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Começou, nesta quarta-feira (11.05), o evento 4º Encontro Técnico de Ataulização . Trata-se de um dos encontros mais importantes de soluções tecnológicas para a produção agropecuária da região do município de Juara (693, 9 km de Cuiabá), no bioma amazônico, região noroeste de Mato Grosso. Nos próximos três dias, estarão reunidos no Centro de Eventos Savoine, algumas das principais referências nacionais em estudos de melhoramento de pastagem para a alimentação do gado, bem como na utilização dessas áreas para produção agrícola de soja e milho, por exemplo. O objetivo é conscientizar produtores rurais e técnicos da área sobre a necessidade de uma produção mais sustentável, de baixo carbono e alinhada com as exigências do mercado internacional, que compra essas commodities de Mato Grosso. 

 


Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 
PRIMEIRO DIA

O primeiro dia contou com palestras de professores universitários, técnicos extensionistas e especialistas do setor. Os produtores tiraram várias dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. 

João Luiz, por exemplo, era um dos mais interessados em ouvir os especialistas. A curiosidade não era por menos, já que ele tem um média propriedade em que trabalha com a criação de gado para o corte, e também busca diversificar a utilização da terra, por meio da agricultura. 

"O importante para mim e para os outros produtores é saber como funcionam esses sistemas integrados: qual o tipo de forrageira [espécie de planta que serve de alimento para o gado], que vai satisfazer melhor e a questão de quando vai acontecer o lucro, depois desses investimentos. Nós, que temos propriedade, já temos um certo conhecimento. Aí com essas informações dos especialistas, isso só tem a agregar na nossa atividade", destacou.  

 

Produtor rural faz perguntas durante o evento. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

TIME DE CAPINS 

Manoel dos Santos, professor de forragicultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), proferiu a palestra "Como ter um bom pasto diferido na seca?". Ele, que estuda plantas forrageiras, pastagens e processos de conservação da forragem, fez uma analogia com o futebol para explicar a importância de diversificar os tipos de capins para o alimento do boi.

"O time de futebol, por exemplo. Você tem uma equipe. Cada integrante dessa equipe possui uma determinada habilidade. Você tem um atacante, um zagueiro, o meio de campo, o goleiro... é a mesma coisa que o pecuarista deveria fazer, montar um time de capins: um capim que brota mais rápido, quando começar a chover; outro que cresce mais no meio do período das águas... então, se ele montar esse time de capins, seu sistema vai ter uma produção de forragem de alimentos mais estável ao longo dos meses do ano", explicou o especialista.

 

 Manoel dos Santos, professor de forragicultura da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

Para ele, eventos como esses proporcionam muito conhecimento, para que o produtor trabalhe com mais eficiência na sua fazenda. 

"Para fazer melhorias no sistema de produção, você tem que conhecer. Esse tipo de evento proporciona a possibilidade de sair daqui com um grau maior de conhecimento. Isso é a base para que ele possa chegar em sua propriedade e começar a colocar as tecnologias que vão resultar em melhorias na sua produção", enfatizou.  

Já para Leonora Goes, mestre em Ecologia e profissional sênior do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS) do Programa REM Mato Grosso, o evento traz de novidade as atualizações de tecnologias na área de integração pecuária-lavoura.  

 “O enfoque é o corpo técnico que atua no dia a dia do campo, dando assistência nas propriedades e trazendo inovação para a ponta. O evento tem apresentado não só na teoria, mas também mostra na prática, através de ensaios experimentais de campo, os benefícios produtivos da integração desses sistemas de produção”, elencou. 

 


 Leonora Goes, mestre em Ecologia e profissional sênior do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS)  - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 QUEBRANDO PRECONCEITOS

Renata Taques, coordenadora de marketing do programa de pesquisa e extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (AgriSciences), destacou que a Vitrine Tecnológica serve para desmistificar alguns preconceitos em relação à produção pecuária e mostrar que sim: é possível produzir commodities de maneira mais sustentável. 

"Hoje, muitas das pessoas que vivem na cidade, tem uma visão equivocada, de que a pecuária só agride o meio ambiente. Mas, o que o AgriSciences tem em seu DNA como atuação, é uma pecuária de baixo impacto de emissão de carbono. Uma pecuária que trabalha com sistemas integrados, que são tipos de culturas que manejam melhor o solo, que, a partir disso, consegue sequestrar mais carbono e gerar mais sustentabilidade", detalhou.  

 


Renata Taques, coordenadora de marketing do programa de pesquisa e extensão AgriSciences - Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

ORGANIZADORES DO EVENTO

O AgriScience é um dos organizadores do 4º Encontro Técnico de Atualizações, juntamente com a UFMT, Programa REM Mato Grosso, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

Sobre o que é o AgriSciences, Renata explica que se trata de um projeto de pesquisa e extensão  "que conecta o campo à cidade, de forma que a pesquisa e a ciência chegue até o produtor rural, com objetivo de melhorar cada vez mais a atuação da agricultura do país".

 


Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

MODELAGEM COMPUTACIONAL

Uma das pesquisas do projeto é financiada pelo REM MT, por meio do Subprograma  Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS). Trata-se da modelagem computacional, em que um software simula quais sementes de soja, milho e arroz se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região. A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção pecuária. Esse experimento ocorre na prática, na Fazenda Santa Sofia e será conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da Vitrine Tecnológica. 

"A gente coleta os dados dos experimentos, joga isso num modelo computacional e conseguimos fazer predições, para entender o quanto cada cultivo desse sistema vai ser benéfico, ou não, para a qualidade do solo, para a pegada hídrica, para ver o quanto de carbono vai ficar para o solo e o quanto que vai para atmosfera, ou seja: a gente consegue estudar a sustentabilidade a longo prazo, desses sistemas, a partir da coleta de dados desses experimentos, fazendo previsões futuras daqui há 10 ou 20 anos", explica Wininton da Silva, engenheiro agrônomo extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Winiton da Silva, extensionista da Empaer-MT. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

 

Segundo os especialistas, a modelagem computacional pode fornecer os arranjos corretos, garantindo o "aumento da qualidade do solo, o aumento de produtividade, sem aumento de custo de produção, e num enfoque para o produtor ter mais lucro, sem a necessidade de ter que desmatar novas áreas". 

 

PROGRAMAÇÃO INTENSA

O 4º Encontro Técnico de Atualização  segue com a programação de palestras nesta quinta (12) e sexta-feira (13). Já no sábado, ocorrerá o segundo evento, que será a 4ª Vitrine Tecnológica, onde os produtores vão presenciar na prática algumas das tecnologias que foram abordadas pelos especialistas, em especial, os experimentos de sistema integrado de lavoura-pecuária, que ocorrem na fazenda Santa Sofia, e que são apoiados pelo REM MT. 

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis / REM MT 

 

Mato Grosso é o estado com melhor desempenho na fiscalização de alertas de desmatamento florestal, de acordo com a primeira leva de levantamentos do Monitor da Fiscalização do Desmatamento - a mais nova plataforma online do MapBiomas, uma rede colaborativa formada por ONGs, universidades e empresas de tecnologia, com objetivo de preservar o meio ambiente.

Nessa primeira rodada foram analisados os alertas de desmatamento, produzidos pelo MapBioamas, em Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Pará e São Paulo. Um dos objetivos da plataforma é verificar quanto desses alertas foram fiscalizados pelos cinco estados, e Mato Grosso, de longe, está com o melhor desempenho, com 40,9% de área fiscalizada, de um total de 546, 3 mil hectares analisados. Em seguida vem Minas Gerais (34,6%), Goiás (24,8%), São Paulo (26,3%) e, por último, Pará, com apenas 9,8% de área fiscalizada com alertas de desmate. 

Para a coordenadora do Subprograma Fortalecimento Institucional do REM MT, Franciele Nascimento, o bom desempenho de Mato Grosso se deve aos investimentos promovidos pelo Governo do Estado nos últimos anos na prevenção e combate ao desmatamento ilegal, envolvendo os biômas da Amazônia, Cerrado e Pantanal. 

"O destaque de Mato Grosso com a melhor resposta de autuação/fiscalização dos alertas de desmatamento se deve primeiramente ao esforço dos Agentes de Fiscalização, tanto no planejamento como na execução e na incorporação como política de estado. E ainda ao Programa REM MT, que proporcionou condições de trabalho às equipes, com entrega de equipamentos, serviços e tecnologia de ponta", avalia a gestora. 

Uma das tecnologias proporcionadas pelo REM MT foi a aquisição de um sistema de satélites que permitiu o monitoramento em tempo real das áreas desmatadas no Estado. Tal fator, conforme Franciele, potencializou as ações de fiscalização dos agentes de campo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), e dos batalhões de Polícia Ambiental e de Emergências Ambientais, com aumento significativo de aplicação de multas, apreensões, embargos, interdições, entre outras medidas para impedir o dano ambiental. 

Sobre o Monitor da Fiscalização do Desmatamento, a gestora destaca que se trata de uma ferramenta fundamental, que tem objetivo de monitorar o desmatamento, bem com a resposta que o Poder Público está dando no combate aos  crimes ambientais

“Ter esses dados sistematizados e disponibilizados ao público é crucial para acabar com a sensação de impunidade. Além do mais, com a plataforma, a sociedade passa a acompanhar os alertas e a cobrar uma resposta mais efetiva do Poder Público no combate ao desmatamento ilegal”, enfatiza a coordenadora do Fortalecimento Institucional do REM MT.  

Aumento de 396%

Os dados do MapBiomas também dão uma noção da evolução da fiscalização da Sema-MT, antes e depois do Programa REM MT. Em 2018, quando o Programa ainda não estava em atividade, o Governo do Estado emitiu 850 infrações ambientais, relacionadas à destruição da vegetação nativa. Já no primeiro ano de atividades do REM MT, em 2019, as infrações subiram para 1.346; no segundo ano, mesmo diante da pandemia de Covid-19, houve a lavratura de 2.840 infrações. Mas, o auge mesmo ocorreu no ano passado, com o registro de 4.216 autos de infração ambiental. No total, entre 2018 e 2021, a Sema-MT aumentou em 396% seu poder de fiscalização, a partir do apoio do REM MT.

 

Por Marcio Camilo

O casal Wakinaguni e Maria Asao, da comunidade de Agrovila das Palmeiras, em Santo Antônio do Leverger (Cuiabá, a 86 km), só tinha uma coisa em mente: expandir mais e mais a produção de pepinos para serem comercializados em redes de supermercados na capital. Para isso, eles apostaram na agricultura convencional, com muita utilização de defensivos na lavoura. Por algum tempo deu certo. Os pepinos eram produzidos e vendidos aos montes. Eram caixas e mais caixas… Mas, chegou um momento em que a terra cansou e a grande produção começou a minguar. E isso fez com que eles entrassem num círculo vicioso de sempre precisar abrir novas áreas para sustentar a agricultura convencional.

O ponto de virada desta história veio com a chegada do projeto Campo à Mesa, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT. De agricultura convencional, eles passaram a trabalhar com os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que trouxeram, novamente, vida ao solo da propriedade.

“Estamos contentes com os resultados iniciais. O solo recuperou, deixamos de produzir pepinos, e hoje cultivamos diferentes culturas numa mesma área. É muito mais qualidade de vida para gente”, destaca Maria. 

O casal Asao está inserido num projeto que abrange oito comunidades rurais, situadas na Baixada Cuiabana e região Sul do Estado, e que tem promovido, nos pequenos agricultores e agricultoras, essa mudança cultural de perceber que existem formas mais sustentáveis de lidar com a terra, e, mesmo assim, garantir geração de renda e o sustento das famílias.


PLANTIO DIVERSIFICADO


Hoje, na propriedade dos Asao tem banana, mandioca, feijão guandú e de corda. Defensivos e fertilizantes químicos também deixaram de dar às caras por lá, pois o casal só trabalha agora com adubação verde - por meio do feijão guandú - e pó de rochas. O combate às pragas acontece de modo natural, devido à biodiversidade que se estabeleceu na área.

Apesar da expectativa de renda ser grande, o casal Asao, por outro lado, está ciente que mudanças como essas são gradativas, e os resultados começam a surgir a médio e longo prazo. “Tem que ter paciência, realmente. Mas, no aspecto de saúde, de mais qualidade de vida, a gente já consegue ver os resultados, gerados pelo SAFs”, afirma Wakinaguni Asao.

 

Asao mostra aos técnicos do REM MT em seu Sistema Agroflorestal. Foto: Marcio Camio/REMMT

 

MUDANÇA DE MENTALIDADE

“Olha o tamanho e vigor dessa bananeira! Isso em apenas três meses de SAF”, destacou Marcos Balbino, coordenador do Subprograma Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT. 

 

Pé de banana, de apenas 3 meses, se destaca em meio a plantação no sistema de SAFs. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

Ele, que participou do monitoramento do projeto Campo à Mesa, juntamente com representantes do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), se impressionou com a mudança de hábitos no local. “Me chama muito atenção essa mudança de mentalidade em relação à agricultura. Às pessoas começam a perceber que a natureza pode ser uma parceira de suas produções, e que isso pode gerar muito mais renda do que elas imaginam”, ressalta.

A mudança de mentalidade também chamou a atenção de João Melo, gerente dos projetos do REM MT no Funbio. Ele ressaltou que é muito gratificante ver os projetos pensados no escritório acontecendo na prática, e beneficiando centenas de famílias.

“Ver essa transformação de perto, que é a lógica do REM, a teoria da mudança. Ver que as pessoas estão querendo mudar a forma de produzir, estão querendo pensar de maneira sustentável e amigável com a terra, uma relação menos de exploração, de tirar tudo da terra, e mais de trocar, interagir entre as diferentes famílias e com espaço para a natureza”, avalia o gestor.

 

João Melo (de boné), do Funbio, participa de monitoramento do projeto “Do Campo à Mesa”. Foto: Marcio Camilo/REM MT 

 

DA CIDADE PARA O CAMPO

Outro caso de agricultor que decidiu iniciar uma SAF foi José da Silva. Para ajudar a mãe, depois da morte do pai, ele deixou o emprego de eletricista que tinha em Cuiabá e foi para o campo com a esposa e filhos. Os primeiros anos no assentamento Dorcelina Folador, em Várzea Grande, não foram nada fáceis: “O que a gente plantava não ia, não vingava”. Mas, a partir do auxílio do projeto Do Campo à Mesa, as coisas começaram a mudar.

“Olha, inicialmente, eu não acreditei muito. Eu me perguntava: ‘que negócio é esse de plantar um monte de espécies misturadas, e, ainda por cima, junto com o mato, sem fazer o roçado’. Mas, aos poucos, a partir das orientações dos técnicos, fui percebendo que dava certo mesmo. Hoje mantenho 80% da minha área preservada”, diz Silva orgulhoso.

 

José da Silva deixou a vida na cidade para ajudar a mãe no campo. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

AS ABÓBORAS DE JOSELITA

Quem também está feliz da vida com o seu SAF é Joselita Alcântara, moradora do assentamento Dorcelina Folador. Ela vive compartilhando nas redes sociais as dezenas de abóboras que colhe junto com o marido, do SAF que foi criado em seu quintal, a partir do projeto Campo à Mesa.

O tamanho e quantidade de abóboras impressiona. Mas, também não é por menos. Elas são cultivadas em uma área rica em biodiversidade, que conta com pés de babaçu, pequi, aroeira, baru, jatobá e mangaba, além de tantas outras árvores nativas do Cerrado.

O convívio entre diferentes espécies, proporciona um solo rico de nutrientes para que os pés de abóboras de Joselita se espalhem pelo quintal, e garantam renda para a família. “No meu SAF também tem mamão, banana, caju, limão, quiabo, feijão andu e de corda. Estou muito feliz com esse apoio do REM [MT] e do Campo à Mesa”, destaca Joselita.

 

Abóboras de Joselita já são famosas na região. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

SEGURANÇA ALIMENTAR

Para o coordenador do projeto Campo à Mesa e professor da Faculdade de Agronomia e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Henderson Nobre, os Sistemas Agroflorestais Florestais (SAFs) reúnem culturas agrícolas em consórcio com as espécies nativas que integram a floresta. Toda essa interação, conforme o professor, mantém a floresta em pé e gera renda às famílias durante o ano inteiro.

“Você têm espécies nativas e frutíferas, tudo numa mesma área, e com isso ocorre o aumento da produtividade, porque há culturas de diferentes hábitos e de tempo de crescimento. Então, enquanto as espécies arbóreas e frutíferas não produzem, você tem as culturas anuais, as espécies perenes, e tudo isso, vai chegar lá no final, trazendo segurança alimentar e aumento de renda para os agricultores familiares”, explica. 

 

Professor Henderson Nobre (no canto à direita), coordenador Do Campo à Mesa. Foto: Marcio Camilo/REM MT

 

O PROJETO

O Campo à Mesa: “fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis em redes de cooperação solidária”, é um projeto de pesquisa e extensão desenvolvido por professores e professoras da UFMT, e que tem a sua gestão executiva, administrativa e financeira tocada pela Uniselva - Fundação de Apoio e Desenvolvimento da UFMT e pelo Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT).

O projeto é financiado pelo Programa REM Mato Grosso e concentra seu trabalho em 10 municípios da baixada cuiabana e da região Sul do Estado, envolvendo famílias em assentos de reforma agrária, reassentamentos e em territórios indígenas. Alguns desses municípios são: Acorizal, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Santo Antônio de Leverger e Várzea Grande.

 

Roda de conversa de agricultores participantes Do Campo à Mesa. Foto: Marcio Camilo/REM MT

Ao todo, REM MT investe R$ 1,4 milhão para desenvolver as atividades do Campo à Mesa, que são baseadas em quatro eixos de atuação: a organização social dos grupos; a transição agroecológica, por meio dos SAFs; a agroindustrialização; e a comercialização, propriamente dita.

“É por isso que a gente chama do Campo à Mesa: vai desde o processo de organização das famílias, até a comercialização do produto lá no consumidor final, que vai estar na cidade”, acrescenta Henderson.

O projeto também é acompanhado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que é o gestor financeiro do REM MT.

 

 

Por Márcio Camilo 

Ser mãe, professora e liderança indígena não são tarefas fáceis. Tem que acordar a criançada pra tomar café, arrumá-las, levar na escola… Depois, é o dia inteiro lecionando português, matemática, geografia, história e filosofia para alunos do ensino infantil até o Médio. E, em algumas noites, ainda têm as reuniões da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt).

Em síntese, essa é a rotina de Walmem Kalapalo Negarotê: liderança indígena, mas, acima de tudo, mãe da Wayune (de um ano), da Wemmy (quatro anos) e do Lucas, de oito anos. Em homenagem ao Dia das Mães (8 de maio), o Programa REM Mato Grosso fez uma videoconferência para entrevistar essa importante personalidade do povo Negarotê, que atua como conselheira da regional da Fepoimt Vale do Guaporé, no município de Comodoro (638 km de Cuiabá), região Noroeste de Mato Grosso.

Lá o desafio é grande, tendo em vista que ela ajuda na administração das demandas de cerca de 600 famílias, envolvendo as etnias Chiquitano e Nambikwara. Walmem, entretanto, não reclama, porque entende a importância de prestar apoio e colaborar para melhorar a vida de tanta gente.

 

Wamen cumprindo sua jornada de professora na TI Vale do Guaporé. Foto: Arquivo Pessoal

“Esse projeto é uma oportunidade que os povos indígenas têm de trazer melhorias importantes para as suas comunidades. E é por isso que a gente se dedica. Estamos aqui, trabalhando firme, em parceria com a aglutinadora”, destaca.

O projeto mencionado pela liderança trata-se de uma parceria da Fepoimt com o Programa REM Mato Grosso, por meio de seu Subprograma Territórios Indígenas (STI). Juntas, às entidades desenvolveram o Plano de Enfrentamento à Covid-19 nas aldeias, que nos últimos dois anos desenvolveu uma série de ações socioambientais para atender os povos indígenas, em questões como: segurança alimentar, comunicação, fortalecimento da medicina tradicional, apoio ao Distrito Sanitario Especial (DSEIs) e combate aos incêndios florestais nos territórios. Já a aglutinadora, também citada por Walmem, é o Instituto Centro de Vida: uma organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que ajuda a Fepoimt a executar parte dos projetos socioambientais, financiados pelo REM MT.

Walmem durante as reuniões virtuais da Fepoimt. Foto: Arquivo Pessoal

Na regional que Walmem atende, por exemplo, os povos da Terra Indígena Vale do Guaporé, recentemente foram contemplados pelo plano com 10 motocicletas, que já estão servindo para o escoamento da produção que vem das roças comunitárias dos indígenas. Produtos como: mandioca, batata, cana de açúcar e abóbora têm sido comercializados na região, e isso tem gerado incremento na renda das famílias. Antes das motos, a logística de transporte dos alimentos era bem mais complicada.

“Todos os lugares têm suas dificuldades e a chegada das motos facilitou muito para sair para a rua, e, ao mesmo tempo, levar produtos pra vender, e fazer a troca com outros alimentos”, acrescentou.


Já para o povo Nambikwara (Katitãuhlu), uma das demandas mais importantes é a reforma da casa de estocar o milho, que nos próprios relatos dos indígenas, “está caindo aos pedaços”. Com a precariedade, os alimentos não são armazenados devidamente, correndo risco de estragar mais rápido. Mas, essa realidade mudará em breve, já que os indígenas conseguiram solicitar, por meio do plano emergencial (REM MT/Fepoimt), a reforma no espaço, que na prática vai se transformar num armazém moderno, projetado para estocar devidamente os alimentos.

Walmem ressalta que os projetos estão acontecendo, e o trabalho da Fepoimt, do REM MT e das aglutinadoras têm sido importante para desenvolver essas ações lá na ponta. Mas, é um trabalho que envolve viagens e reuniões, cujas deliberações podem render conversas de até três horas de duração. Por isso, ela também conta com o apoio da família, e principalmente do “maridão”, que é seu parceiro a toda hora.



“Eu trabalho [na escola] no período da manhã e, alguns dias à tarde, com outra turma. E, de uma hora pra outra, as tarefas chegam do nada e começam a acumular, e aí é aquela correria. Quando estou em viagem as crianças ficam com o meu marido, às vezes com a sogra ou com a minha mãe. Eu viajo com a mais pequena [Wayune]. Já o maior [Lucas] sempre fica com ele [marido]”, detalhou a liderança Negarotê, durante a videoconferência com o REM MT, enquanto o marido ninava pela casa a filha de um aninho do casal.

 

Walmem com a filha mais nova durante uma reunião da Governança Indígena do REM MT. Foto: Arquivo Pessoal

 

‘GOSTO DO CHEIRO DO CABELO DELA’

Os filhos de Walmem, Wemmy e Lucas Negarotê, fizeram uma participação especial durante a entrevista. Apesar de bastante acanhados, eles falaram um pouco sobre as coisas que mais gostam da mamãe, e de fazer com ela.


“Gosto do macarrão que ela faz e do cheiro do cabelo dela”, disse a pequena Wemmy, enquanto penteava os longos cabelos pretos e lisos da mãe. “Também gosto dos brincos que ela faz”, completou, ao mostrar vários tipos de brincos, feitos com penas de arara e sementes de olho de cabra, que estavam adornando o ambiente.


Já Lucas disse que gosta muito de fazer pão e bolo com a mãe. Outra coisa divertida é ir ao supermercado com ela para comprar achocolatado, mas, principalmente, a ração do seu gatinho rajado. “Ele disse que o gato tem que aparecer na reportagem também. Ele adora gatos”, enfatizou a mãe coruja.

 

Lucas com o seu gatinho. Foto: Arquivo Pessoal

 

NANTERU

Foto: Arquivo Pessoal

 

No idioma Negarotê, a palavra mãe é traduzida como “Nanteru”. Na tradição desse povo, as mães são as responsáveis por ensinar os ofícios da comunidade aos mais jovens. Por isso, desde bem pequenos, as crianças acompanham as mães nos afazeres da roça. A ideia é que eles fiquem observando para que um dia, na ausência delas, possam fazer as atividades por conta própria.

“E aos poucos, com o passar do tempo, de observadores, os filhos e as filhas começam a pôr a mão na massa, a plantar ou colher mandioca, por exemplo. As Nanteru, na sociedade Negarotê, são a base de toda educação, pois são elas que preparam as crianças e os jovens das aldeias para a vida adulta”, afirma Walmem.

 

Por Márcio Camilo

Chegou a vez dos projetos que fomentam as cadeias de valor de produtos da sociobiodiversidade receberem apoio financeiro para potencializar suas atividades. Por isso, se você trabalha com Castanha do Brasil, Babaçu, Açai, Pequi, Cumbarú, Sementes Florestais, Borracha natural, leite, produtos extrativistas, produtos florestais não madeireiros, fruticultura, culturas perenes e apicultura, atenção! Entre os dias 18 março a 17 abril de 2022, o Programa REM MT vai estar realizando uma chamada de projetos, por meio de uma manifestação de interesse, onde serão destinados recursos a partir de R$300.000 para cada construção de projetos, totalizando R$23,5 milhões.

 

 

Vale ressaltar que a chamada não se restringe só aos produtos da sociobiodiversidade. Também podem participar projetos que envolvam outras cadeias produtivas, apoiadas pelo Subprograma AFPCT, do REM MT, como a cadeia do leite, produtos extrativistas, produtos florestais não madeireiros, fruticultura, culturas perenes e apicultura. 

"Os produtos do extrativismo são prioritários, pois são os que mais contribuem com a manutenção da floresta em pé, ao mesmo tempo em que geram renda às famílias. Mas, isso não impede que as organizações manifestem interesse em outras culturas, como as cadeias de valor do leite, café, cacau, banana, citrus, cultivos perenes, apicultura e meliponicultura", enfatiza Marcos Balbino, coordenador do Subprograma AFPCT, do REM MT.

 

QUEM PODE PARTICIPAR

Podem participar da iniciativa, organizações formalizadas ou grupo de produtores com representação comprovada junto aos beneficiários finais (agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais ou povos indígenas localizados em Mato Grosso).

Agricultura segura castanhas nas mãos. Crédito: REM MT 

COMO PARTICIPAR

As organizações socioambientais interessadas em participar devem preencher um formulário e enviar as Manifestações de Interesse ao Fundo Brasileiro para a Biodiversidade até o dia 17 de abril de 2022.  As organizações selecionadas vão receber o apoio de consultores para elaborar um Plano de Gestão de Cadeia de Valor da Sociobiodiversidade (PGCdV). Depois destas etapas, a organização vai começar a receber os recursos e terão suas atividades acompanhadas. 

 

"O REM MT buscou ao máximo simplificar essa nova chamada, para que os pequenos também possam participar. A Manifestação de Interesse é um formulário bem simples, justamente com esse intuito de envolver as associações que trabalhem com os produtos da socieodiversidade", reforça o gestor.   

RECURSOS

Os recursos para as chamadas de projetos da AFPCT do REM MT vem do Governo Alemão, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW) e pelo Governo do Reino Unido, através do Departamento Britânico para Energia e Estratégia Industrial (BEIS). Os recursos são geridos pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – FUNBIO. 

 

 

SERVIÇO
O que: Manifestação de interesse para Edital

Quando: De 18 março a 17 abril
Inscrições: site do funbio

Informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou https://manifestacaodeinteresse.com.br/

 

Por Marcio Camilo - REM MT



  

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