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A produção de gado na fazenda Vale do Arinos, no município de Juara, está tendo sua lógica alterada. Tudo começou depois que o casal de pecuaristas Valocir e Mirian DalPiaz, proprietários da fazenda, topou iniciar um trabalho de recuperação de pastagens degradadas, com apoio da Empaer-MT e do Programa REM Mato Grosso. Por lá, 56 hectares de áreas degradadas já foram recuperados com a plantação de milho, o que tem evitado novas aberturas para pasto, e, consequentemente, novos desmatamentos da floresta amazônica. 

Conforme explica Leonora Goes, engenheira florestal e ponto focal do Subprograma Produção, Inovação e Mercados Sustentável (PIMS), a fazenda Vale do Arinos é uma das oito Unidades de Referência Técnica (URT), que estão recebendo apoio técnico e investimento do REM MT e da Empaer MT. E em razão deste trabalho, atualmente, se tornou referência em produção sustentável para os demais produtores de gado da região de Juara. 

A MUDANÇA

Mas, nem sempre foi assim. Há dois anos, a Empaer MT e o REM MT se depararam com uma fazenda com muitas áreas degradadas, principalmente nas Áreas de Preservação Permanente (APP), que margeiam o rio da propriedade. O solo também estava muito fraco, sem nutrientes, desgastado pela pecuária extensiva. 

A realidade começou a mudar, quando o técnico-extensionista da Empaer-MT, o engenheiro agrônomo Igor Nogueira começou a atuar na propriedade. Ele elaborou um plano de ação para identificar e resolver os principais gargalos econômicos, ambientais e sociais da fazenda. 

Engenheiro agrônomo e técnico-extensionista da Empaer-MT, Igor Nogueira

RECUPERAÇÃO DO PASTO

A recuperação da pastagem teve início em meados de setembro, a partir de um diagnóstico detalhado da realidade do solo da fazenda, por meio de amostras para identificar os níveis de macro e micronutrientes, bem como os níveis de matéria orgânica e de pH - que serve para medir a acidez ou alcalinidade do solo. Com as devidas correções feitas, a semeadura do milho foi realizada em fevereiro deste ano e a colheita ocorreu neste mês. A recuperação também ocorre por meio do plantio de capim Capiaçu, que também serve para alimentar o gado durante o período da seca.

Na parte de recuperação da pastagem e fortalecimento do solo, o cultivo de milho tem sido a solução. “O milho tem muitos benefícios: serve de alimento reforçado e nutritivo para o gado, proporciona diversificação da fonte de renda para a família, os restos culturais da lavoura enriquecem o solo para reforma das pastagens e ainda auxilia no manejo de plantas daninhas das pastagens”, destaca Igor. 

“Ontem finalizamos a colheita do milho em nossa URT. Resultado: Custo de produção: 70 sc/ha [sacas por hectare], Receita líquida: 39 sc/ha. Produção de 109 sc/ha em área de pastagem degradada que agora retornará a ser pastagem em 2022/2023! Ano que vem iremos recuperar mais 40 hectares!!! #REM-MT #EMPAER-MT #Juara-MT”, comemorou Igor, em um grupo de Whatsapp que reúne técnicos extensionistas da Empaer, que estão trabalhando nas oito URTs apoiadas pelo REM MT. 

Colheita de milho na fazenda Vale do Arino. Foto: Emaper-MT

NOVA FONTE DE RENDA

Pablo Dalpiaz, um dos proprietários da fazenda, destaca que, até então, a família não tinha experiência com roçado, plantação de milho. E que essa integração da pecuária com a lavoura só aconteceu graças ao trabalho da Empaer, juntamente com o apoio do REM MT. 

“Não tínhamos experiência nenhuma de roça. Aí o Igor veio com essa proposta, o projeto do REM, para plantarmos o milho, e também o capim Capiaçu, com o objetivo de recuperar as pastagens degradadas. E, graças a Deus, tivemos uma colheita muito boa, que deu certo para alimentar os animais no período da seca, recuperar o pasto, e também gerar uma nova fonte de renda à família", destacou Pablo. Além dele, a fazenda pertence aos casais Valocir e Mirian e José Sergio e Marlene Inez. Todos da família Dalpiaz

Casal Dalpiaz, proprietário da fazenda Vale do Arinos. Foto: REM MT0

MUDANÇA DE MENTALIDADE

Leonora Goes ressalta ainda que um dos grandes trunfos do projeto é a mudança de mentalidade que tem ocorrido com os produtores da região.  

“Para nós, do Subprograma PIMS, é muito gratificante visualizar, na prática, que a utilização dos recursos do REM MT nas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) tem apresentado tantos resultados positivos. Perceber a melhora na produtividade através de técnicas de integração lavoura e pastagem, que antes não eram pensadas como alternativa à pecuária extensiva, nos traz muita satisfação. Isso demonstra o comprometimento dos técnicos da Empaer na mudança de mentalidade, na implementação e na difusão de tecnologias inovadoras no Noroeste do estado, região tão sensível no que se refere ao tema desmatamento”, avalia Leonora.

Leonora Goes (à direita), mestre em Ecologia e profissional sênior do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Nesse sentido, Igor reforça que o REM MT tem dado esse suporte aos técnicos da Empaer-MT para realizar os trabalhos em campo. “Isso ocorre tanto na questão do aumento da produtividade, como na conscientização ambiental e tecnologias para a restauração das APPs, além da importância da água e também a questão social das propriedades", elenca o técnico-extensionista.  

RECUPERAÇÃO DE APP

Outro aspecto importante do projeto tem sido a recuperação de dois hectares de Área de Preservação Permanente (APP), dentro dos limites da propriedade, que estavam totalmente degradados pela ação da pecuária extensiva. 

A recuperação ocorreu através de uma técnica de semeadura de sementes conhecida como muvuca. O processo consiste em espalhar sementes de espécies nativas da Amazônia de diferentes estágios sucessionais, juntamente com adubação verde. Essa ideia de semeadura busca imitar a natureza, onde inicialmente as espécies pioneiras e secundárias se desenvolvem, preparando o solo e proporcionando sombra para as espécies clímax de crescimento mais longo.

Para ensinar o processo de muvuca aos técnicos da Empaer-MT, o REM MT contratou a empresa de soluções ambientais Agroicone, que ministrou um curso aos extensionistas sobre o assunto.  

Área de APP antes do projeto apoiado pelo REM MT. Foto: Empaer-MT
Área de APP após as intervenções do projeto apoiado pelo REM MT. Foto: Empaer-MT

PARCERIA DE SUCESSO

Ao todo, o REM MT investe R$ 4, 2 milhões no projeto de parceria com a Empaer-MT, que busca otimizar, de modo sustentável, a capacidade produtiva da pecuária de corte da região Noroeste de Mato Grosso. 

Para isso, o projeto conta com a implantação de oito URTs em propriedades de pecuária, de pequeno e médio porte; e insumos para fortalecer os serviços de ATER [Assistência Técnica e Extensão Rural] realizados pelos técnicos da Empaer em 1.423 propriedades da região Noroeste. As URTs e demais propriedades estão localizadas nos municípios de  Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juína, Juara, Juruena e Nova Bandeirantes.

De modo complementar, o projeto também promove a capacitação dos técnicos em atualizações do conhecimento nas áreas de pecuária de corte, adequação ambiental e restauração ecológica.

Técnicos, produtores rurais e estudantes de Juara e região (a 693,9 km da capital) tiveram a oportunidade de conferir na prática as principais soluções tecnológicas do mercado, visando uma produção agropecuária mais sustentável, neste último sábado (14.05). A atividade fez parte do Dia de Campo, do evento 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, e foi realizada na Fazenda Santa Sofia.

Para Elcio Sguario Muchalak, 57 anos, proprietário da Fazenda Santa Sofia, o evento trouxe conhecimento para toda região. Segundo ele, o objetivo é fazer novos encontros para que a ideia de sistemas de produção integrados (lavoura e pecuária) se espalhe mais entre os produtores.

“A ideia é expandir. A partir desse evento, com essas pessoas que vieram, elas vão divulgar os próximos, e, de repente, tá todo mundo sabendo”, acredita o produtor rural, cujo pai ajudou a fundar a cidade de Juara.

Elcio Sguario Muchalak, dono da Fazenda Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Para Beatriz Costa, técnica em agropecuária, o evento foi importante, porque trouxe para Juara e região o que há de mais novo sobre os sistemas de criação e de cultivo. Segundo ela, tratam-se de pontos centrais devido à própria evolução econômica da região, que começou com a extração de madeira, na década de 1960, depois a pecuária, e, atualmente, na intensificação da parte de lavoura. Ela ressaltou ainda que o Dia de Campo também serviu para abrir uma nova perspectiva para a cidade: de não ser reconhecida apenas como a "Capital do gado".

"Então, quem sabe, a gente não consegue integrar a lavoura e a pecuária? E ser uma grande potência do Estado, nesse sentido? Todas as áreas - pecuária, agricultura e preservação ambiental - se completam", enfatizou a técnica.

A técnica em agropecuária Beatriz Costa foi uma das participantes do Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

ENSAIOS EXPERIMENTAIS

Os anseios de Beatriz estão em sintonia com o trabalho que o programa de pesquisa e extensão AgriSciences desenvolve na Fazenda Santa Sofia, onde ocorreu o Dia de Campo. No local, os presentes puderam ver ensaios experimentais de integração lavoura-pecuária, que estão sendo desenvolvidos pelo programa. A ideia é que o trabalho se torne referência não só em Juara, como no Estado todo.


"Hoje, a gente expandiu os ensaios diante das demandas dos produtores nessa unidade demonstrativa (Fazenda Santa Sofia). Estamos localizados num produtor, formador de opinião, líder na região e receptivo a mudanças. Diante disso, os ensaios propostos no início - desde o uso de novos materiais genéticos de forrageiras, integração de sistemas com culturas anuais, como o milho e a soja - foram ampliados, de certa forma, incluindo culturas, como a do sorgo, cana de açúcar, o componente florestal, testando diferentes clones, que, até então, não foram avaliados em Mato Grosso. Isso tudo para que a gente possa ter uma diversidade maior de culturas, na perspectiva de diversificação, não só, do sistema de produção, mas de renda para o produtor rural", salientou Daniel Carneiro de Abreu, engenheiro agrônomo, professor da UFMT e coordenador do AgriSciences.

Professor Daniel de Abreu, coordenador do AgriSciences. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

O projeto é apoiado pelo REM MT, por meio do seu subprograma Produção, Inovação e Mercados Sustentáveis (PIMS), dentro do eixo “Pecuária Sustentável”.

Nesse sentido, o REM MT é um dos financiadores do AgriSciences, especificamente do projeto de modelagem computacional, em que um software simula quais sementes, a exemplo da soja e do milho, se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região.

A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção agropecuária. Esse experimento ocorre na prática na Fazenda Santa Sofia e foi conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da do Dia de Campo (4ª Vitrine Tecnológica Agrícola).

Pesquisador explica um dos ensaios experimentais na Fazenda Santa Sofia, durante o Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

MERCADO EXIGENTE

Para Daniela Melo, coordenadora do PIMS/REM MT, eventos como este ajudam a pensar numa agropecuária mais sustentável e alinhada com as exigências ambientais do mercado internacional, fatores relevantes para alavancar positivamente as commodities de Mato Grosso, como soja e carne.

“Além disso, são propostas que vão ao encontro dos objetivos do REM MT, que é preservar as florestas do Estado, mantendo a intensidade da produção, sem incorporação de novas áreas e, ao mesmo tempo, gerando baixo impacto ambiental, com a redução das emissões dos gases de efeito estufa (gee)”, destacou a coordenadora.


Coordenadora do PIMS/REM MT, Daniela Melo. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

ACESSO À TECNOLOGIA

Pamela Rubio é técnica extensionista do escritório da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), no município de Canaã do Norte, regional de Alta Floresta. Para ela, o Dia de Campo aproxima a tecnologia do pequeno e médio produtor, que, normalmente, não tem acesso a esse tipo de informação.

Ela destacou que os extensionistas têm o papel de auxiliar aqueles produtores que não possuem condições financeiras para pagar por uma assistência técnica. E que nesse sentido, eventos como esse abordam tratativas "que a gente vive no campo". "Os técnicos conseguem ter muito conhecimento através desses eventos, para estar levando aos produtores", reforçou.

Técnica extensionista da Empaer-MT, Pâmela Rubio. Foto: Fernanda Fidelis/REM M

PALESTRA

O Dia de Campo também contou com a palestra "A Importância da Diversidade de Plantas na Agricultura Tropical e seus Conceitos", proferida por José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP/Fazenda Capuaba).

Na oportunidade, ele falou sobre a importância do produtor proteger o solo durante o ano inteiro. "A proteção constante do solo não é jogar só uma palhazinha. É proteger o solo durante 360 dias. Ou com uma cultura em desenvolvimento (espécies forrageiras) ou com uma massa orgânica. Isso é fundamental", ressaltou aos presentes na Vitrine Tecnológica.

Palestrante José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

4º ENCONTRO

Além do Dia de Campo, os técnicos e produtores participaram da 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, realizada entre os dias 11, 12 e 13 de maio, no Centro de Eventos Savoine, também em Juara.

Na oportunidade, eles puderam tirar dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. Palestraram no evento algumas das principais referências no setor, a exemplo do pesquisador e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, Rattan Lal. Aos produtores presentes, ele falou sobre o uso correto da terra/solo e sobre como isso pode ajudar nos problemas globais. A conversa foi realizada por meio de uma vídeo-palestra. 

Evento do 4º Encontro Técnico de Atualização que antecedeu o Dia de Campo, na Fazenda
Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Tanto o 4º Encontro Técnico de Atualização, como o Dia de Campo - 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola -, foram realizados pelo AgriScience, em parceira com o REM MT, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis
Edição: Mariana Vianna

Pesquisadores Mato-grossenses divulgaram em universidades dos Estados Unidos (EUA) os primeiros resultados de uma pesquisa que propõe tornar a produção de commodities mais sustentável em Mato Grosso. Trata-se do projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto”, desenvolvido pelo programa de pesquisa AgriSciences, que usa um software que simula qual tipo de planta é mais adaptável ao ambiente. A iniciativa é financiada pelo Programa REM Mato Grosso (do português, REDD para Pioneiros).

Estiveram à frente da viagem aos EUA, o doutor Wininton Mendes, da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT) e o professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e coordenador do Programa AgriSciences, Daniel de Abreu. Os dois tiveram agendas importantes em Washington (DC), com diretores do Banco Mundial e um representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A primeira parada da viagem foi no Campo Experimental da Universidade de Minnesota. Na oportunidade, Daniel e Winiton promoveram uma palestra aos pesquisadores norte-americanos sobre a modelagem computacional que está sendo feita na fazenda Santa Sofia, no município de Juara, Noroeste de Mato Grosso (bioma amazônico). Por lá, a tecnologia é utilizada para fazer experimentos com sementes híbridas de soja, milho e arroz e integrar essas culturas à produção pecuária.

Wininton detalha que a modelagem computacional permite simular quais sementes se adaptam melhor ao clima e o solo de uma determinada região. Nesse sentido, os trabalhos conduzidos na região Noroeste de Mato Grosso têm mostrado resultados promissores.

“A qualidade do solo na produtividade das culturas em sistemas de integração envolvendo soja-milho e produção de forragem é uma delas”, salienta o pesquisador. 

 

Pesquisadores da Empaer e da UFMT com a equipe da Universidade de Minnesota. Crédito: Empaer

 

Tanto Wininton quanto Daniel reforçaram durante a palestra a necessidade de mais investimentos em pesquisa, transferência de tecnologia e extensão rural neste tema, sobretudo em Juara, por ser uma região de expansão da agricultura em área de pecuária e com bastante demanda por informações técnico-científicas, que visam o uso eficiente de insumos e recursos para garantir maior produtividade das áreas de forma mais sustentável.

Após a apresentação da palestra, os pesquisadores visitaram uma propriedade rural, onde puderam entender os desafios enfrentados pelos produtores da região de Minnesota na atividade de produção agrícola e pecuária.

Durante a viagem, os pesquisadores mato-grossenses passaram por pelo menos cinco estados diferentes, onde visitaram centros de pesquisas e fazendas-modelo em produção sustentável, além de terem dialogado com pesquisadores e professores do ramo. Os estados visitados foram:  Wisconsin, Ohio, Georgia, Mississippi e Flórida.

BANCO MUNDIAL E INTERAMERICANO

Já com relação às reuniões com representantes do Banco Mundial e Interamericano de Desenvolvimento, o professor Daniel de Abreu destacou que o principal objetivo foi mostrar como Mato Grosso tem trabalhado em prol do desenvolvimento sustentável,“especificamente, na intensificação do setor agropecuário”.

 

“Para Mato Grosso, está sendo imposto esse grande desafio, que é a produção de conhecimento para que possamos fomentar, de forma organizada, a tecnologia, a inovação e, principalmente, inclusão social. Todos esses conceitos devem estar alinhados dentro de um modelo de desenvolvimento sustentável. São ações que almejamos, não apenas para a nossa região [Juara], mas também para as outras que circundam o nosso estado”, avaliou o coordenador da AgriSciences.


AGRISCIENCES


O projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto” faz parte da chamada 08/2020, do Eixo Inovação em Cadeias de Commodities, do Subprograma PIMS do REM MT. O projeto também conta com a parceria de instituições internacionais como as universidades de Minnesta e Ohio, nos Estados Unidos. Essas universidades ajudam na condução das ações e desenvolvimento de atividades do AgriSciences. 

“Esse projeto é um bom exemplo do que a gente quer nesse eixo de Inovação do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT, que é justamente disseminar tecnologia capaz de melhorar a eficiência do produtor, reduzir a pressão por desmatamento, otimizar o uso de insumos e reduzir de emissões de gases que agravam o efeito estufa”, comemora Fernando Sampaio, coordenador-adjunto do REM MT.


Fazenda Santa Sofia, em Juara, onde ocorrem os experimentos de integração lavoura-pecuária através da modelagem computacional. Crédito: AgriSciences


Quem também ressalta a importância do trabalho é a coordenadora do PIMS, Daniela Melo. Ela explica que o “projeto auxiliará na divulgação de tecnologias inovadoras para os produtores, sendo estas consonantes com a realidade da região”.

Ao todo, o REM MT investe R$ 999.594,60 no projeto do AgriSciences, que tem como proponente a Fundação de Apoio e Desenvolvimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - Fundação Uniselva.

 

Por Márcio Camilo

Políticas públicas e privadas buscam sinergias de projetos em oito municípios da região noroeste do estado

 Marcio Camilo/Comunicação REM MT 

Identificar sinergias para alavancar a produção sustentável de pecuária de corte na região noroeste de Mato Grosso. Esse foi o objetivo do workshop organizado, no último dia 6 de junho, pelo Programa REM MT e o Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI).

Participaram do evento virtual, a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), o frigorífico Marfrig, Instituto PCI, Programa REM MT, NatCap, Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC), Associação dos Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT) e o IDH (The Sustainable Trade Initiative), sendo este último uma organização Holandesa voltada para produção e comércio sustentável.

Durante a reunião, houveram apresentações do Instituto PCI, NatCap, Empaer-MT e IMAC. Posteriormente, iniciou-se uma sessão de discussão na qual os representantes da Marfrig, ACRIMAT, REM-MT e IDH fizeram contribuições e sugestões. Em termos gerais, os participantes demonstraram satisfação sobre os trabalhos realizados e interesse em aprofundar ações de forma a dar escala aos projetos de Ater [Assistência Técnica de Extensão Rural] na região noroeste. O objetivo final é tornar a região uma referência em produção sustentável na pecuária de corte, aliando produção de qualidade e renda à agricultores familiares aliado a conservação de florestas.

O programa REM MT, por meio do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), foi citado em um projeto cujo objetivo é a reinserção de produtores bloqueados em detrimento as áreas embargadas por desmatamento ilegal. A ação é desenvolvida em pelo o Instituto Mato-grossense da Carne tendo como parceiro o Ministério Público Federal (MPF-MT).

Outra ação financiada pelo REM MT é a parceria com a Empaer-MT cujo objetivo é oferecer ATER pública para 1.950 produtores de pequeno e médio porte especializadas na cria de bezerros. O objetivo é aumentar a produtividade da pecuária de corte aliado a restauração de passivos ambientais e desmatamento zero. Os produtores estão localizados em oito municípios da região noroeste: Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juína, Juruena e Nova Bandeirantes.

Já a Marfrig, uma das maiores empresas de proteína animal do mundo, destacou no workshop que investe cerca de R$ 30 milhões em projetos relacionados a sustentabilidade da cadeia bovina. A empresa possui metas de zerar o desmatamento até 2030 através de diversas ações incluindo a produção sustentável de bezerros. Entre as ações estão a implementação do Código Florestal, incentivo a intensificação de pastagens e práticas ILPF [Intensificação Lavoura, Pecuária, Floresta], bem como ferramentas de rastreabilidade e monitoramento de fornecedores indiretos. De acordo com o Diretor de Sustentabilidade Paulo Pianez, “os trabalhos apresentados no workshop dialogam perfeitamente bem com o Programa Produção Sustentável de Bezerros, e, portanto, existe interesse em aprofundar conversas na região”.

Se as ações forem concretizadas, existe a oportunidade da Marfrig e outros frigoríficos na região comprarem animais de fazendas regularizadas, aumentando a oferta de carne sustentável na região e contribuindo com as metas de produção sustentável, conservação e inclusão da estratégia Produzir, Conservar e Incluir. 

“A reunião foi para a gente se conectar, saber o que cada um está fazendo, até para que a própria produção do REM e da PCI possam acessar esse tipo de mercado. Esse é um dos objetivos do subprograma (PIMs), que é ampliar o acesso desses produtores [inseridos na pecuária sustentável] ao mercado”, destacou Fernando Sampaio, diretor Executivo da PCI e coordenador adjunto do REM MT.

Contexto 

O Subprograma de Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis do REM MT e o PCI  buscam parceiros para incentivar práticas mais sustentáveis no noroeste do estado, região responsável pela produção de 230 mil toneladas de carne (ou 10% da produção do estado), mas também importante para criação de bezerros – atividade predominante na região. 

Em um curto prazo, espera-se que o Brasil se torne o maior produtor de carne bovina do mundo, superando, inclusive os EUA. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), o nosso país é responsável por 17% da produção total da carne bovina no mundo; e de acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a cadeia produtiva brasileira da carne movimenta R$ 167,5 bilhões/ano – gerando cerca de 7 milhões de empregos.

Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do Brasil com pouco mais de 30 milhões de animais, sendo estes distribuídos em 23 milhões de hectares (equivalente a 25% do território).

No entanto, o mercado tem sido exigente em relação a critérios socioambientais nas cadeias produtivas, especialmente a cadeia da carne. A região noroeste foi identificada pelo Programa REM como prioritária para atuação no fomento à pecuária sustentável, justamente por ser onde houve expressivo crescimento de rebanho e áreas de pastagens, mas também de desmatamento. 

Foi neste contexto que o REM MT e o PCI organizaram o workshop, tendo em vista a força da atividade pecuária no estado.

O Programa REM Mato Grosso, a partir de uma sugestão da direção da Empaer, contratou a Associação de Profissionais de Pecuária Sustentável que irá trazer aos extensionistas às últimas novidades tecnológicas para a  produção de pecuária de corte


Por Marcio Camilo

Assessoria REM MT 

O Subprograma de Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do REM Mato Grosso irá oferecer, a partir do próximo dia 22 de fevereiro, a capacitação sobre “Produção de Pecuária de Corte” aos técnicos da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT). Para ministrar o curso, o REM contratou a Associação de Profissionais de Pecuária Sustentável (APPS). Trata-se de uma das mais renomadas entidades do país quando o assunto envolve tecnologias sustentáveis para a produção animal.

A capacitação foi uma necessidade identificada pela diretoria da Empaer,  pois entende que se trata de excelente oportunidade para os extensionistas se atualizarem sobre as últimas novidades tecnológicas para a pecuária de corte. “É uma forma dos técnicos da Empaer aperfeiçoarem ainda mais seus trabalhos junto aos produtores rurais”, destaca Daniela Correia de Melo, coordenadora do PIMS.


Foto: Secom-MT


Ela detalha que o curso será denso, com nove módulos, cada um com duração de mais de duas horas. Ao todo, os técnicos da Empaer farão uma grande imersão de oito dias - de 22 de fevereiro a 4 de março - em temas como: O que caracteriza uma pastagem degradada?; Mineralização de Bovinos; Controle de pragas das pastagens;  Manejo do primeiro corte, entre outros assuntos
(veja programação completa ao final da matéria).

A APPS- que irá ministrar o curso - é uma associação composta por técnicos de renomadas empresas de consultoria, por pesquisadores de universidades e entidades de pesquisa. Esses profissionais atuam desde 2009 em projetos de produção sustentável em Mato Grosso, junto a Acrimat e reúnem as mais atuantes consultorias do país, além de instituições de pesquisa como a Embrapa, o Instituto de Zootecnia e a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (ESALQ/USP).

O curso será 100% online e a plataforma virtual de reunião (Zoom) terá capacidade de suportar até 500 participantes. As inscrições estão sendo feitas num formulário do google docs que pode ser acessado AQUI 

Confira a programação completa do curso AQUI

Mais dúvidas a respeito da capacitação podem ser esclarecidas no setor de Coordenadoria de Assistência Técnica e Extensão Rural (Coater), pelo telefone: 3613-1735 

Sobre o Subprograma PIMS

O Subprograma PIMS é o braço do REM MT que atua nas cadeias produtivas que, historicamente, mais impactam as áreas naturais de Mato Grosso: a pecuária extensiva, a soja e a extração florestal.

Um dos principais objetivos do subprograma é envolver cada vez mais essas cadeias dentro de uma lógica de produção sustentável, conectando esses produtores de carne, soja e madeira a mercados também comprometidos com a preservação florestal. Leia mais sobre o PIMS AQUI 

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM remunera e premia o esforço de mitigação das mudanças climáticas de pioneiros do REDD + (Early Movers) a nível estadual, subnacional ou nacional, pretendendo fomentar o desenvolvimento sustentável, e gerar aprendizados até que um mecanismo global de REDD+ seja operacional. O principal objetivo do programa é a valorização da floresta em pé. O REM segue todos os princípios e critérios da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), na qual não ocorre transferência de créditos de carbono.

O contrato do REM Mato Grosso prevê recursos na ordem de 44 milhões de euros do governo da Alemanha por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), e o governo do Reino Unido, por meio do Departamento Britânico para Energia e Estratégia Industrial (BEIS).

Os recursos do Programa estão distribuídos da seguinte maneira: 60% para os subprogramas de agricultura familiar, povos e comunidades tradicionais na Amazônia, Cerrado e Pantanal; territórios indígenas; e produção sustentável, inovação e mercados. Os demais 40% são destinados ao fortalecimento institucional de entidades governamentais do Estado e na aplicação e desenvolvimento de políticas públicas estruturantes.

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