usa um software que simula qual tipo de planta é mais adaptável ao ambiente. A iniciativa é financiada pelo Programa REM Mato Grosso (do português, REDD para Pioneiros).

Estiveram à frente da viagem aos EUA, o doutor Wininton Mendes, da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT) e o professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e coordenador do Programa AgriSciences, Daniel de Abreu. Os dois tiveram agendas importantes em Washington (DC), com diretores do Banco Mundial e um representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A primeira parada da viagem foi no Campo Experimental da Universidade de Minnesota. Na oportunidade, Daniel e Winiton promoveram uma palestra aos pesquisadores norte-americanos sobre a modelagem computacional que está sendo feita na fazenda Santa Sofia, no município de Juara, Noroeste de Mato Grosso (bioma amazônico). Por lá, a tecnologia é utilizada para fazer experimentos com sementes híbridas de soja, milho e arroz e integrar essas culturas à produção pecuária.

Wininton detalha que a modelagem computacional permite simular quais sementes se adaptam melhor ao clima e o solo de uma determinada região. Nesse sentido, os trabalhos conduzidos na região Noroeste de Mato Grosso têm mostrado resultados promissores.

“A qualidade do solo na produtividade das culturas em sistemas de integração envolvendo soja-milho e produção de forragem é uma delas”, salienta o pesquisador. 

 

Pesquisadores da Empaer e da UFMT com a equipe da Universidade de Minnesota. Crédito: Empaer

 

Tanto Wininton quanto Daniel reforçaram durante a palestra a necessidade de mais investimentos em pesquisa, transferência de tecnologia e extensão rural neste tema, sobretudo em Juara, por ser uma região de expansão da agricultura em área de pecuária e com bastante demanda por informações técnico-científicas, que visam o uso eficiente de insumos e recursos para garantir maior produtividade das áreas de forma mais sustentável.

Após a apresentação da palestra, os pesquisadores visitaram uma propriedade rural, onde puderam entender os desafios enfrentados pelos produtores da região de Minnesota na atividade de produção agrícola e pecuária.

Durante a viagem, os pesquisadores mato-grossenses passaram por pelo menos cinco estados diferentes, onde visitaram centros de pesquisas e fazendas-modelo em produção sustentável, além de terem dialogado com pesquisadores e professores do ramo. Os estados visitados foram:  Wisconsin, Ohio, Georgia, Mississippi e Flórida.

BANCO MUNDIAL E INTERAMERICANO

Já com relação às reuniões com representantes do Banco Mundial e Interamericano de Desenvolvimento, o professor Daniel de Abreu destacou que o principal objetivo foi mostrar como Mato Grosso tem trabalhado em prol do desenvolvimento sustentável,“especificamente, na intensificação do setor agropecuário”.

 

“Para Mato Grosso, está sendo imposto esse grande desafio, que é a produção de conhecimento para que possamos fomentar, de forma organizada, a tecnologia, a inovação e, principalmente, inclusão social. Todos esses conceitos devem estar alinhados dentro de um modelo de desenvolvimento sustentável. São ações que almejamos, não apenas para a nossa região [Juara], mas também para as outras que circundam o nosso estado”, avaliou o coordenador da AgriSciences.


AGRISCIENCES


O projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto” faz parte da chamada 08/2020, do Eixo Inovação em Cadeias de Commodities, do Subprograma PIMS do REM MT. O projeto também conta com a parceria de instituições internacionais como as universidades de Minnesta e Ohio, nos Estados Unidos. Essas universidades ajudam na condução das ações e desenvolvimento de atividades do AgriSciences. 

“Esse projeto é um bom exemplo do que a gente quer nesse eixo de Inovação do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT, que é justamente disseminar tecnologia capaz de melhorar a eficiência do produtor, reduzir a pressão por desmatamento, otimizar o uso de insumos e reduzir de emissões de gases que agravam o efeito estufa”, comemora Fernando Sampaio, coordenador-adjunto do REM MT.


Fazenda Santa Sofia, em Juara, onde ocorrem os experimentos de integração lavoura-pecuária através da modelagem computacional. Crédito: AgriSciences


Quem também ressalta a importância do trabalho é a coordenadora do PIMS, Daniela Melo. Ela explica que o “projeto auxiliará na divulgação de tecnologias inovadoras para os produtores, sendo estas consonantes com a realidade da região”.

Ao todo, o REM MT investe R$ 999.594,60 no projeto do AgriSciences, que tem como proponente a Fundação de Apoio e Desenvolvimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - Fundação Uniselva.

 

Por Márcio Camilo

 
No próximo dia 27 de maio será realizado o workshop "Integração Lavoura e Pecuária". O evento será realizado na Fazenda Santana, em Sorriso, Médio Norte de Mato Grosso, e terá o objetivo de apresentar os principais resultados do  projeto "Tecnologias inovadoras do Sistema Plantio Direto (SPD) e da Integração Lavoura- Pecuária (ILP) para o desenvolvimento sustentável da agropecuária mato-grossense". O projeto é financiado pelo Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros). 

 

O engenheiro agrônomo e coordenador técnico do projeto, Flávio Jesus Wruck,  detalha que o workshop vai começar às 8h e será um dia de campo, onde os participantes irão conhecer os experimentos na Fazenda Santana, que é referência em produção de soja responsável na região. No local, o REM MT apoia dois experimentos. O primeiro trata-se de um Sistema de Plantio Direto (SPD) envolvendo a soja e o segundo é um processo de Integração Lavoura-Pecuária. 

"No plantio direto, nós estamos testando quais são os melhores consórcios forrageiros [plantas] depois da soja. O objetivo deste ensaio é aperfeiçoar os atributos do solo nos aspectos físicos, químicos e microbiológicos, que irão resultar numa melhor retenção de água, na porosidade e na ciclagem de nutrientes do solo. Ainda que preliminares, já temos resultados positivos, para o primeiro ano de projeto", destaca Flávio, que também é pesquisador e chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Ele destaca que o workshop já é  tradição na região, sendo realizado a cada dois anos, pelo Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso). 

“Sua importância reside no fato de transmitir essas tecnologias aos produtores, tanto para aqueles que já fazem a integração [Lavoura-Pecuária], com objetivo de aprimorá-la, quanto para aqueles que querem iniciar o processo em suas fazendas. Às vezes, o produtor quer diversificar, plantando soja e milho, por exemplo, mas o solo é muito arenoso. Então, a melhor opção para ele é a integração com a pecuária. O workshop traz esse tipo de informação”, detalha Flávio. 

 

 

O PROJETO

Os resultados, que serão mostrados no dia de campo, são parte do projeto "Tecnologias inovadoras do Sistema Plantio Direto (SPD) e da Integração Lavoura- Pecuária (ILP) para o desenvolvimento sustentável da agropecuária mato-grossense". A iniciativa, desenvolvida pela Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (FAPED), está inserida no Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do REM MT. Os investimentos estão na ordem de R$ 998,6 mil.

 

O objetivo do projeto, de acordo com Flávio é: "motivar e transferir tecnologias e conhecimentos diretamente aos pequenos e médios produtores rurais em tecnologias inovadoras que conciliam conservação ambiental, produção agropecuária sustentável e rentabilidade econômica nas cadeias produtivas da soja e da pecuária".

 

REGIÃO ESTRATÉGICA

O projeto ocorre numa região estratégica do Estado, onde está concentrado o maior número de produtores de soja em Mato Grosso. Para se ter uma ideia, o Médio Norte conta com uma área de 3,1 milhões de hectares de plantio de soja, de acordo com o último relatório sobre o assunto, publicado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA).

 

Flavio frisa que, apesar de tecnologias, como o Plantio Direto e a Integração Lavoura-Pecuária serem estudadas há algumas décadas pela ciência, elas ainda são novidades para os produtores da região.

"Tratam-se das melhores opções estratégicas de uso intensivo e sustentável do solo, verticalizando a produção agropecuária na propriedade rural, proporcionando renda suficiente para o proprietário e seus sucessores e, ainda, respeitando o meio ambiente", afirma o pesquisador. 

 

INSCRIÇÕES

O dia de campo (workshop) na Fazenda Santana é aberto a todos ligados ao setor: sejam produtores, consultores, estudantes, pesquisadores ou extensionistas rurais.
Para participar do evento, os interessados devem se inscrever pelo site www.catsorriso.com.br.

Plante, que o governo garante”. Essa era a ordem vigente no final dos anos 1980, quando o casal de pecuaristas Dal Piaz chegou em terras mato-grossenses. “Não existia esse negócio de meio ambiente. Então, nós entramos fazendo o que os outros já faziam”, recorda o produtor rural, Valocir Nasareno Dalpiaz, de 61 anos, sobre o processo de desmatamento provocado pela pecuária extensiva no município de Juara, região Noroeste de Mato Grosso, no bioma amazônico.


Valocir Dalpiaz - Produtora rural  (Crédito: REM MT)

Assim como tantas outras famílias da região Sul do país, o casal, que veio da cidade de Foz do Iguaçu, foi incentivado pelas políticas públicas de ocupação do Centro Oeste, que tiveram início na década de 1970, durante a ditadura militar.  

“Mas, o tempo foi passando, e com ele vieram as leis ambientais, que começaram a apertar o produtor. E o Governo Federal, que na época incentivou a abertura dos pastos, já não era mais tão ‘amigo’ assim. A gente plantava e ele já não garantia mais nada. Nos largaram. Não havia mais incentivo”, comenta a produtora rural, Mirian Terezinha Dalpiaz


Mirian Terezinha Dalpiaz - Produtora rural (Crédito: REM MT)

Passados mais de 30 anos da chegada no Estado, o casal agora tenta reescrever sua história em terras mato-grossenses, a partir de uma pecuária de corte mais sustentável, que promova a restauração da floresta nativa, principalmente nas Áreas de Preservação Permanente (APP) da propriedade (beiras de rios e de córregos). Para isso, eles contam com o apoio sistemático do Programa REM MT e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Tanto é que a Fazenda Vale dos Arinos, propriedade do casal, foi uma das 8 propriedades selecionadas pelo Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT, e pela EMPAER-MT para se tornar uma Unidade de Referência Técnica (URT). As URTs recebem apoio financeiro e técnico para pôr em prática o manejo sustentável e a restauração ecológica. A ideia é aplicar tecnologias de restauração ecológica no local, para que elas sirvam de exemplo para os demais pecuaristas de pequeno e médio porte da região, que passam por problemas semelhantes de regularização ambiental.



Área onde está sendo feita a restauração ecológica na Fazenda Vale dos Arinos (Crédito: REM MT)

Restauração Ecológica (MUVUCA)

Uma dessas tecnologias para refazer a floresta é a semeadura direta por meio do  processo de “Muvuca”. A técnica foi ensinada aos extensionistas da Empaer da região, durante a capacitação de restauração ecológica de vegetação nativa no Estado de Mato Grosso, promovida no final do mês passado, pela Agroicone, organização socioambiental contratada pelo Programa REM MT.


Diego Ottonelli e Laura Antoniazzi, pesquisadores ambientais da Agroicone, (abaixados de camisetas verde e roxa, respectivamente), capacitando os técnicos da EMPAER e os produtores locais sobre a técnica da semeadura direta, por meio do processo de “Muvuca” (Crédito: REM MT).

 

Na Muvuca, ocorre a mistura de sementes nativas, de diferentes espécies, cores e tamanhos, que são semeadas ao mesmo tempo. O objetivo é  fazer o plantio de uma vez só, assim como ocorre na floresta. Os técnicos puderam ver a Muvuca acontecendo na prática na fazenda dos Dalpiaz, que começa a ter a sua APP restaurada pelo projeto. 


63 tipos de sementes nativas utilizadas na Muvuca (Crédito: REM MT)

“São 63 espécies misturadas: nativas, florestais, espécies agrícolas como o feijão de porco e o feijão guandu, que servem para adubação verde; e algumas frutíferas também, para atrair a fauna e ajudar na restauração ecológica. Essas espécies irão crescer juntas. Mas, com o passar do tempo, cada uma ocupará o seu devido espaço na floresta”, destaca Diego Antonio Ottonelli de Bona, técnico ambiental da Agroicone.


Sementes nativas misturadas (Crédito: REM MT)

Técnicos da Empaer 

Laura Antoniazzi, pesquisadora sênior da Agroicone, ressalta que com a capacitação os técnicos da Empaer têm condições de apoiar os produtores na restauração ecológica, e consequentemente, na regularização ambiental. 

“É muito importante ter florestas nas beiras dos rios e dos córregos, para que a água seja protegida, seja de qualidade. Para que possamos ter mais fluxos de água em volta das nascentes. Então, a restauração ecológica é benéfica para o produtor rural inclusive”, enfatiza Laura. 


Equipe do REM MT, EMPAER Juara, Agroicone, Gopa e produtores locais fazendo o plantio das sementes na área de restauração ecológica.  (Crédito: REM MT)

Após a capacitação, Mayra Costa, extensionista Rural da Empaer em Juara, afirma que se sente bem mais segura para orientar os produtores quanto à restauração ecológica. Formada em agronomia, ela destaca que a técnica de Muvuca, assim como outros procedimentos de restauração, ensinados durante o curso, só agregam em seu trabalho junto aos produtores. 

“É a primeira vez que eu estou trabalhando, como profissional da Empaer, com a restauração florestal pela semeadura direta. É um privilégio ver um trabalho tão legal, que talvez, se não fosse essa parceria com o REM MT e a Agroicone, a gente não conseguiria fazer com a qualidade que está sendo feito”, destaca Mayra. 


Mayra Costa, extensionista Rural da Empaer-MT de Juara, fazendo a Muvuca (Crédito: REM MT).

Investimentos

A extensionista destaca ainda que os recursos do REM MT foram fundamentais para o desenvolvimento do projeto de restauração na URT dos Dalpiaz. 

“Na parte da restauração ecológica, além da semeadura direta das espécies nativas, também foram adquiridos materiais para instalar a cerca elétrica que vai isolar a APP. A cerca vai funcionar com energia da placa solar que também foi adquirida com recursos do programa. Já na parte produtiva, está sendo feita a recuperação de áreas de pastagens degradadas através do sistema de cultivo de milho consorciado com capim. A área cultivada com esse sistema é de aproximadamente 60 hectares. Por fim, está sendo feito o acompanhamento técnico no cultivo do BRS Capiaçu, tanto para a finalidade de ensilagem quanto para oferta "in natura" ao gado, visando complementar a alimentação dos animais nos períodos mais críticos de seca.”, explica Mayra.

Eixo Pecuária Sustentável

Para Huan Fernandez, extensionista rural da Empaer de Comodoro, a capacitação fortalece ainda mais os diagnósticos que ele tem feito em outras 63 propriedades do projeto. Os diagnósticos costumam ocorrer nas primeiras visitas realizadas pelos técnicos, quando eles traçam o perfil da propriedade nos aspectos social, econômico e ambiental. 

 

Ele conta que os diagnósticos mais detalhados só estão sendo possíveis a partir dos insumos do REM MT, “que nos deu pernas para fazer esse trabalho”. E explica que o Programa possibilitou maior mobilidade, principalmente com a aquisição de veículos.

“Em muitos locais, você tem que percorrer 50 km para chegar às propriedades, em estradas que não são boas. Então, todo esse apoio faz com que a gente esteja mais próximo dos produtores, e o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater) de fato aconteça”, reforça Huan.


Huan Fernandez, extensionista rural da Empaer de Comodoro (Crédito: REM MT).

Consultoria internacional

Para Magaly Medeiros, consultora nacional da GOPA, foi interessante perceber os proprietários querendo fazer a recuperação ambiental de suas áreas.

“Eles estão fazendo todos os processos, passo a passo. Primeiro, a adubação do solo. Depois, o plantio das espécies nativas. Isso demonstra que eles estão realmente querendo recuperar a área degradada e, em breve, serão referência para que seus vizinhos também iniciem o processo de recuperação de suas áreas”, avalia Magaly.

Magaly Medeiros, consultora nacional da GOPA (Crédito: REM MT).

Subprograma PIMS

Na região Noroeste, o projeto do REM MT, por meio do Subprograma PIMS,  é coordenado pela Empaer-MT, e, ao todo, apoia 1.423 propriedades (no sistema de ATER), duas análises gratuitas de solo, por propriedade. Somente no âmbito da restauração ecológica, incluindo diagnóstico e implantação, foram investidos cerca de R$ 395 mil reais.  Além disso, as URTs, oito ao todo, receberam um investimento de R$ 480 mil (R$ 60 mil por URT) em insumos.

 

Para Daniela Melo, coordenadora do subprograma PIM, “em relação à restauração ecológica, ainda há o investimento em capacitação teórica e prática para os técnicos da EMPAER e também a produção de vídeos para o incentivo à restauração e à técnica de semeadura direta (Muvuca)”.


Daniela Melo (à direita) e Magaly Medeiros (à esquerda) durante a visita de monitoramento do programa PIMS (Crédito: REM MT)



Por Marcio Camilo - REM MT

 

 

Produzir commodities de modo sustentável. Essa é a mentalidade que começa a surgir entre os pecuaristas de pequeno e médio porte da região Noroeste de Mato Grosso, a partir de um projeto desenvolvido pelo Programa REM MT, através do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT). O objetivo do projeto é demonstrar para pequenos e médios produtores de commodities formas alternativas de aumentar a produção e ainda garantir o manejo sustentável. 

Para isso, 8 propriedades rurais foram selecionadas para ser tornar Unidades de Referência Técnica (URTs) - obtendo apoio técnico e investimentos para realizar restaurações ecológicas em suas áreas ambientais e produtivas - e 1.423 propriedades da região passaram a receber os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) gratuitamente - para aprenderem a fazer o manejo sustentável.

REFERÊNCIA 

Um dos beneficiados é o produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon, 59 anos, dono da Estância Nossa Senhora Aparecida, no município de Castanheira, a 787 km da capital Cuiabá. Sua propriedade foi selecionada pelo projeto como a URT de Juína, cidade polo da região Noroeste. A ideia é que nos próximos anos a estância seja um modelo de produção sustentável para os demais pecuaristas do entorno. 

Produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon, 59 anos, dono da Estância Nossa Senhora Aparecida. (Fonte: REM MT)


No caso de Seu Ivo e das demais URTs, o REM MT e a Empaer estão investindo na parte ambiental, com o plantio de sementes nativas para recuperar a Área de Preservação Permanente (APP) da propriedade. Já na parte produtiva está sendo feita a análise e preparo do solo, bem como o sistema de pastejo rotacionado, que consiste na divisão da área em piquetes, onde os animais alternam o pastejo em períodos fixos de ocupação e descanso, de acordo com as condições da pastagem, evitando, assim, novas frentes de desmatamento.

"Eu tô gostando muito. Com o projeto estamos fazendo a análise do solo, coisa que a gente não fazia, porque não tínhamos o acompanhamento de ninguém aqui. Eu agradeço demais esses recursos”, comemora Ivo. 

MUDANÇA DE MENTALIDADE

Para administrar a estância, Seu Ivo conta com ajuda do filho, Rodrigo Marcon, 35 anos, que tem ajudado o pai, principalmente a desenvolver uma consciência ambiental. 

Rodrigo Marcon, 35 anos, produtor.  (Fonte: REM MT)

"Sempre se produziu por aqui a pecuária de modo extensivo. Mas, agora, estamos pensando a longo prazo e na sustentabilidade da unidade de produção, a partir da aplicação de tecnologias que proporcionem a Integração Lavoura-Pecuária. Com essas ações, nós estamos aumentando a nossa produção e preservando a água e o solo”, ressalta o produtor, que deixou o trabalho de engenheiro civil na cidade para ajudar o pai no campo. 

 

(Fonte: REM MT)

‘DESBRAVAR E DESBRAVAR’

José de Macedo é outro produtor, da velha geração, que tem mudado a mentalidade em relação à abertura de novas áreas. Ele possui uma fazenda na região de Juruena, onde recebe os serviços de ATER na produção de milho e análise de solo. O trabalho já dura um ano e tem recuperado a pastagem na propriedade, que antes era toda degradada.

  

José de Macedo, produtor rural  (Fonte: REM MT)

“A mentalidade da gente era desbravar e desbravar. Nós moramos aqui desde 1981. Nosso prazer era ver o cara tacar uma motosserra na árvore e derrubar. Hoje não, tem que plantar! Às beiras de córrego [APP], a gente nunca preservou. Se a gente tivesse a mentalidade de hoje não tinha feito o que a gente fez. E a gente também foi vendo que precisava preservar, pois os córregos começavam a ficar muito arenosos e faltava água para o gado”, recorda Macedo. 

Ele também elogiou o trabalho dos técnicos da Empaer, que têm lhe ajudando nessa transição para uma pecuária mais sustentável. “O Felipe (técnico da Empaer que atua em Juruena) apoia a gente em tudo. Não tem hora… é um cara muito disponível para ajudar. Ele tem a técnica e a gente tem a prática. É uma troca de conhecimentos. Ele vem com um trabalho pra preservar a floresta, e, ao mesmo tempo, fazer com que a gente produza mais”, avalia Macedo.

NECESSIDADE DE PRESERVAR

O veterinário e produtor de gado, Vanucci Vendrami, 35 anos, também começou a sentir a necessidade de preservar, quando as nascentes de água começaram a secar na região de sua propriedade, situada em Juruena.

O veterinário e produtor de gado, Vanucci Vendrami, 35 anos. (Fonte: REM MT)

“Isso é problema, porque a gente depende de água para o gado. Então a gente começou a colocar na cabeça que era preciso recuperar as nossas APPs. Nesse processo de recuperação, o REM e a Empaer têm nos ajudado muito com a assistência técnica. Eles forneceram às sementes (para recuperar a mata nativa) e os insumos para fazermos a dessecagem do capim”, destaca Vendrami. 

Assim como Seu Ivo, ele está inserido nos projetos do REM MT na região, por meio dos serviços de ATER, oferecidos pelo extensionistas da Empaer. Em sua propriedade, o trabalho de ATER pretende aumentar sua produção bovina de uma para quatro cabeças por hectare. Isso, sem a necessidade de abrir novas áreas, protegendo, principalmente as APPs.

 

PAPEL DA EMPAER

Para, José Aparecido dos Santos, coordenador regional da Empaer em Juína, esse é o papel do extensionista rural: “de mostrar ao produtor que ele consegue extrair mais de uma área que já está degradada, ao invés de abrir novas áreas, e proteger as nascentes e as beiras de córregos. Com o trabalho de Ater a gente consegue conciliar tanto a parte ecológica quanto a parte produtiva da propriedade”, reforça. 

José Aparecido dos Santos, coordenador regional da Empaer em Juína. (Fonte: REM MT)

PIMS

As propriedades de Ivo, Macedo e Vendramin estão inseridas no eixo Pecuária Sustentável do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT. O projeto é coordenado pela Empaer-MT, e, ao todo, apoia 1.423 propriedades (no sistema de ATER), duas análises gratuitas de solo, por propriedade; R$ 60 mil para a compra de insumos destinados às 8 URTs e projetos específicos para as mesmas.

Segundo a coordenadora do Subprograma PIMS, Daniela Melo, somente no âmbito da restauração ecológica foram investidos cerca de R$ 395 mil reais. Além disso, as URT receberam um investimento de R$ 480 mil (R$ 60 mil por URT) em insumos, que são liberados conforme o desenvolvimento do projeto de cada URT.

“O objetivo do PIMS se concentra basicamente em três pilares: o aumento da produtividade, sem o aumento de novas áreas; a redução da área de passivos ambientais, por meio de áreas recuperadas ou em processo de recuperação; e também esse atendimento aos produtores inseridos no Programa REM”, explica Daniela.

 

Daniela Melo, coordenadora do Subprograma PIMS do REM MT, e o produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon. (Fonte: REM-MT)

 

Por Marcio Camilo - REM MT 




 

 

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