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Você sabia que mais de 70 mil pessoas se contaminam por ano no mundo pelo uso indiscriminado de agrotóxicos? Os números chamam atenção e são da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O uso desses defensivos químicos nas lavouras cada vez mais despertam o debate entre a opinião pública. No Brasil, o assunto resultou até na criação do Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos (11 de janeiro), que tem o objetivo de conscientizar sobre os riscos para a saúde e para o meio-ambiente, quando há o uso indiscriminado de substâncias agroquímicos, pesticidas e praguicidas.

 

Em Mato Grosso, a reflexão se faz mais necessária do que nunca, tendo em vista que o estado é campeão em uso de agrotóxicos em suas lavouras, principalmente nas culturas da soja, algodão e milho. É o que revela um estudo do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que apontou que a exposição a esses agentes químicos no estado é 10 vezes maior, por pessoa, em relação à média nacional.


CONTAMINAÇÃO


Marcos Ferreira, doutor em Ciência Florestais e coordenador do Subprograma Territórios Indígenas (STI) do Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros), explica que as formas mais comuns de contaminação são por contato dérmico [pele], inalação ou via oral durante o preparo e aplicação dos defensivos.

 


Marcos Ferreira, doutor em Ciência Florestais e coordenador do Subprograma Territórios Indígenas do REM MT. Crédito: REM MT


"E quando a contaminação de fato ocorre, ela pode provocar nos seres humanos desde dificuldades para dormir até abortos e má formaçã fetal, e teoricamente, existe a possibilidade de carcinogecidade (substâncias capazes de promover alterações genéticas que podem causar câncer)”, alerta o especialista.


Outro tema que merece muita atenção, segundo Ferreira, são as pulverizações aéreas.


"Este procedimento deve ser realizado por profissionais muito capacitados, pois a deriva de agrotóxicos levados por ventos podem atingir áreas que não eram objetos da pulverização, podendo poluir rios, lençóis freáticos e outros ecossistemas para além da propriedade ou cultura. Esse procedimento, por sinal, é proibido pela União Europeia desde 2009, sendo autorizado apenas em casos excepcionais, justamente pelo potencial de contaminação que pode causar em populações e no meio ambiente", explica Ferreira.

 

ALTERNATIVA

Mas, o que fazer então? Uma das alternativas, conforme Ferreira, são as produções agroecológicas, que propõe a redução ou eliminação do uso de agrotóxicos na produção de alimentos, tais quais: os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e a utilização de defensivos biológicos (no combate às pragas) e de fertilizantes naturais (para fortalecer o solo).


“O grande desafio continua sendo encontrar alternativas economicamente viáveis para os grandes produtores de commodities”, acrescenta o especialista. 

DESINFORMAÇÃO


Rafaella Felipe, coordenadora do projeto Gaia - Rede de Cooperação para Sustentabilidade - destaca que também há muita utilização indevida de agrotóxicos na agricultura familiar. Isso se dá, conforme ela, porque os trabalhadores são carentes de assistência técnica e orientação para aplicação dos insumos.

 


Rafaella Felipe, coordenadora geral do projeto socioambiental Gaia. Crédito: Gaia

 

“Já presenciamos casos de agricultores aplicando veneno para combater pragas em plantações de couve, mas o produto era específico para atuar em lavouras de algodão. Quando isso ocorre, as pragas podem até se tornar mais resistentes, continuando a danificar as verduras e as hortaliças. Há também casos em que eles começam a aplicar uma dose e não surtindo efeito, vão aumentando e aumentando até chegar a números absurdos de quantidade de aplicação”, relata.

 

PERIGOS


Rafaella ressalta ainda que boa parte dos pequenos agricultores entrevistados pelo projeto já sofreram algum tipo de intoxicação pelo uso indiscriminado de agrotóxicos.


“Uma vez presenciamos uma senhora manuseando Glifosato (herbicida usado para matar ervas daninhas e considerado um dos agrotóxicos mais agressivos para a saúde humana) sem a utilização de luvas e sem qualquer cuidado. Também já soubemos de vários produtores que passaram mal. Alguns só deixaram de utilizar os defensivos depois de quase chegar à morte mesmo, com sérios problemas de saúde, pulmonares, em especial, problemas de pele, quando são muito recorrentes às alergias”, elenca.

 


Família camponesa prepara biofertilizante sob a orientação do projeto Gaia. Crédito: GAIA.
 

"NÃO QUERO SABER MAIS DE QUÍMICA"


Quem já saiu dessa roda viva do uso indiscriminado de agrotóxicos foi Moisés Laurindo. O agricultor possui uma pequena propriedade com a família na zona rural de Sinop (a 500 km de Cuiabá). Segundo ele, depois que começou a trabalhar com bioinsumos e biofertilizantes, ele não quis mais saber de agrotóxicos em suas hortaliças. "Nem me passa pela cabeça voltar a usar veneno químico", reforça Moisés.

 


Agricultor familiar Moisés Laurindo, que possui uma propriedade de hortaliças e verduras na zona rural de Sinop. Crédito: Arquivo pessoal


A empolgação de Moisés com as práticas agroecológicas não é à toa. Depois que foi inserido no projeto dos SAFs (Sistemas Agroflorestais) do Projeto Gaia, ele aprendeu que existem alternativas de produção, sem a utilização de produtos químicos, que inclusive podem melhorar a renda e a qualidade dos alimentos.


"Antes mesmo da Rafaela (Coordenadora do Gaia) chegar, eu já procurava aplicar inseticidas mais naturais. Daí eles chegaram e mostraram certinho o que eu precisava. E depois que comecei a combater as pragas com defensivos naturais, as verduras ficaram mais saudáveis. Até o sabor delas ficou melhor", afirma contente o trabalhador rural.


Hortaliças na propriedade de Moisés produzidas sem a utilização de defensivos químicos para combater as pragas. Crédito: Arquivo pessoal


A família de Moisés é uma das 12 que estão inseridas no projeto Gaia, financiado pelo Programa REM MT, e que tem como proponente a Fundação UNISELVA da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Essas famílias trabalham na produção de hortaliças e frutíferas por meio dos SAFs [Sistemas Agroflorestais], nas zonas rurais de Cláudia e Sinop, região norte de Mato Grosso. Os SAFs do Gaia são de base agroecológica, ou seja, o alimento é cultivado sem a utilização de insumos químicos para combater as pragas na plantação.


Dos três anos trabalhando com agricultura, ele conta que dois foram utilizando agrotóxicos. "Estou há um ano só utilizando defensivos naturais e está sendo muito eficaz. Não quero mais saber de química. Hoje já produzo meus próprios bioinsumos e biofertilizantes para fortalecer o solo", diz.


Exemplo de horta baseada em Sistema Agroflorestal. A propriedade é atendida pelo projeto Gaia. Crédito: Gaia
 

MUDANÇA DE LÓGICA


A própria indústria começou a se atentar para o uso indiscriminado de agrotóxicos, diante da pressão da sociedade por alimentos mais saudáveis e da legislação, que cada vez mais proíbe a utilização de determinados defensivos.


"Algumas multinacionais viram lá atrás que isso seria uma tendência e começaram a se organizar para fabricar esses bioinsumos. Também já existem empresas que foram fundadas nessa lógica e só produzem defensivos mais sustentáveis. Apesar de apenas uma pequena parcela de produtores terem acesso a esses bioinsumos, é uma tendência sim", enfatiza Rafaella.
 

ONDE COMEÇAR


A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT) constantemente promove cursos gratuitos de agroecologia junto aos produtores rurais, como forma de incentivá-los a trabalhar de maneira mais sustentável.


Para saber como participar de um curso gratuitamente ou tirar dúvidas sobre a utilização de agrotóxicos, o produtor pode ligar para (65) 3613-1709 ou procurar um escritório da EMPAER próximo à sua região clicando neste link.

 

 

Por Marcio Camilo

 

A equipe do Programa REM Mato Grosso (do inglês, REED para Pioneiros) percorreu mais de 2 mil quilômetros para entregar em seis cidades as placas que fazem parte da ação de plantio em homenagem às vítimas de Covid-19 no estado. As quantidades de mudas de árvores que serão plantadas correspondem ao número de mortes por Covid-19 nos municípios que aderiram à homenagem, pensada pelo Programa REM em parceria com o setor de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema-MT). 

A equipe saiu de Cuiabá na última sexta-feira (26) para entregar as placas às prefeituras dos municípios de Sorriso, Santa Carmen, Feliz Natal, Sinop, Peixoto de Azevedo e Alta Floresta. As entregas terminaram na segunda (29) e as placas serão fixadas nos terrenos que cada prefeitura escolheu para ação do plantio. Elas contém os seguintes dizeres: "Para cada uma das vidas: Tributo às vítimas da Covid-19 em Mato Grosso - Recuperar a natureza é respeitar a vida humana e renovar a resperança". 


Placa de homenagem às vítimas de Covid-19. Crédito: REM-MT

 

Em Sorriso (cerca de 400 km de Cuiabá), na primeira parada da equipe do REM MT, a placa foi entregue ao diretor da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, Juliano Mezzalira. Lá, a ação de plantio ocorrerá no início deste mês. Ele explicou que a prefeitura já separou a área do memorial às vítimas de covid na cidade. No espaço serão plantadas cerca de 230 mudas: "Vai ser uma árvores por pessoa falecida", acrescentou.


Diretor da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente,Juliano Mezzalira, recebendo a placa em Sorriso. Crédito: REM-MT

 

Já em Peixoto de Azevedo (a 670 km de Cuiabá) a ação de plantio ocorreu no último final de semana. Ela foi registrada em vídeo e será exibida em um telão instalado no centro da cidade no final de dezembro, durante o especial de Natal que será promovido pela prefeitura.  

No dia do plantio, a equipe do REM se deparou com a participação de muitas famílias que se vestiram de branco para homenagear os entes queridos. As placas com as mudas estão no parque ecológico da cidade que passa por um processo de reflorestamento.


Famílias de Peixoto de Azevedo durante ação de plantio das mudas. Crédito: Assessoria de Comunicação de Peixoto de Azevedo

A secretária de Meio Ambiente de Peixoto, Anni Karini Reina, destacou que foram plantadas 130 mudas no parque que correspondem ao número de vítimas de covid na cidade: "Mas posteriormente nós vamos continuar o plantio nesse local, que foi escolhido porque se trata de uma área degradada do município que nós queremos recuperar", acrescentou Karini.


Secretária de Meio Ambiente de Peixoto de Azevedo, Anni Karini Reina  - Crédito: Assessoria de Comunicação de Peixoto de Azevedo

Em Sinop (a 500 km de Cuiabá), a secretária de Meio Ambiente, Ivete Mallmann Franke, ressaltou que o memorial às vítimas de covid, para além de uma homenagem, é uma forma de reflexão sobre a pandemia, que ceifou muitas vidas no país. Uma memória, que no entendimento dela, não deve jamais ser esquecida.

“Nós queremos homenagear as nossas vítimas plantando uma árvore com o nome de cada uma delas e estabelecendo um espaço onde os familiares possam fazer a visitação e  acompanhar o crescimento dessas mudas e ter um momento de reflexão também”, enfatizou a gestora.

 


Secretária de Meio Ambiente de Sinop, Ivete Mallmann Franke, recebendo a placa. Crédito: REM-MT

Já em Alta Floresta, último destino da equipe do REM antes de voltar à Cuiabá, as placas e algumas mudas foram entregues à secretária de Meio Ambiente, Gercilene Meira Leite. Na cidade, 151 pessoas morreram de Covid-19 e também serão homenageadas com o plantio das mudas que deve ocorrer ainda neste mês de dezembro. 

“É uma tristeza pelas mortes, mas, ao mesmo tempo, é com alegria que a gente faz essa ação de homenagem às vítimas. Esse plantio a gente quer fazer numa área da cidade inserida no programa ‘Adote uma Nascente’, que é voltado para recuperação desses espaços ambientais no perímetro urbano. Essa área se chama Nascente do Ipiranga e nós iremos fazer o plantio das 151 mudas nesse local”, reforçou a gestora.


Secretária de Meio Ambiente, Gercilene Meira Leite, recebendo a placa em Alta Floresta. Crédito: REM-MT

Ela acrescentou que no dia do plantio serão convidadas as famílias que tiveram seus entes queridos levados pela Covid. “Se cada um puder plantar  uma árvore, daqui há 10, 20, 30 anos, os netos, os filhos, vão passar por ali e vão ver. Então será um legado, uma memória para as futuras gerações”, refletiu Gercilene.  

A ação de plantio em homenagem às vítimas de Covid-19 em Mato Grosso é uma iniciativa do Programa REM MT em parceria com a Educação Ambiental da Sema-MT. Ao todo, 75 municípios estão envolvidos na ação.

 

Por Marcio Camilo

Programa de “Reinserção e Monitoramento” dos pecuaristas é desenvolvido pelo IMAC (Instituto Mato-grossense da Carne) com financiamento do Programa REM Mato Grosso

Marcio Camilo
Comunicação REM MT/SEMA-MT


Legalizar 500 pecuaristas e recuperar mais 20 mil hectares de áreas degradadas. Essas são as metas do “Programa de Reinserção e Monitoramento”, do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), no projeto apresentado ao Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros).

O Programa de Reinserção, com previsão de início a partir da segunda quinzena de julho, envolverá produtores de oito municípios da região noroeste do estado: Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juína, Juruena e Nova Bandeirantes.

Espera-se com a iniciativa que áreas que foram desmatadas ilegalmente dentro das propriedades pecuárias sejam reparadas. O Programa de Reinserção é de participação voluntária pelo pecuarista e consiste em identificar o dano ambiental e monitorar sua regeneração.

“Como resultado, a implantação do Programa de Reinserção e Monitoramento visa garantir que o dano ambiental está sendo reparado (com um monitoramento constante), permitindo que o pecuarista retome sua atividade de comercialização de animais com a indústria frigorífica, oferecendo ao mercado formal animais de procedência garantida, enquanto o processo de adequação ambiental está ocorrendo pelo Programa do Imac”, destaca Caio Penido, presidente do instituto.



O programa está inserido no Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do REM MT. A expectativa é de que traga “melhorias na qualidade da carne, diminuição dos riscos reputacionais do setor no estado, transparência e garantia de origem do produto”. O Programa de Reinserção é uma estratégia do Imac para buscar a recuperação de áreas degradadas em mais de 12 mil propriedades no estado de MT.

A aplicação do Programa de Reinserção está inserida no eixo “Inovação nas Cadeias de Commodities Pecuária” do PIMS/REM MT.

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).
 
Saiba mais sobre o Programa REM MT em: https://remmt.com.br/

Documento dá visibilidade a esses povos que estão em 98 dos 141 municípios do estado

Marcio Camilo /  Comunicação REM MT 

Foi lançado, na quinta-feira (01), de maneira remota, o “Diagnóstico de Povos e Comunidades Tradicionais em Mato Grosso - Subsídio para processo de inclusão participativa no Subprograma de Agricultura Familiar do REM”.

O documento foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em parceria com a GIZ, a cooperação técnica alemã; bem como o apoio técnico e institucional do Grupo de Coordenação do Programa REM MT (do inglês, REED para pioneiros).

Trata-se de um documento fundamental, no sentido de dar visibilidade a essas comunidades para que o estado atue com políticas públicas nesses territórios, que são estratégicos para manter a floresta em pé.

O lançamento do documento contou com a participação de líderes de Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e diferentes atores da sociedade, sendo transmitido pelo canal no YouTube da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).

Para Laura Ferreira da Silvia, do Quilombo da Comunidade Ribeirão do Mutuca, o diagnóstico “é o local de fala” dos quilombolas, já que o documento teve a participação direta e efetiva deles.

“Uma coisa são os outros falando pela gente. Outra coisa somos nós falando da importância dessa manutenção, desse modo de vida e fazeres, para que sejam preservados o conhecimento ancestral às futuras gerações”, destacou Laura durante sua fala no lançamento do diagnóstico.

Ao todo há 134 comunidades quilombolas em Mato Grosso. Dessas, 81 estão certificadas e 53 em processo de reconhecimento. A população quilombola está espalhada pelo território mato-grossense desde o Araguaia, Vale do Guaporé a região norte do estado.

“Esse diagnóstico é muito importante, porque ela vai potencializar políticas públicas a essas comunidades tradicionais, para que os nossos povos continuem reafirmando a sua existência dentro dos seus territórios”, enfatizou a liderança que está à frente da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq).

Leonardo Vivaldini, membro do Subprograma de Agricultura Familiar de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPTCs) do REM MT, avaliou que o diagnóstico será um importante subsídio para melhorar as ações do Programa REM MT.

Detalhou que o documento ajuda a entender como essas populações compartilham “experiências de manejo e uso dos solos das florestas, do Cerrado, do Pantanal e das áreas úmidas, além das atividades com foco nas cadeias produtivas do Estado”.

Para Taigara Alencar, da cooperação alemã (GIZ), a palavra-chave é “inclusão”. Dar visibilidade aos PCTs.

Ressaltou que uma das frentes importantes é dar apoio a Empaer-MT [Empresa Mato-grossense de Pesquisa Assistência e Extensão Rural], para que seus profissionais sejam capacitados no sentido de oferecer assistências às comunidades.  

Já o secretário de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), Silvano Amaral, reforçou que o diagnóstico é estratégico para a pasta elaborar políticas públicas que cheguem aos PCTs.

Reconheceu que o estado sozinho não consegue fazer esse trabalho e que parcerias com organizações como a GIZ e o IPAM, além do Programa REM, que é coordenado pelo estado, são fundamentais.

“A sociedade como um todo tem um débito muito grande com esses povos. Esse diagnóstico dá uma condição para resolver esses problemas. Temos inclusive essa responsabilidade no Programa de Agricultura, no plano estadual”, enfatizou o gestor, que, durante o encontro, estava na companhia do Superintendente de Agricultura Familiar da Seaf, George Lima.

O procurador Ricardo Pael, titular do Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais da Procuradoria da República de Mato Grosso (MPF-MT), lembrou que o órgão já tem feito uma série de parceria com a GIZ para apoiar os PCTs.

Destacou que em maio deste ano, MPF e a GIZ firmaram termo de cooperação, em nível nacional, para construção de uma plataforma de mapeamento das comunidades tradicionais. A ferramenta possui georreferenciamento, com ampla contribuição dos integrantes das comunidades. “É inovador por ser algo que começa de baixo para cima, algo que começa no chão, com as próprias comunidades que vão ter a possibilidade de alimentar a plataforma”.

Ele avaliou que a plataforma e o diagnóstico podem trabalhar juntos, com objetivo de construir políticas públicas aos PCTs.

Dados do Diagnóstico

Ao todo foram encontrados 10 segmentos de povos e comunidades tradicionais em 98 dos 141 municípios do estado, o que representa 70% do território mato-grossense.  

São grupos como os ciganos, com 29 povos; extrativistas e seringueiros (36), marroquianos (4), pantaneiros (8), ribeirinhos e pescadores (70), povos de terreiro (19), retireiros (as) do Araguaia e quilombolas, com 27 povos.

Os quilombolas é o segmento com maior presença no meio rural e histórico de organização socioprodutiva. Além disso esses povos possuem a maior atuação em cadeias produtivas que mantém a floresta em pé.

Dos 98 municípios com povos tradicionais, o diagnóstico encontrou registro de produção das comunidades em apenas 15% das cidades. Para os pesquisadores, esse dado revela que atividade agroextrativista dessas comunidades é em grande parte desconhecida do poder público.  

Diante da falta de informação, Joanna Ramos, assessora técnica do GIZ, ressaltou que o atendimento dessas comunidades pelo REM, no médio e longo prazo, “vai requerer uma estratégia de mapeamento de estimativa de produção dessas comunidades no estado”.

A produção de artesanato, a criação de animais, o cultivo da mandioca e a sociobiodiversidade são as atividades agroextrativistas mais praticadas pelos povos e comunidades tradicionais de Mato Grosso.

O documento também identificou 110 organizações de PCTs, envolvendo associação, organizações não governamentais, cooperativas e sindicatos. O maior número é de associações representativas: 56 ao todo.

Além da GIZ e do IPAM, o diagnóstico dos PCTs de Mato Grosso é um esforço colaborativo que contou com a participação do Programa REM MT e da Seaf, e, acima de tudo, dos representantes dos povos e comunidades tradicionais, que foram entrevistados durante a elaboração do documento.

As informações foram coletadas entre agosto de 2019 e fevereiro de 2020. Além das entrevistas – 27 ao todo –, houve oficinas com mais de 90 representantes de diferentes segmentos dos PCTs.

O diagnóstico também foi composto por informações secundárias extraídas das legislações federal e estadual, estudos científicos, além de dados existentes dos povos e comunidades tradicionais em órgãos como o IBGE, Censo Agropecuária e a Fundação Cultural Zumbi dos Palmares.  

 

Recursos do Programa ajudam a Sema a estruturar as políticas centrais de preservação da floresta, bem como o combate ao desmatamento e aos incêndios florestais em Mato Grosso

Marcio Camilo / Comunicação REM MT

O Programa REM Mato Grosso investe R$ 2,4 milhões em ações de monitoramento, responsabilização e fiscalização previstas no Plano de Ação de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais de Mato Grosso, para 2021.

O plano, desenvolvido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema-MT), é considerado o maior da história de Mato Grosso e prevê investimentos gerais na ordem de R$ 73 milhões. Do montante, R$ 4,2 milhões foram investidos pelo REM MT.


Crédito: Sema-MT

Para o secretário executivo da Sema, Alex Marega, o Programa “virou a chave” do combate ao desmatamento em Mato Grosso tanto no aspecto de fortalecimento institucional quanto a investimentos diretos em comunidades tradicionais que praticam a agricultura de baixo carbono: “esses importantes avanços estruturais só foram possíveis graças ao Programa REM. Sem ele não faríamos nem a metade do que já fizemos nos últimos anos”, ressalta o gestor da Sema.

O REM MT é executado pelo Governo do Estado, por meio da Sema. É um programa com investimentos internacionais. Seus recursos estão aplicados em três dos cinco eixos do plano de combate ao desmatamento ilegal e incêndios florestais.

No eixo Monitoramento, por exemplo, os recursos do programa permitiram a renovação do sistema Planet de monitoramento via satélite das florestas de Mato Grosso em seus três biomas (Amazônia, Cerrado e Pantanal).

O satélite monitora as áreas desmatadas em tempo real, permitindo tanto a prevenção quanto a fiscalização das áreas degradadas. Na ponta, isso resulta em otimização e celeridade dos órgãos fiscalizadores que estão em campo para autuar, embargar e aplicar multas aos infratores pelos crimes ambientais.


Crédito: Arquivo REM MT

No eixo Responsabilização, os recursos do REM MT estão aplicados para aparelhar e reestruturar a Delegacia do Meio Ambiente (Dema) e outros órgãos de fiscalização que atuam contra os crimes ambientais.

Já no eixo Fiscalização, os investimentos estão na ordem de R$ 1,5 milhão. Uma das ações mais importantes nesse sentido foi a contratação, por parte do REM- MT, de uma empresa especializada na remoção de maquinários utilizados para o desmatamento ilegal.

Felipe Santana, ponto focal do Subprograma Fortalecimento Institucional do REM MT, destaca que há três anos que o Programa vem fortalecendo as respostas aos incêndios florestais em Mato Grosso.

Explica que essa política continuada já gerou investimentos na ordem de R$ 4 milhões aos órgãos de fiscalização. Um dos exemplos é o Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), que teve a reforma de sua sede quase toda feita com recursos do REM MT. O BEA é um dos órgãos mais estratégicos na gestão dos incêndios florestais em todo estado.

Nesse sentido, Santana destaca que “quando você apoia a instituição você fortalece a resposta aos incêndios florestais”.  Avalia que o apoio sistemático dos últimos anos faz com que o Programa atue hoje no sentido de manter os insumos, a partir da manutenção de sopradores, viaturas e bombas costais, por exemplo.

A tenente coronel Jusciery Rodrigues Marques, que comanda o batalhão, acrescenta que até julho deste ano, o REM MT também irá equipar a Sala de Situação do BEA, com móveis e equipamentos que servirão para realizar o monitoramento dos focos de calor. Ressalta que os insumos irão “subsidiar o planejamento para enviar as equipes em campo nas ações de fiscalização para coibir os ilícitos ambientais pelo uso irregular do fogo”.


Crédito: Arquivo REM MT

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO).

Saiba mais sobre o Programa REM MT em: https://remmt.com.br/

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