Logo Governo MT

 

Mais de 60 projetos que vão apoiar comunidades indígenas em todo o Estado de Mato Grosso foram recepcionados em função dos dois editais do Subprograma Territórios Indígenas (SPTI), que integra o Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros). O prazo de envio dos projetos terminou nesta segunda-feira (28) e o volume de propostas foi comemorado pelo coordenador do Subprograma, Marcos Ferreira. 

 


Crédito: REM MT

“Avaliamos como muito positivo a quantidade de projetos apresentados, que foram enviados por diferentes organizações indígenas, indigenistas e socioambientais. Ao todo, foram recepcionados 62 projetos, sendo  41 nas chamadas Locais e 21 nas chamadas Estruturantes”, detalha Ferreira.

Conforme explica Ferreira, na modalidade Local, os projetos visam atender às necessidades mais imediatas das comunidades. Já na modalidade Estruturante, as iniciativas são de médio e longo prazo, buscando minimizar problemas históricos, como a falta de segurança alimentar de uma determinada comunidade, por exemplo. 

 

DISTRIBUIÇÃO DOS PROJETOS   

 Na modalidade Local, a Regional Xingu, que representa 16 povos que habitam a Terra Indígena do Xingu, ao Nordeste do Estado, foi a região que mais recebeu projetos: 16 ao todo, o que representa 39% do total apresentado. Em segundo lugar, vem a Regional Noroeste, como 14 projetos (34%), seguida da Regional 4 Xavante, com 6 projetos (14,6%).

Já na modalidade Estruturante, a Regional 4 Xavante recebeu 7 projetos (33,3%), seguida das Regionais 5 Noroeste e 6 Norte e Kaiapó, ambas com 5 projetos (23,8%). 

 

Marcos Ferreira, coordenador SPTI/REM MT

 

Umas das linhas temáticas que mais recebeu propostas foi a “Mulheres, Equidade e Gênero”: 16 ao todo, o que representa 76,2% do total de projetos apresentados na modalidade Estruturante.

Outra Linha Temática bastante contemplada foi a “Geração de Trabalho e Renda”, que recebeu 17 projetos nesse sentido, o que representa 41% do total de iniciativas voltadas para a modalidade Local. 

 

R$ 10 MILHÕES

Ao todo, as  chamadas de projetos do SPTI prevêem um investimento de R$10,1 milhões. O recurso irá financiar os projetos de fortalecimento sociocultural, sustentabilidade e meio ambiente, vigilância e monitoramento dos territórios, produção e coleta para segurança e soberania alimentar e nutricional, geração de trabalho, renda e comercialização, gestão territorial e ambiental dos territórios indígenas, infraestrutura das aldeias, mulheres, equidade de gênero e prevenção e combate a incêndios florestais.

Os recursos para apoiar os projetos são oriundos do Governo Alemão, por meio do  Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW) e pelo Governo do Reino Unido - através do Departamento Britânico para Energia e Estratégia Industrial (BEIS). Estes recursos serão geridos pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que é o gestor financeiro do Programa REM MT. 

 

Tabelas dos projetos 

Por Márcio Camilo / REM MT

  



O Programa REM Mato Grosso (do inglês REDD para Pioneiros) lança nesta sexta-feira (18.03.22) Manifestação de Interesse para edital que vai apoiar projetos de organizações produtivas, com objetivo de beneficiar agricultores familiares, comunidades tradicionais, como quilombolas, extrativistas e povos indígenas no estado. Ao todo, serão investidos R$ 23,5 milhões nos Planos de Gestão de Cadeias de Valor da Sociobiodiversidade (PGCdV), que serão construídos junto às organizações selecionadas a partir da  Manifestação de Interesse. 

Esse é o segundo edital do Subprograma Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCT) lançado pelo Programa REM MT para atender este público. Desta vez, o foco é fortalecer cadeias de valor de produtos da sociobiodiversidade: Castanha do Brasil, Babaçu, Açai, Pequi, Cumbarú, Sementes Florestais e Borracha natural.

 


Produção de Castanha do Brasil da comunidade indígena dos Zorós, apoiada pelo REM MT.  Crédito: ADERJUR

“Temos sim as cadeias prioritárias, mas isso não impede que as organizações manifestem interesse em outras culturas, como as cadeias de valor do leite, café, cacau, banana, citrus, cultivos perenes, apicultura e meliponicultura”, detalha Marcos Balbino, coordenador do Subprograma AFPCT, do REM MT.

Os Planos de Gestão das Cadeias de Valor também serão importantes para estruturar políticas de Estado, que vão ao encontro de diferentes eixos do Plano Estadual de Agricultura Familiar (PEAF), elaborado pela Secretaria de Estado de  Agricultura  Familiar (SEAF-MT). Um dos eixos do PEAF, que dialoga com a Chamada, por exemplo, é a promoção de produção sustentável, agregação de valor, comercialização, regularização de empreendimentos dos agricultores familiares. 

 

QUEM PODE PARTICIPAR

Podem participar da manifestação de interesse, organizações formalizadas ou grupo de produtores com representação comprovada junto aos beneficiários finais (agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais ou povos indígenas localizados em Mato Grosso). Balbino explica que a nova chamada será mais ampla, envolvendo  a participação de organizações menores, que ainda não estejam totalmente regularizadas. 

 

“Sabemos que no estado a maioria dessas organizações têm alguma pendência, seja jurídica, financeira ou fiscal. Isso fez com que muitas não pudessem participar da primeira chamada. Identificamos esse problema e formatamos a segunda chamada para que os pequenos também tenham possibilidade de acessar esses recursos e fortalecerem seus negócios”, detalha o coordenador do subprograma.   


Marcos Balbino, coordenador do Subprograma AFPCT, do REM MT - Crédito: REM MT

 

PRAZOS E MANIFESTAÇÕES

 Os interessados terão 30 dias para preencher o formulário eletrônico, contados a partir da abertura do edital (18 de março de 2022), e enviar a sua Manifestação de Interesse. Esse documento deve ser preenchido nos formulários de inscrições (Anexo II), através do site do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, CLIQUE AQUI. 

 

As organizações interessadas em participar da seleção deverão responder a um questionário simples, explicando com qual público irão trabalhar e qual cadeia de valor será desenvolvida, dentre outras informações sobre a cadeia de valor que estão trabalhando.

 

“Nesse questionário as organizações também irão mostrar como está a situação das comunidades, quais são os desafios, as oportunidades, o que eles querem melhorar. Mas a Manifestação de Interesse não é um projeto. Ela é o início para se construir um Plano de Gestão em seguida”, observa Balbino.  

 


Mais informações podem ser encontradas no site do Funbio - Crédito: REM MT

 

PASSO A PASSO

O coordenador destaca ainda que o “primeiro de tudo” é a organização enviar a Manifestação de Interesse. Em seguida, as manifestações serão analisadas por um comitê técnico, que levará em conta os critérios de representatividade da instituição proponente, o enquadramento técnico e o mérito da proposta em questão. 

 

Esse comitê será formado por especialistas em cadeias de valor do extrativismo, como representantes da Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária], UnB [Universidade de Brasília], UFMT [Universidade Federal de Mato Grosso], Unemat [Universidade Estadual de Mato Grosso], SEMA-MT [Secretaria de Estado de Meio Ambiente] e SEAF-MT [Secretaria de Agricultura Familiar].

 

Formulário para o envio da Manifestação de Interesse - Crédito: REM MT

 

MENTORIA 

Depois de selecionadas as manifestações, vem a etapa de planejamento junto às organizações com apoio da mentoria fornecida pelo programa REM MT. Essa fase terá a duração de 3 meses. 

 

“Um dos grandes diferenciais dessa chamada é que o REM MT fornecerá apoio por meio de consultoria gratuita, que dará todo suporte para as organizações escreverem os planos de gestão. Os consultores irão lá na comunidade promover oficinas e desenvolver toda uma metodologia para, primeiro mapear toda a cadeia que os beneficiários estão inseridos, e depois começar a construir  o Plano de Gestão de Cadeias de Valor (PGCdV) com duração de 5 anos. 

Ele ressalta que os projetos serão estruturados para terem vida própria, depois do fim do apoio do REM MT, que será nos primeiros 12 meses. “A ideia é estabelecer a implementação de médio e longo prazo para que os PGCdV’s se sustentem por pelo menos mais quatro anos, após a parceria com o REM MT. A essas alturas, as organizações poderão adquirir condições de captar novos recursos com outras entidades, por conta própria”, enfatiza. 

 

Agricultor familiar - Crédito: REM MT

RECURSOS

Os recursos para as chamadas de projetos da AFPCT vem do Governo Alemão, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW) e pelo Governo do Reino Unido, através do Departamento Britânico para Energia e Estratégia Industrial (BEIS). Os recursos são geridos pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO. 


Documento da Manifestação de interesse resumida - Crédito: REM MT


LINKS:
Manifestação de Interesse – AFPCT
Anexo I – Modelo de Plano de Gestão de Cadeia de Valor
Anexo II – Formulário de Manifestação de Interesse
Anexo III – Critérios de avaliação

Documento de apoio:
Manifestação de Interesse resumida

Dúvidas:
Dúvidas poderão ser enviadas para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

 

 

 

Crédito Foto de Capa: IAssociação ACCPAJ

Por Marcio Camilo - REM MT

 

Desde o dia 26 de janeiro, o Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) lançou editais de chamadas para organizações interessadas em inscrever projetos sociais para atender comunidades indígenas em diferentes localidades de Mato Grosso. Corre que ainda dá tempo, pois o prazo para as inscrições se encerra no próximo dia 13 de março. Mas escrever um projeto técnico que envolve uma metodologia apropriada, além de uma série de documentos formais, não é uma tarefa fácil. Pensando nisso, o REM MT preparou cinco dicas para fazer um projeto bem sucedido, e aumentar suas chances de aprovação.

Preparado? Então vamos lá…

1 - Anexo H

A primeira dica é começar a ler os editais a partir do Anexo H. E por que isso? É ali que há os critérios de avaliação que o financiador vai usar para aprovar seu projeto. Isso fará com que você fique atento para não deixar escapar nenhum critério durante a elaboração do projeto. Ao todo são quatro critérios: Capacidade Técnica e Organizacional do proponente e parceiros; Capacidade Técnica da Equipe; Embasamento Técnico e Metodológico da Proposta; e Apresentação da Proposta. Mas atenção: cada um desses critérios possuem subcritérios e o avaliador vai ter eles em mente enquanto lê sua proposta.

2 - O que é despesa e o que não é

É fundamental saber o que você pode empenhar como despesa ou não em seu projeto. Detalhes como esses podem garantir o sucesso de sua empreitada. Nesse sentido, se encaixam como despesas itens como:

- Diárias: inclui alimentação, hospedagem e deslocamento;

- Passagens: nacionais e regionais, aéreas, terrestres e fluviais;

- Bens: mobiliário, maquinário, veículos, embarcações e equipamentos;

- Serviços de terceiros: consultorias, assistência técnica (inclui extensão rural),

Atenção! NÃO entram em despesas itens como:

- Aquisição de bens imóveis;

- Pagamento de dívidas;

- Compra de armas ou munições;

- Compra de agrotóxicos e insumos agrícolas de natureza química;

- Pagamento de salários, diárias ou qualquer outra espécie de remuneração a integrantes da Administração Pública Direta ou Indireta;


Editais não permitem como despesas a compra de agrotóxicos. Crédito: Web Reprodução


3 - Anexo C - Apresentação Geral do Projeto

Busque fazer uma apresentação geral do projeto impecável! Não se esqueça de escolher as áreas de atuação e também as linhas temáticas. Se estiver com dificuldades, comece o texto do mais específico para o mais geral, deixando tópicos, como o resumo, por último.

Luizinho Xavante, um dos diretores da Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Mato Grosso. Crédito: Fernanda Fidelis/REM MT

4 - Atenção para a metodologia!

Todo projeto técnico/científico possui uma metodologia. Ela é o meio, a forma com que chegamos aonde queremos. Por isso, na hora de definir seu caminho metodológico é importante fazer os seguintes questionamentos: para atingir um objetivo do projeto são necessárias quais práticas? Pautadas em qual experiência anterior e em qual técnica? Uma dica importante para fundamentar seu projeto com um boa metodologia é pesquisar os materiais do próprio Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) e outras entidades para se basear na estrutura dos projetos. O Funbio possui guias práticos e outros materiais específicos para cada linha temática que podem ampliar sua visão.

Indígenas durante assembleia geral da Fepoimt (MT)

5- Leia o edital com toda atenção do mundo

Essa dica talvez seja a mais importante de todas, pois o sucesso das dicas anteriores necessariamente passa por uma leitura atenta e aguçada do edital. Assim você não corre risco de colocar despesas indevidas ou deixar de enviar documentos importantes, por exemplo.

E aqui vai uma dica extra:

Territórios indígenas mantêm as florestas de Mato Grosso preservadas. Crédito: Christiano Antonucci/Secom-MT

Os principais objetivos do Subprograma STI são manter a floresta em pé e fortalecer as iniciativas dos povos indígenas. Então muito cuidado para NÃO colocar qualquer detalhe no projeto que vá contra essas premissas.

Boa sorte!

A Terra Indígena Zoró, localizada no município de Rondolândia, na região noroeste de Mato Grosso, está celebrando um grande feito. A comunidade formada por cerca de 800 pessoas coletou 70 toneladas de castanha do Brasil em plena floresta amazônica, dando um exemplo de que é possível gerar renda a dezenas de famílias e  manter a floresta em pé. E isso em uma das regiões do estado com maior pressão por desmatamento, devido à pecuária extensiva e à extração ilegal de madeira, conforme dossiê elaborado pelo Instituto Socioambiental (ISA). 

 

Castanhas no armazém da cooperativa indígena pronta para venda. Crédito: ADEJUR

 

De acordo com Ademir Ninija, presidente da Cooperativa de Produção do Povo Indígena Zoró (COOPERAPIZ), as 70 toneladas de castanha coletadas pelos Zoró estão avaliadas em mais de meio milhão de reais e a venda está sendo negociada com uma indústria especializada em amêndoas no Rio de Janeiro.

 

"A castanha valorizada possibilitou o aumento de renda das famílias, que passaram a comprar mais alimentos, além de vestimentas e outros utensílios importantes para o dia-dia, como eletrodomésticos. Foi uma grande transformação! Um coletor individual pode faturar, em média, R$ 1,9 mil nos três meses de período da safra (entre dezembro e fevereiro). Já para uma família, essa renda é de R$ 4 mil.", comemora Ademir.

 

PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE

 

Ele conta ainda que devido à forte tradição de seu povo no extrativismo, quase toda a comunidade participa da atividade anualmente, sejam crianças, homens ou mulheres. 

 

“Somente os mais idosos deixam de ir. Nesta última safra, a ação comunitária envolveu mais de 600 indígenas. Desde pequeno a gente aprende que esse fruto é a nossa fonte de renda, ao mesmo tempo que nos ajuda a preservar a natureza e defender o nosso território”, destaca Ninija.

 

Os Zorós, desde pequenos, são envolvidos na coleta de castanha do Brasil na floresta amazônica. Crédito: ADERJUR

 

SAFRA

 

Quem também tem comemorado os resultados atuais da safra é o Panderewup Zoró - o  cacique geral da comunidade. Ele explica que a época da coleta é dividida em dois períodos. A primeira fase, que os indígenas chamam de “Safra de Natal”, vai de 15 a 28 de dezembro, que foi justamente o período em que os Zoró coletaram as 70 toneladas da amêndoa. 

 

“É  quando a castanha é mais procurada pelos atravessadores e compradores regulares. Nesta época é que se regula o preço da castanha. E na região os Zoró tem a tradição em regular o preço no mercado local e regional, devido iniciarem a coleta mais cedo e estarem organizados na produção e venda coletiva. Este benefício de preço justo se estende aos demais povos indígenas da região”, detalha o cacique. 

 

Já o segundo período, conforme a liderança, é a continuidade da coleta que começou agora neste mês de janeiro e segue até o final de fevereiro. Nesta época o trabalho é maior, “pois a castanha pode estar mais molhada, e mais longe, por isso, antes de enviar para o mercado, para garantir a qualidade, recomenda-se lavar e até mesmo secar”, explica Panderewup.

 

Ao final dos dois períodos, espera-se que os Zoró coletem mais de 140 toneladas de castanha do Brasil, o que já está sendo considerado uma safra recorde, de acordo com Lígia Neiva, coordenadora técnica local da Fundação Nacional do Índio (Funai), no município de Rondolândia, onde fica a Terra Indígena Zoró. Neiva dá suporte há anos ao trabalho de etnodesenvolvimento com a atividade extrativista na comunidade. 

 

COMERCIALIZAÇÃO

 

Mas, para onde vai tanta castanha? É aí que entra o projeto Sentinelas da Floresta, da Associação de Desenvolvimento Rural de Juruena (ADERJUR), que é financiado pelo Programa REM MT (do inglês REDD para Pioneiros). 

 

O projeto articulou a venda de mais de 60 toneladas do produto junto a uma empresa do Rio de Janeiro especializada na comercialização da amêndoa. A negociação está na reta final e calcula-se que a venda será no valor de R$ 550 mil. 

 

Castanhas são descarregadas do caminhão. Crédito: ADERJUR

 

“A nossa estratégia é vender o produto à vista para um único comprador que tenha poder de compra em escala. Dessa forma, os ganhos para os extrativistas ocorrem de maneira muito mais rápida”, destaca Paulo Nunes, engenheiro agrônomo e coordenador geral do Projeto. 

 

Para além da renda, a questão ambiental

Ninija observa ainda que outro aspecto importante do projeto, além da geração de renda, é a preservação e a fiscalização do território. 

 

“Preservamos, porque sem a floresta a gente perde a nossa fonte de renda, e, por outro lado, também perdemos a nossa cultura de pescaria com timbó (pesca secular dos Zoró), que é feita no Rio Branco, que banha a nossa aldeia. E a castanha também ajuda a gente a fiscalizar o território, pois, através da coleta na floresta, a gente verifica a entrada de possíveis invasores, como madeireiros, posseiros e pescadores”, detalha. 

 

Mantendo a floresta em pé

 

Marcos Balbino, coordenador do subprograma Agricultura Familiar de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT, ressalta que uma das principais metas do seu subprograma é fortalecer a atividade econômica dessas cadeias de valor, uma vez que são práticas que ajudam a manter a floresta em pé. 

 

Extrativismo da castanha do Brasil pelo Zoró ajuda a preservar a floresta amazônica. Crédito: ADERJUR 

 

“Quando você traz esse aprimoramento dos processos produtivos e financeiros, vem junto com eles a consciência de conservação ambiental, pois o número de castanheiras na área é limitado.E as famílias têm noção de que esse recurso natural não pode acabar ao longo do tempo. Porque senão, acaba também a fonte de renda já desenvolvida”, explica o gestor. 

 

Cobiçada no exterior

 

Com alto valor nutritivo e com vários benefícios à saúde, a castanha do Brasil é um dos produtos nacionais mais cobiçados no exterior. As amêndoas, ricas em proteínas e vitaminas, podem ser consumidas como alimento ou para  extração do óleo, que pode se tornar cremes faciais, shampoos e sabonete líquido.  Para a saúde humana, o consumo diário do alimento melhora a absorção de selênio no organismo, controlando assim o nível de colesterol no sangue e reduzindo os riscos de doenças no coração.


Rica em selênio: Consumo diário da castanha do Brasil ajuda a evitar problemas cardiovasculares. Crédito: Internet

 

Por Marcio Camilo

 

O Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD Pioneiros), por meio do Subprograma Territórios Indígenas (SPTI), lança nesta quarta-feira, dia 26 de janeiro de 2022, dois editais com chamadas de projetos com investimentos da ordem de R$10 milhões para beneficiar comunidades indígenas de todo o estado. O REM MT é executado pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA-MT).

 

As chamadas têm como finalidade apoiar os povos indígenas que possuam iniciativas voltadas para o fortalecimento sociocultural, a sustentabilidade e meio ambiente, vigilância e monitoramento dos terreiros, produção e coleta para segurança e soberania alimentar e nutricional, geração de trabalho, renda e comercialização, gestão territorial e ambiental dos territórios indígenas, infraestrutura das aldeias, mulheres, equidade de gênero e prevenção e combate a incêndios florestais.

 

RECURSOS

Os recursos para apoiar os projetos foram aprovados pelo Governo Alemão, por meio do  Banco Alemão de Desenvolvimento (KFW) e pelo Governo do Reino Unido - através do Departamento Britânico para Energia e Estratégia Industrial (BEIS). Estes recursos serão geridos pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que é o gestor financeiro do Programa REM MT. 

 

MODALIDADES DE PROJETOS 

Segundo o coordenador do Subprograma Territórios Indígenas (SPTI), Marcos Ferreira, há um edital para chamadas de Projetos Estruturantes e o outro para chamadas de Projetos Locais. 

 


Coordenador do Subprograma Territórios Indígenas (SPTI), Marcos Ferreira.

 

PROJETO ESTRUTURANTE

Na modalidade de Projetos Estruturantes o valor total de recursos é de R$ 7 milhões. Serão recepcionados projetos para receber investimentos de R$ 500 mil a R$ 1 milhão. 

“Eles são chamados Projetos Estruturantes, pois possuem caráter de política pública permanente, devem atender mais de uma terra indígena, com propostas de ações e  melhorias, cujos efeitos transcendem o tempo de duração previsto para o Programa REM MT”, explica Ferreira.

 

PROJETO  LOCAL

Já na modalidade de chamada para Projetos Locais, os investimentos estão na ordem de R$3,1 milhões. Aqui, os valores dos projetos variam de R$ 100 mil a R$ 200 mil. A instituição que se inscrever nessa modalidade poderá propor ações para atender às necessidades mais imediatas das comunidades indígenas.

 

“Às vezes uma comunidade precisa de um galpão para estocar alimentos. Há outras que identificam a necessidade de melhorar a estrutura física da aldeia ou sistema de captação de água ou de energia fotovoltaica [luz solar]. São alguns dos exemplos de projetos locais que podem muito bem se encaixar no edital”, afirma o coordenador do Subprograma Territórios Indígenas do REM MT. 

 

Por fim, o gestor destaca:

 

"Esperamos poder apoiar projetos para os povos indígenas em todo Estado de Mato Grosso, contribuindo para a melhora da qualidade de vida dessas pessoas que, com seu modo de vida, trabalham para a preservação dos ecossistemas florestais".

 

CRITÉRIOS

Podem participar das chamadas dos editais Organizações da Sociedade Civil sem fins lucrativo (indigenista, indígena e de assessoramento aos povos indígenas) em suas diferentes formas de constituição;

Para propor projetos, os seguintes critérios mínimos deverão ser observados:
 

  1. Instituição deverá estar formalizada, com registro no CNPJ; 

  2. O CNPJ não pode apresentar pendências ou restrições; 

  3. A Instituição deverá comprovar regularidade fiscal perante a previdência da União e;

  4. Possuir Carta de Anuência do(s) Povo(s) Indígena(s) que serão beneficiados;

 

Vale destacar que a instituição proponente deverá apresentar comprovada experiência com o desenvolvimento de projetos correlatos aos temas propostos, bem como capacidade de coordenação, gestão e execução de projetos.

 


Festival Kuarup, no território Xingu. Crédito: Jana Pessoa/Secom-MT

 

PRAZOS

As inscrições para participar do processo começam nesta quarta (26.01) e se encerram no próximo dia 13 de março. 

 

SAIBA MAIS


CLIQUE AQUI e AQUI para acessar as duas chamadas do edital na íntegra e saber mais detalhes sobre os prazos para envio dos projetos, bem como valores e a documentação necessária.

 

INFOS

 

Mais informações, envie um e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

VÍDEOS TUTORIAIS PARA SUBMISSÃO DE PROJETOS

 

Aprenda a submeter seu projeto nos editais do Subprograma de Territórios Indígenas.

 

 

 

 

Por Marcio Camilo

Página 1 de 2

Parceiros

Image
Image
Image
Image
Image
Image