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Começou, nesta quarta-feira (11.05), o evento 4º Encontro Técnico de Ataulização . Trata-se de um dos encontros mais importantes de soluções tecnológicas para a produção agropecuária da região do município de Juara (693, 9 km de Cuiabá), no bioma amazônico, região noroeste de Mato Grosso. Nos próximos três dias, estarão reunidos no Centro de Eventos Savoine, algumas das principais referências nacionais em estudos de melhoramento de pastagem para a alimentação do gado, bem como na utilização dessas áreas para produção agrícola de soja e milho, por exemplo. O objetivo é conscientizar produtores rurais e técnicos da área sobre a necessidade de uma produção mais sustentável, de baixo carbono e alinhada com as exigências do mercado internacional, que compra essas commodities de Mato Grosso. 

 


Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 
PRIMEIRO DIA

O primeiro dia contou com palestras de professores universitários, técnicos extensionistas e especialistas do setor. Os produtores tiraram várias dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. 

João Luiz, por exemplo, era um dos mais interessados em ouvir os especialistas. A curiosidade não era por menos, já que ele tem um média propriedade em que trabalha com a criação de gado para o corte, e também busca diversificar a utilização da terra, por meio da agricultura. 

"O importante para mim e para os outros produtores é saber como funcionam esses sistemas integrados: qual o tipo de forrageira [espécie de planta que serve de alimento para o gado], que vai satisfazer melhor e a questão de quando vai acontecer o lucro, depois desses investimentos. Nós, que temos propriedade, já temos um certo conhecimento. Aí com essas informações dos especialistas, isso só tem a agregar na nossa atividade", destacou.  

 

Produtor rural faz perguntas durante o evento. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

TIME DE CAPINS 

Manoel dos Santos, professor de forragicultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), proferiu a palestra "Como ter um bom pasto diferido na seca?". Ele, que estuda plantas forrageiras, pastagens e processos de conservação da forragem, fez uma analogia com o futebol para explicar a importância de diversificar os tipos de capins para o alimento do boi.

"O time de futebol, por exemplo. Você tem uma equipe. Cada integrante dessa equipe possui uma determinada habilidade. Você tem um atacante, um zagueiro, o meio de campo, o goleiro... é a mesma coisa que o pecuarista deveria fazer, montar um time de capins: um capim que brota mais rápido, quando começar a chover; outro que cresce mais no meio do período das águas... então, se ele montar esse time de capins, seu sistema vai ter uma produção de forragem de alimentos mais estável ao longo dos meses do ano", explicou o especialista.

 

 Manoel dos Santos, professor de forragicultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

Para ele, eventos como esses proporcionam muito conhecimento, para que o produtor trabalhe com mais eficiência na sua fazenda. 

"Para fazer melhorias no sistema de produção, você tem que conhecer. Esse tipo de evento proporciona a possibilidade de sair daqui com um grau maior de conhecimento. Isso é a base para que ele possa chegar em sua propriedade e começar a colocar as tecnologias que vão resultar em melhorias na sua produção", enfatizou.  

Já para Leonora Goes, mestre em Ecologia e profissional sênior do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do Programa REM Mato Grosso, o evento traz de novidade as atualizações de tecnologias na área de integração pecuária-lavoura.  

 “O enfoque é o corpo técnico que atua no dia a dia do campo, dando assistência nas propriedades e trazendo inovação para a ponta. O evento tem apresentado não só na teoria, mas também mostra na prática, através de ensaios experimentais de campo, os benefícios produtivos da integração desses sistemas de produção”, elencou. 

 


 Leonora Goes, mestre em Ecologia e profissional sênior do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS)  - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 QUEBRANDO PRECONCEITOS

Renata Taques, coordenadora de marketing do programa de pesquisa e extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (AgriSciences), destacou que a Vitrine Tecnológica serve para desmistificar alguns preconceitos em relação à produção pecuária e mostrar que sim: é possível produzir commodities de maneira mais sustentável. 

"Hoje, muitas das pessoas que vivem na cidade, tem uma visão equivocada, de que a pecuária só agride o meio ambiente. Mas, o que o AgriSciences tem em seu DNA como atuação, é uma pecuária de baixo impacto de emissão de carbono. Uma pecuária que trabalha com sistemas integrados, que são tipos de culturas que manejam melhor o solo, que, a partir disso, consegue sequestrar mais carbono e gerar mais sustentabilidade", detalhou.  

 


Renata Taques, coordenadora de marketing do programa de pesquisa e extensão AgriSciences - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

ORGANIZADORES DO EVENTO

O AgriScience é um dos organizadores do 4º Encontro Técnico de Atualizações, juntamente com a UFMT, Programa REM Mato Grosso, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

Sobre o que é o AgriSciences, Renata explica que se trata de um projeto de pesquisa e extensão  "que conecta o campo à cidade, de forma que a pesquisa e a ciência chegue até o produtor rural, com objetivo de melhorar cada vez mais a atuação da agricultura do país".

 


Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

MODELAGEM COMPUTACIONAL

Uma das pesquisas do projeto é financiada pelo REM MT, por meio do Subprograma  Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS). Trata-se da modelagem computacional, em que um software simula quais sementes de soja, milho e arroz se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região. A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção pecuária. Esse experimento ocorre na prática, na Fazenda Santa Sofia e será conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da Vitrine Tecnológica. 

"A gente coleta os dados dos experimentos, joga isso num modelo computacional e conseguimos fazer predições, para entender o quanto cada cultivo desse sistema vai ser benéfico, ou não, para a qualidade do solo, para a pegada hídrica, para ver o quanto de carbono vai ficar para o solo e o quanto que vai para atmosfera, ou seja: a gente consegue estudar a sustentabilidade a longo prazo, desses sistemas, a partir da coleta de dados desses experimentos, fazendo previsões futuras daqui há 10 ou 20 anos", explica Wininton da Silva, engenheiro agrônomo extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Winiton da Silva, extensionista da Empaer-MT. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

Segundo os especialistas, a modelagem computacional pode fornecer os arranjos corretos, garantindo o "aumento da qualidade do solo, o aumento de produtividade, sem aumento de custo de produção, e num enfoque para o produtor ter mais lucro, sem a necessidade de ter que desmatar novas áreas". 

 

PROGRAMAÇÃO INTENSA

O 4º Encontro Técnico de Atualização  segue com a programação de palestras nesta quinta (12) e sexta-feira (13). Já no sábado, ocorrerá o segundo evento, que será a 4ª Vitrine Tecnológica, onde os produtores vão presenciar na prática algumas das tecnologias que foram abordadas pelos especialistas, em especial, os experimentos de sistema integrado de lavoura-pecuária, que ocorrem na fazenda Santa Sofia, e que são apoiados pelo REM MT. 

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis / REM MT 

 

Plante, que o governo garante”. Essa era a ordem vigente no final dos anos 1980, quando o casal de pecuaristas Dal Piaz chegou em terras mato-grossenses. “Não existia esse negócio de meio ambiente. Então, nós entramos fazendo o que os outros já faziam”, recorda o produtor rural, Valocir Nasareno Dalpiaz, de 61 anos, sobre o processo de desmatamento provocado pela pecuária extensiva no município de Juara, região Noroeste de Mato Grosso, no bioma amazônico.


Valocir Dalpiaz - Produtora rural  (Crédito: REM MT)

Assim como tantas outras famílias da região Sul do país, o casal, que veio da cidade de Foz do Iguaçu, foi incentivado pelas políticas públicas de ocupação do Centro Oeste, que tiveram início na década de 1970, durante a ditadura militar.  

“Mas, o tempo foi passando, e com ele vieram as leis ambientais, que começaram a apertar o produtor. E o Governo Federal, que na época incentivou a abertura dos pastos, já não era mais tão ‘amigo’ assim. A gente plantava e ele já não garantia mais nada. Nos largaram. Não havia mais incentivo”, comenta a produtora rural, Mirian Terezinha Dalpiaz


Mirian Terezinha Dalpiaz - Produtora rural (Crédito: REM MT)

Passados mais de 30 anos da chegada no Estado, o casal agora tenta reescrever sua história em terras mato-grossenses, a partir de uma pecuária de corte mais sustentável, que promova a restauração da floresta nativa, principalmente nas Áreas de Preservação Permanente (APP) da propriedade (beiras de rios e de córregos). Para isso, eles contam com o apoio sistemático do Programa REM MT e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Tanto é que a Fazenda Vale dos Arinos, propriedade do casal, foi uma das 8 propriedades selecionadas pelo Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT, e pela EMPAER-MT para se tornar uma Unidade de Referência Técnica (URT). As URTs recebem apoio financeiro e técnico para pôr em prática o manejo sustentável e a restauração ecológica. A ideia é aplicar tecnologias de restauração ecológica no local, para que elas sirvam de exemplo para os demais pecuaristas de pequeno e médio porte da região, que passam por problemas semelhantes de regularização ambiental.



Área onde está sendo feita a restauração ecológica na Fazenda Vale dos Arinos (Crédito: REM MT)

Restauração Ecológica (MUVUCA)

Uma dessas tecnologias para refazer a floresta é a semeadura direta por meio do  processo de “Muvuca”. A técnica foi ensinada aos extensionistas da Empaer da região, durante a capacitação de restauração ecológica de vegetação nativa no Estado de Mato Grosso, promovida no final do mês passado, pela Agroicone, organização socioambiental contratada pelo Programa REM MT.


Diego Ottonelli e Laura Antoniazzi, pesquisadores ambientais da Agroicone, (abaixados de camisetas verde e roxa, respectivamente), capacitando os técnicos da EMPAER e os produtores locais sobre a técnica da semeadura direta, por meio do processo de “Muvuca” (Crédito: REM MT).

 

Na Muvuca, ocorre a mistura de sementes nativas, de diferentes espécies, cores e tamanhos, que são semeadas ao mesmo tempo. O objetivo é  fazer o plantio de uma vez só, assim como ocorre na floresta. Os técnicos puderam ver a Muvuca acontecendo na prática na fazenda dos Dalpiaz, que começa a ter a sua APP restaurada pelo projeto. 


63 tipos de sementes nativas utilizadas na Muvuca (Crédito: REM MT)

“São 63 espécies misturadas: nativas, florestais, espécies agrícolas como o feijão de porco e o feijão guandu, que servem para adubação verde; e algumas frutíferas também, para atrair a fauna e ajudar na restauração ecológica. Essas espécies irão crescer juntas. Mas, com o passar do tempo, cada uma ocupará o seu devido espaço na floresta”, destaca Diego Antonio Ottonelli de Bona, técnico ambiental da Agroicone.


Sementes nativas misturadas (Crédito: REM MT)

Técnicos da Empaer 

Laura Antoniazzi, pesquisadora sênior da Agroicone, ressalta que com a capacitação os técnicos da Empaer têm condições de apoiar os produtores na restauração ecológica, e consequentemente, na regularização ambiental. 

“É muito importante ter florestas nas beiras dos rios e dos córregos, para que a água seja protegida, seja de qualidade. Para que possamos ter mais fluxos de água em volta das nascentes. Então, a restauração ecológica é benéfica para o produtor rural inclusive”, enfatiza Laura. 


Equipe do REM MT, EMPAER Juara, Agroicone, Gopa e produtores locais fazendo o plantio das sementes na área de restauração ecológica.  (Crédito: REM MT)

Após a capacitação, Mayra Costa, extensionista Rural da Empaer em Juara, afirma que se sente bem mais segura para orientar os produtores quanto à restauração ecológica. Formada em agronomia, ela destaca que a técnica de Muvuca, assim como outros procedimentos de restauração, ensinados durante o curso, só agregam em seu trabalho junto aos produtores. 

“É a primeira vez que eu estou trabalhando, como profissional da Empaer, com a restauração florestal pela semeadura direta. É um privilégio ver um trabalho tão legal, que talvez, se não fosse essa parceria com o REM MT e a Agroicone, a gente não conseguiria fazer com a qualidade que está sendo feito”, destaca Mayra. 


Mayra Costa, extensionista Rural da Empaer-MT de Juara, fazendo a Muvuca (Crédito: REM MT).

Investimentos

A extensionista destaca ainda que os recursos do REM MT foram fundamentais para o desenvolvimento do projeto de restauração na URT dos Dalpiaz. 

“Na parte da restauração ecológica, além da semeadura direta das espécies nativas, também foram adquiridos materiais para instalar a cerca elétrica que vai isolar a APP. A cerca vai funcionar com energia da placa solar que também foi adquirida com recursos do programa. Já na parte produtiva, está sendo feita a recuperação de áreas de pastagens degradadas através do sistema de cultivo de milho consorciado com capim. A área cultivada com esse sistema é de aproximadamente 60 hectares. Por fim, está sendo feito o acompanhamento técnico no cultivo do BRS Capiaçu, tanto para a finalidade de ensilagem quanto para oferta "in natura" ao gado, visando complementar a alimentação dos animais nos períodos mais críticos de seca.”, explica Mayra.

Eixo Pecuária Sustentável

Para Huan Fernandez, extensionista rural da Empaer de Comodoro, a capacitação fortalece ainda mais os diagnósticos que ele tem feito em outras 63 propriedades do projeto. Os diagnósticos costumam ocorrer nas primeiras visitas realizadas pelos técnicos, quando eles traçam o perfil da propriedade nos aspectos social, econômico e ambiental. 

 

Ele conta que os diagnósticos mais detalhados só estão sendo possíveis a partir dos insumos do REM MT, “que nos deu pernas para fazer esse trabalho”. E explica que o Programa possibilitou maior mobilidade, principalmente com a aquisição de veículos.

“Em muitos locais, você tem que percorrer 50 km para chegar às propriedades, em estradas que não são boas. Então, todo esse apoio faz com que a gente esteja mais próximo dos produtores, e o serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater) de fato aconteça”, reforça Huan.


Huan Fernandez, extensionista rural da Empaer de Comodoro (Crédito: REM MT).

Consultoria internacional

Para Magaly Medeiros, consultora nacional da GOPA, foi interessante perceber os proprietários querendo fazer a recuperação ambiental de suas áreas.

“Eles estão fazendo todos os processos, passo a passo. Primeiro, a adubação do solo. Depois, o plantio das espécies nativas. Isso demonstra que eles estão realmente querendo recuperar a área degradada e, em breve, serão referência para que seus vizinhos também iniciem o processo de recuperação de suas áreas”, avalia Magaly.

Magaly Medeiros, consultora nacional da GOPA (Crédito: REM MT).

Subprograma PIMS

Na região Noroeste, o projeto do REM MT, por meio do Subprograma PIMS,  é coordenado pela Empaer-MT, e, ao todo, apoia 1.423 propriedades (no sistema de ATER), duas análises gratuitas de solo, por propriedade. Somente no âmbito da restauração ecológica, incluindo diagnóstico e implantação, foram investidos cerca de R$ 395 mil reais.  Além disso, as URTs, oito ao todo, receberam um investimento de R$ 480 mil (R$ 60 mil por URT) em insumos.

 

Para Daniela Melo, coordenadora do subprograma PIM, “em relação à restauração ecológica, ainda há o investimento em capacitação teórica e prática para os técnicos da EMPAER e também a produção de vídeos para o incentivo à restauração e à técnica de semeadura direta (Muvuca)”.


Daniela Melo (à direita) e Magaly Medeiros (à esquerda) durante a visita de monitoramento do programa PIMS (Crédito: REM MT)



Por Marcio Camilo - REM MT

 

 

Produzir commodities de modo sustentável. Essa é a mentalidade que começa a surgir entre os pecuaristas de pequeno e médio porte da região Noroeste de Mato Grosso, a partir de um projeto desenvolvido pelo Programa REM MT, através do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT). O objetivo do projeto é demonstrar para pequenos e médios produtores de commodities formas alternativas de aumentar a produção e ainda garantir o manejo sustentável. 

Para isso, 8 propriedades rurais foram selecionadas para ser tornar Unidades de Referência Técnica (URTs) - obtendo apoio técnico e investimentos para realizar restaurações ecológicas em suas áreas ambientais e produtivas - e 1.423 propriedades da região passaram a receber os serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) gratuitamente - para aprenderem a fazer o manejo sustentável.

REFERÊNCIA 

Um dos beneficiados é o produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon, 59 anos, dono da Estância Nossa Senhora Aparecida, no município de Castanheira, a 787 km da capital Cuiabá. Sua propriedade foi selecionada pelo projeto como a URT de Juína, cidade polo da região Noroeste. A ideia é que nos próximos anos a estância seja um modelo de produção sustentável para os demais pecuaristas do entorno. 

Produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon, 59 anos, dono da Estância Nossa Senhora Aparecida. (Fonte: REM MT)


No caso de Seu Ivo e das demais URTs, o REM MT e a Empaer estão investindo na parte ambiental, com o plantio de sementes nativas para recuperar a Área de Preservação Permanente (APP) da propriedade. Já na parte produtiva está sendo feita a análise e preparo do solo, bem como o sistema de pastejo rotacionado, que consiste na divisão da área em piquetes, onde os animais alternam o pastejo em períodos fixos de ocupação e descanso, de acordo com as condições da pastagem, evitando, assim, novas frentes de desmatamento.

"Eu tô gostando muito. Com o projeto estamos fazendo a análise do solo, coisa que a gente não fazia, porque não tínhamos o acompanhamento de ninguém aqui. Eu agradeço demais esses recursos”, comemora Ivo. 

MUDANÇA DE MENTALIDADE

Para administrar a estância, Seu Ivo conta com ajuda do filho, Rodrigo Marcon, 35 anos, que tem ajudado o pai, principalmente a desenvolver uma consciência ambiental. 

Rodrigo Marcon, 35 anos, produtor.  (Fonte: REM MT)

"Sempre se produziu por aqui a pecuária de modo extensivo. Mas, agora, estamos pensando a longo prazo e na sustentabilidade da unidade de produção, a partir da aplicação de tecnologias que proporcionem a Integração Lavoura-Pecuária. Com essas ações, nós estamos aumentando a nossa produção e preservando a água e o solo”, ressalta o produtor, que deixou o trabalho de engenheiro civil na cidade para ajudar o pai no campo. 

 

(Fonte: REM MT)

‘DESBRAVAR E DESBRAVAR’

José de Macedo é outro produtor, da velha geração, que tem mudado a mentalidade em relação à abertura de novas áreas. Ele possui uma fazenda na região de Juruena, onde recebe os serviços de ATER na produção de milho e análise de solo. O trabalho já dura um ano e tem recuperado a pastagem na propriedade, que antes era toda degradada.

  

José de Macedo, produtor rural  (Fonte: REM MT)

“A mentalidade da gente era desbravar e desbravar. Nós moramos aqui desde 1981. Nosso prazer era ver o cara tacar uma motosserra na árvore e derrubar. Hoje não, tem que plantar! Às beiras de córrego [APP], a gente nunca preservou. Se a gente tivesse a mentalidade de hoje não tinha feito o que a gente fez. E a gente também foi vendo que precisava preservar, pois os córregos começavam a ficar muito arenosos e faltava água para o gado”, recorda Macedo. 

Ele também elogiou o trabalho dos técnicos da Empaer, que têm lhe ajudando nessa transição para uma pecuária mais sustentável. “O Felipe (técnico da Empaer que atua em Juruena) apoia a gente em tudo. Não tem hora… é um cara muito disponível para ajudar. Ele tem a técnica e a gente tem a prática. É uma troca de conhecimentos. Ele vem com um trabalho pra preservar a floresta, e, ao mesmo tempo, fazer com que a gente produza mais”, avalia Macedo.

NECESSIDADE DE PRESERVAR

O veterinário e produtor de gado, Vanucci Vendrami, 35 anos, também começou a sentir a necessidade de preservar, quando as nascentes de água começaram a secar na região de sua propriedade, situada em Juruena.

O veterinário e produtor de gado, Vanucci Vendrami, 35 anos. (Fonte: REM MT)

“Isso é problema, porque a gente depende de água para o gado. Então a gente começou a colocar na cabeça que era preciso recuperar as nossas APPs. Nesse processo de recuperação, o REM e a Empaer têm nos ajudado muito com a assistência técnica. Eles forneceram às sementes (para recuperar a mata nativa) e os insumos para fazermos a dessecagem do capim”, destaca Vendrami. 

Assim como Seu Ivo, ele está inserido nos projetos do REM MT na região, por meio dos serviços de ATER, oferecidos pelo extensionistas da Empaer. Em sua propriedade, o trabalho de ATER pretende aumentar sua produção bovina de uma para quatro cabeças por hectare. Isso, sem a necessidade de abrir novas áreas, protegendo, principalmente as APPs.

 

PAPEL DA EMPAER

Para, José Aparecido dos Santos, coordenador regional da Empaer em Juína, esse é o papel do extensionista rural: “de mostrar ao produtor que ele consegue extrair mais de uma área que já está degradada, ao invés de abrir novas áreas, e proteger as nascentes e as beiras de córregos. Com o trabalho de Ater a gente consegue conciliar tanto a parte ecológica quanto a parte produtiva da propriedade”, reforça. 

José Aparecido dos Santos, coordenador regional da Empaer em Juína. (Fonte: REM MT)

PIMS

As propriedades de Ivo, Macedo e Vendramin estão inseridas no eixo Pecuária Sustentável do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT. O projeto é coordenado pela Empaer-MT, e, ao todo, apoia 1.423 propriedades (no sistema de ATER), duas análises gratuitas de solo, por propriedade; R$ 60 mil para a compra de insumos destinados às 8 URTs e projetos específicos para as mesmas.

Segundo a coordenadora do Subprograma PIMS, Daniela Melo, somente no âmbito da restauração ecológica foram investidos cerca de R$ 395 mil reais. Além disso, as URT receberam um investimento de R$ 480 mil (R$ 60 mil por URT) em insumos, que são liberados conforme o desenvolvimento do projeto de cada URT.

“O objetivo do PIMS se concentra basicamente em três pilares: o aumento da produtividade, sem o aumento de novas áreas; a redução da área de passivos ambientais, por meio de áreas recuperadas ou em processo de recuperação; e também esse atendimento aos produtores inseridos no Programa REM”, explica Daniela.

 

Daniela Melo, coordenadora do Subprograma PIMS do REM MT, e o produtor de gado de corte, Ivo Alberi Marcon. (Fonte: REM-MT)

 

Por Marcio Camilo - REM MT 




 

 

Programa de “Reinserção e Monitoramento” dos pecuaristas é desenvolvido pelo IMAC (Instituto Mato-grossense da Carne) com financiamento do Programa REM Mato Grosso

Marcio Camilo
Comunicação REM MT/SEMA-MT


Legalizar 500 pecuaristas e recuperar mais 20 mil hectares de áreas degradadas. Essas são as metas do “Programa de Reinserção e Monitoramento”, do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), no projeto apresentado ao Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros).

O Programa de Reinserção, com previsão de início a partir da segunda quinzena de julho, envolverá produtores de oito municípios da região noroeste do estado: Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juína, Juruena e Nova Bandeirantes.

Espera-se com a iniciativa que áreas que foram desmatadas ilegalmente dentro das propriedades pecuárias sejam reparadas. O Programa de Reinserção é de participação voluntária pelo pecuarista e consiste em identificar o dano ambiental e monitorar sua regeneração.

“Como resultado, a implantação do Programa de Reinserção e Monitoramento visa garantir que o dano ambiental está sendo reparado (com um monitoramento constante), permitindo que o pecuarista retome sua atividade de comercialização de animais com a indústria frigorífica, oferecendo ao mercado formal animais de procedência garantida, enquanto o processo de adequação ambiental está ocorrendo pelo Programa do Imac”, destaca Caio Penido, presidente do instituto.



O programa está inserido no Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do REM MT. A expectativa é de que traga “melhorias na qualidade da carne, diminuição dos riscos reputacionais do setor no estado, transparência e garantia de origem do produto”. O Programa de Reinserção é uma estratégia do Imac para buscar a recuperação de áreas degradadas em mais de 12 mil propriedades no estado de MT.

A aplicação do Programa de Reinserção está inserida no eixo “Inovação nas Cadeias de Commodities Pecuária” do PIMS/REM MT.

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).
 
Saiba mais sobre o Programa REM MT em: https://remmt.com.br/

Projeto é desenvolvido pelo ICV envolve pequenos e médios produtores de gado de corte numa região constantemente pressionada pelo desmatamento

Marcio Camilo/ REM MT

Uma pecuária mais sustentável e que dê lucro. Essa é a proposta do projeto Conect@agro, inciativa do Instituto Centro de Vida (ICV) financiada pelo Programa REM Mato Grosso.

O projeto tem mudado a mentalidade de muitos produtores do chamado “Portal da Amazônia”, região norte de Mato Grosso constantemente pressionada pelo desmatamento.

Renato Farias, diretor-executivo do ICV, explica que o foco do trabalho é na gestão das propriedades rurais de pequeno e médio porte da pecuária de corte nos aspectos econômico, social e sustentável.
No econômico e social, conforme Farias, é o produtor identificar a quantidade de cabeças de gado, os recursos que entram e que saem, bem como a utilização de EPIs [Equipamentos de Proteção] e a regularização de pagamento salarial aos funcionários da fazenda.

Já na parte sustentável estão as ações de piqueteamento de pastagem, isolamento de áreas de nascente da propriedade para a recuperação natural da vegetação degradada e o uso racional dos recursos naturais, especialmente a água.

“São ações como essas que já diferem muito, inclusive a produção de unidade animal por hectare que é fundamental nessa agenda, que visa a sustentabilidade com um bom aporte econômico”, detalha Farias.

Com a gestão das fazendas otimizadas, o objetivo é produzir com qualidade, gerar lucro, sem a necessidade de degradar novas áreas para abertura de pastos.

Do ponto de vista ambiental, essas ações resultam na preservação da mata nativa e a redução das emissões de gases do efeito estufa na Amazônia – bioma considerado fundamental para o equilíbrio climático planeta.

Conforme o ICV, o projeto, que tem duração de 24 meses, ainda irá atender 15 propriedades de médio porte, com tamanho médio de 600 hectares. “Ao total, somará mais de 9 mil hectares com melhorias técnicas na produção e na gestão da propriedade”.

O Conec@agro teve início neste ano e faz parte da Chamada de Projetos 08/2020 do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMs) do Programa REM MT. As fazendas que abarcam o projeto estão situadas nos municípios polos de Alta Floresta, Marcelândia, Nova Canãa, Colíder e Guarantã do Norte.

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).

Saiba mais sobre o Programa REM MT em: https://remmt.com.br/

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