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Técnicos, produtores rurais e estudantes de Juara e região (a 693,9 km da capital) tiveram a oportunidade de conferir na prática as principais soluções tecnológicas do mercado, visando uma produção agropecuária mais sustentável, neste último sábado (14.05). A atividade fez parte do Dia de Campo, do evento 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, e foi realizada na Fazenda Santa Sofia.

Para Elcio Sguario Muchalak, 57 anos, proprietário da Fazenda Santa Sofia, o evento trouxe conhecimento para toda região. Segundo ele, o objetivo é fazer novos encontros para que a ideia de sistemas de produção integrados (lavoura e pecuária) se espalhe mais entre os produtores.

“A ideia é expandir. A partir desse evento, com essas pessoas que vieram, elas vão divulgar os próximos, e, de repente, tá todo mundo sabendo”, acredita o produtor rural, cujo pai ajudou a fundar a cidade de Juara.

Elcio Sguario Muchalak, dono da Fazenda Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Para Beatriz Costa, técnica em agropecuária, o evento foi importante, porque trouxe para Juara e região o que há de mais novo sobre os sistemas de criação e de cultivo. Segundo ela, tratam-se de pontos centrais devido à própria evolução econômica da região, que começou com a extração de madeira, na década de 1960, depois a pecuária, e, atualmente, na intensificação da parte de lavoura. Ela ressaltou ainda que o Dia de Campo também serviu para abrir uma nova perspectiva para a cidade: de não ser reconhecida apenas como a "Capital do gado".

"Então, quem sabe, a gente não consegue integrar a lavoura e a pecuária? E ser uma grande potência do Estado, nesse sentido? Todas as áreas - pecuária, agricultura e preservação ambiental - se completam", enfatizou a técnica.

A técnica em agropecuária Beatriz Costa foi uma das participantes do Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

ENSAIOS EXPERIMENTAIS

Os anseios de Beatriz estão em sintonia com o trabalho que o programa de pesquisa e extensão AgriSciences desenvolve na Fazenda Santa Sofia, onde ocorreu o Dia de Campo. No local, os presentes puderam ver ensaios experimentais de integração lavoura-pecuária, que estão sendo desenvolvidos pelo programa. A ideia é que o trabalho se torne referência não só em Juara, como no Estado todo.


"Hoje, a gente expandiu os ensaios diante das demandas dos produtores nessa unidade demonstrativa (Fazenda Santa Sofia). Estamos localizados num produtor, formador de opinião, líder na região e receptivo a mudanças. Diante disso, os ensaios propostos no início - desde o uso de novos materiais genéticos de forrageiras, integração de sistemas com culturas anuais, como o milho e a soja - foram ampliados, de certa forma, incluindo culturas, como a do sorgo, cana de açúcar, o componente florestal, testando diferentes clones, que, até então, não foram avaliados em Mato Grosso. Isso tudo para que a gente possa ter uma diversidade maior de culturas, na perspectiva de diversificação, não só, do sistema de produção, mas de renda para o produtor rural", salientou Daniel Carneiro de Abreu, engenheiro agrônomo, professor da UFMT e coordenador do AgriSciences.

Professor Daniel de Abreu, coordenador do AgriSciences. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

O projeto é apoiado pelo REM MT, por meio do seu subprograma Produção, Inovação e Mercados Sustentáveis (PIMS), dentro do eixo “Pecuária Sustentável”.

Nesse sentido, o REM MT é um dos financiadores do AgriSciences, especificamente do projeto de modelagem computacional, em que um software simula quais sementes, a exemplo da soja e do milho, se adaptam melhor ao clima e ao solo de uma determinada região.

A ideia é desenvolver sementes híbridas e integrá-las à produção agropecuária. Esse experimento ocorre na prática na Fazenda Santa Sofia e foi conferido de perto, no sábado (14.05), pelos participantes da do Dia de Campo (4ª Vitrine Tecnológica Agrícola).

Pesquisador explica um dos ensaios experimentais na Fazenda Santa Sofia, durante o Dia de Campo. Foto: Fernanda Fidelis/ REM MT

MERCADO EXIGENTE

Para Daniela Melo, coordenadora do PIMS/REM MT, eventos como este ajudam a pensar numa agropecuária mais sustentável e alinhada com as exigências ambientais do mercado internacional, fatores relevantes para alavancar positivamente as commodities de Mato Grosso, como soja e carne.

“Além disso, são propostas que vão ao encontro dos objetivos do REM MT, que é preservar as florestas do Estado, mantendo a intensidade da produção, sem incorporação de novas áreas e, ao mesmo tempo, gerando baixo impacto ambiental, com a redução das emissões dos gases de efeito estufa (gee)”, destacou a coordenadora.


Coordenadora do PIMS/REM MT, Daniela Melo. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

ACESSO À TECNOLOGIA

Pamela Rubio é técnica extensionista do escritório da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), no município de Canaã do Norte, regional de Alta Floresta. Para ela, o Dia de Campo aproxima a tecnologia do pequeno e médio produtor, que, normalmente, não tem acesso a esse tipo de informação.

Ela destacou que os extensionistas têm o papel de auxiliar aqueles produtores que não possuem condições financeiras para pagar por uma assistência técnica. E que nesse sentido, eventos como esse abordam tratativas "que a gente vive no campo". "Os técnicos conseguem ter muito conhecimento através desses eventos, para estar levando aos produtores", reforçou.

Técnica extensionista da Empaer-MT, Pâmela Rubio. Foto: Fernanda Fidelis/REM M

PALESTRA

O Dia de Campo também contou com a palestra "A Importância da Diversidade de Plantas na Agricultura Tropical e seus Conceitos", proferida por José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP/Fazenda Capuaba).

Na oportunidade, ele falou sobre a importância do produtor proteger o solo durante o ano inteiro. "A proteção constante do solo não é jogar só uma palhazinha. É proteger o solo durante 360 dias. Ou com uma cultura em desenvolvimento (espécies forrageiras) ou com uma massa orgânica. Isso é fundamental", ressaltou aos presentes na Vitrine Tecnológica.

Palestrante José Eduardo, especialista da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

4º ENCONTRO

Além do Dia de Campo, os técnicos e produtores participaram da 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola, realizada entre os dias 11, 12 e 13 de maio, no Centro de Eventos Savoine, também em Juara.

Na oportunidade, eles puderam tirar dúvidas sobre como melhorar a produção em equilíbrio com a natureza. Palestraram no evento algumas das principais referências no setor, a exemplo do pesquisador e ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2007, Rattan Lal. Aos produtores presentes, ele falou sobre o uso correto da terra/solo e sobre como isso pode ajudar nos problemas globais. A conversa foi realizada por meio de uma vídeo-palestra. 

Evento do 4º Encontro Técnico de Atualização que antecedeu o Dia de Campo, na Fazenda
Santa Sofia. Foto: Fernanda Fidelis/REM MT

Tanto o 4º Encontro Técnico de Atualização, como o Dia de Campo - 4ª Vitrine Tecnológica Agrícola -, foram realizados pelo AgriScience, em parceira com o REM MT, Fazenda Santa Sofia, Projeto Rural Sustentável e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT).

 

Por Marcio Camilo e Fernanda Fidelis
Edição: Mariana Vianna

Pesquisadores Mato-grossenses divulgaram em universidades dos Estados Unidos (EUA) os primeiros resultados de uma pesquisa que propõe tornar a produção de commodities mais sustentável em Mato Grosso. Trata-se do projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto”, desenvolvido pelo programa de pesquisa AgriSciences, que usa um software que simula qual tipo de planta é mais adaptável ao ambiente. A iniciativa é financiada pelo Programa REM Mato Grosso (do português, REDD para Pioneiros).

Estiveram à frente da viagem aos EUA, o doutor Wininton Mendes, da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Empaer-MT) e o professor doutor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e coordenador do Programa AgriSciences, Daniel de Abreu. Os dois tiveram agendas importantes em Washington (DC), com diretores do Banco Mundial e um representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A primeira parada da viagem foi no Campo Experimental da Universidade de Minnesota. Na oportunidade, Daniel e Winiton promoveram uma palestra aos pesquisadores norte-americanos sobre a modelagem computacional que está sendo feita na fazenda Santa Sofia, no município de Juara, Noroeste de Mato Grosso (bioma amazônico). Por lá, a tecnologia é utilizada para fazer experimentos com sementes híbridas de soja, milho e arroz e integrar essas culturas à produção pecuária.

Wininton detalha que a modelagem computacional permite simular quais sementes se adaptam melhor ao clima e o solo de uma determinada região. Nesse sentido, os trabalhos conduzidos na região Noroeste de Mato Grosso têm mostrado resultados promissores.

“A qualidade do solo na produtividade das culturas em sistemas de integração envolvendo soja-milho e produção de forragem é uma delas”, salienta o pesquisador. 

 

Pesquisadores da Empaer e da UFMT com a equipe da Universidade de Minnesota. Crédito: Empaer

 

Tanto Wininton quanto Daniel reforçaram durante a palestra a necessidade de mais investimentos em pesquisa, transferência de tecnologia e extensão rural neste tema, sobretudo em Juara, por ser uma região de expansão da agricultura em área de pecuária e com bastante demanda por informações técnico-científicas, que visam o uso eficiente de insumos e recursos para garantir maior produtividade das áreas de forma mais sustentável.

Após a apresentação da palestra, os pesquisadores visitaram uma propriedade rural, onde puderam entender os desafios enfrentados pelos produtores da região de Minnesota na atividade de produção agrícola e pecuária.

Durante a viagem, os pesquisadores mato-grossenses passaram por pelo menos cinco estados diferentes, onde visitaram centros de pesquisas e fazendas-modelo em produção sustentável, além de terem dialogado com pesquisadores e professores do ramo. Os estados visitados foram:  Wisconsin, Ohio, Georgia, Mississippi e Flórida.

BANCO MUNDIAL E INTERAMERICANO

Já com relação às reuniões com representantes do Banco Mundial e Interamericano de Desenvolvimento, o professor Daniel de Abreu destacou que o principal objetivo foi mostrar como Mato Grosso tem trabalhado em prol do desenvolvimento sustentável,“especificamente, na intensificação do setor agropecuário”.

 

“Para Mato Grosso, está sendo imposto esse grande desafio, que é a produção de conhecimento para que possamos fomentar, de forma organizada, a tecnologia, a inovação e, principalmente, inclusão social. Todos esses conceitos devem estar alinhados dentro de um modelo de desenvolvimento sustentável. São ações que almejamos, não apenas para a nossa região [Juara], mas também para as outras que circundam o nosso estado”, avaliou o coordenador da AgriSciences.


AGRISCIENCES


O projeto “Estimativa de cenários sustentáveis por meio de modelagem computacional e sensoriamento remoto” faz parte da chamada 08/2020, do Eixo Inovação em Cadeias de Commodities, do Subprograma PIMS do REM MT. O projeto também conta com a parceria de instituições internacionais como as universidades de Minnesta e Ohio, nos Estados Unidos. Essas universidades ajudam na condução das ações e desenvolvimento de atividades do AgriSciences. 

“Esse projeto é um bom exemplo do que a gente quer nesse eixo de Inovação do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), do REM MT, que é justamente disseminar tecnologia capaz de melhorar a eficiência do produtor, reduzir a pressão por desmatamento, otimizar o uso de insumos e reduzir de emissões de gases que agravam o efeito estufa”, comemora Fernando Sampaio, coordenador-adjunto do REM MT.


Fazenda Santa Sofia, em Juara, onde ocorrem os experimentos de integração lavoura-pecuária através da modelagem computacional. Crédito: AgriSciences


Quem também ressalta a importância do trabalho é a coordenadora do PIMS, Daniela Melo. Ela explica que o “projeto auxiliará na divulgação de tecnologias inovadoras para os produtores, sendo estas consonantes com a realidade da região”.

Ao todo, o REM MT investe R$ 999.594,60 no projeto do AgriSciences, que tem como proponente a Fundação de Apoio e Desenvolvimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - Fundação Uniselva.

 

Por Márcio Camilo

O REM Mato Grosso (do inglês REDD para Pioneiros) e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer MT), promovem, entre os dias 05 de abril e 05 de maio de 2022, todas às terças e quintas, das 8h às 10h, o Curso de Restauração Ecológica para técnicos e técnicas da Empaer.  

 

Além de ser inteiramente online, a capacitação ficará disponível a todos os técnicos da Empaer, e não somente àqueles que já atuam no PIMS. Ao todo, há apenas 200 vagas disponíveis e as inscrições podem ser feitas clicando AQUI

 

PROGRAMAÇÃO

Na capacitação, os extensionistas da Empaer irão aprender técnicas que contribuem para adaptar os sistemas produtivos às novas condições do clima e promover a economia florestal, em especial, no setor agropecuário, que faz parte de um dos eixos do PIMS. Essa economia acontece quando o produtor rural também utiliza a sua área de pastagem em consórcio com produtos de madeira de espécies nativas, de produtos não madeireiros - como frutas, castanhas e sementes - que são reflorestadas para combater o destamento ilegal, e ao mesmo tempo, gerar renda às famílias do campo.  

 

 

Na agropecuária, restaurações ecológicas podem recuperar o solo, melhorar o clima, a qualidade das águas e proteger a biodiversidade. Um dos exemplos desse tipo de trabalho, que visa recuperar Áreas de Preservação Permanente (beiras de córregos e rios), é a técnica da “Muvuca” ou semeadura direta: uma mistura de diferentes sementes nativas que são plantadas ao mesmo tempo, como forma de imitar o plantio orgânico da floresta. Saiba mais AQUI


SERVIÇO

O que: Curso de Restauração Ecológica
Público: Técnicos e técnicas da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer MT)
Quando: 05 de abril e 05 de maio de 2022, todas às terças e quintas, das 8h às 10h
Onde: Plataforma online Google Meet
Preço: gratuito
Inscrições: https://forms.gle/D2B4kbdzidWk3Atv7

 

 


Por Marcio Camilo / REM MT





Políticas públicas e privadas buscam sinergias de projetos em oito municípios da região noroeste do estado

 Marcio Camilo/Comunicação REM MT 

Identificar sinergias para alavancar a produção sustentável de pecuária de corte na região noroeste de Mato Grosso. Esse foi o objetivo do workshop organizado, no último dia 6 de junho, pelo Programa REM MT e o Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI).

Participaram do evento virtual, a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), o frigorífico Marfrig, Instituto PCI, Programa REM MT, NatCap, Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC), Associação dos Criadores de Mato Grosso (ACRIMAT) e o IDH (The Sustainable Trade Initiative), sendo este último uma organização Holandesa voltada para produção e comércio sustentável.

Durante a reunião, houveram apresentações do Instituto PCI, NatCap, Empaer-MT e IMAC. Posteriormente, iniciou-se uma sessão de discussão na qual os representantes da Marfrig, ACRIMAT, REM-MT e IDH fizeram contribuições e sugestões. Em termos gerais, os participantes demonstraram satisfação sobre os trabalhos realizados e interesse em aprofundar ações de forma a dar escala aos projetos de Ater [Assistência Técnica de Extensão Rural] na região noroeste. O objetivo final é tornar a região uma referência em produção sustentável na pecuária de corte, aliando produção de qualidade e renda à agricultores familiares aliado a conservação de florestas.

O programa REM MT, por meio do Subprograma Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis (PIMS), foi citado em um projeto cujo objetivo é a reinserção de produtores bloqueados em detrimento as áreas embargadas por desmatamento ilegal. A ação é desenvolvida em pelo o Instituto Mato-grossense da Carne tendo como parceiro o Ministério Público Federal (MPF-MT).

Outra ação financiada pelo REM MT é a parceria com a Empaer-MT cujo objetivo é oferecer ATER pública para 1.950 produtores de pequeno e médio porte especializadas na cria de bezerros. O objetivo é aumentar a produtividade da pecuária de corte aliado a restauração de passivos ambientais e desmatamento zero. Os produtores estão localizados em oito municípios da região noroeste: Aripuanã, Castanheira, Colniza, Cotriguaçu, Juara, Juína, Juruena e Nova Bandeirantes.

Já a Marfrig, uma das maiores empresas de proteína animal do mundo, destacou no workshop que investe cerca de R$ 30 milhões em projetos relacionados a sustentabilidade da cadeia bovina. A empresa possui metas de zerar o desmatamento até 2030 através de diversas ações incluindo a produção sustentável de bezerros. Entre as ações estão a implementação do Código Florestal, incentivo a intensificação de pastagens e práticas ILPF [Intensificação Lavoura, Pecuária, Floresta], bem como ferramentas de rastreabilidade e monitoramento de fornecedores indiretos. De acordo com o Diretor de Sustentabilidade Paulo Pianez, “os trabalhos apresentados no workshop dialogam perfeitamente bem com o Programa Produção Sustentável de Bezerros, e, portanto, existe interesse em aprofundar conversas na região”.

Se as ações forem concretizadas, existe a oportunidade da Marfrig e outros frigoríficos na região comprarem animais de fazendas regularizadas, aumentando a oferta de carne sustentável na região e contribuindo com as metas de produção sustentável, conservação e inclusão da estratégia Produzir, Conservar e Incluir. 

“A reunião foi para a gente se conectar, saber o que cada um está fazendo, até para que a própria produção do REM e da PCI possam acessar esse tipo de mercado. Esse é um dos objetivos do subprograma (PIMs), que é ampliar o acesso desses produtores [inseridos na pecuária sustentável] ao mercado”, destacou Fernando Sampaio, diretor Executivo da PCI e coordenador adjunto do REM MT.

Contexto 

O Subprograma de Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis do REM MT e o PCI  buscam parceiros para incentivar práticas mais sustentáveis no noroeste do estado, região responsável pela produção de 230 mil toneladas de carne (ou 10% da produção do estado), mas também importante para criação de bezerros – atividade predominante na região. 

Em um curto prazo, espera-se que o Brasil se torne o maior produtor de carne bovina do mundo, superando, inclusive os EUA. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), o nosso país é responsável por 17% da produção total da carne bovina no mundo; e de acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a cadeia produtiva brasileira da carne movimenta R$ 167,5 bilhões/ano – gerando cerca de 7 milhões de empregos.

Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do Brasil com pouco mais de 30 milhões de animais, sendo estes distribuídos em 23 milhões de hectares (equivalente a 25% do território).

No entanto, o mercado tem sido exigente em relação a critérios socioambientais nas cadeias produtivas, especialmente a cadeia da carne. A região noroeste foi identificada pelo Programa REM como prioritária para atuação no fomento à pecuária sustentável, justamente por ser onde houve expressivo crescimento de rebanho e áreas de pastagens, mas também de desmatamento. 

Foi neste contexto que o REM MT e o PCI organizaram o workshop, tendo em vista a força da atividade pecuária no estado.

Projeto pretende fazer da propriedade referência em pesquisa e produção da fruta em Mato Grosso, para os próximos anos

Marcio Camilo/ Comunicação REM MT

Chegaram, na madrugada desta sexta-feira (21), as 400 mudas de limão que serão plantadas no sítio de Ademilson Bento de Santana. A propriedade trata-se da Unidade de Referência Técnica (URT) no município de Jangada (MT), que foi escolhida por meio de um projeto do Programa REM Mato Grosso em parceria com a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). O REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é um projeto internacional, executado pelo Governo do Estado, que financia países e estados que se comprometem e eliminar o desmatamento ilegal, bem como reduzir as emissões de CO2 no planeta que agravam o efeito estufa.

“É uma satisfação muito grande receber essas mudas. É a coroação de um trabalho que começou lá atrás, há um ano”, recorda Edgar Bento, extensionista da Empaer que desenvolveu o projeto da URT de Jangada, no sítio do produtor Ademilson.

Ele disse que as mudas devem ser plantadas ainda neste mês, a partir da semana que vem. A remessa chegou na unidade local da Empaer em Jangada de um viveiro de São Paulo, por volta das 6 horas desta sexta (21): “As mudas são de excelente qualidade, vindas de um viveiro de referência nacional, que possui certificação do Mapa [Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento]”, comemora Edgar.

O sítio do produtor Ademilson foi retratado na segunda reportagem da série especial que o REM MT produz sobre as URTs no estado.

A propriedade está inserida no Subprograma de Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs) do REM MT. No projeto, além das 400 mudas de limão, o sítio foi contemplado com fornecimento de adubos, calcário, sistema de irrigação e outros insumos.

Com os investimentos que estão sendo realizado, espera-se que a propriedade produza 20 toneladas de limão nos próximos anos, e se torne uma referência do produto para todo estado. “Referência tanto de produção quanto de pesquisa da fruta”, salienta Edgar.

O limão de seu Ademilson tem potencial para abastecer toda baixada cuiabana – uma das regiões de maior densidade demográfica do estado que concentra 14 municípios. Atualmente, 90% do que é comercializado da fruta na baixada cuiabana vem de fora de Mato Grosso.


Técnico da Empaer, Edgar Bento, recebe as mudas em Jangada/ Foto: Empaer

“É uma região onde concentra a grande parte do público consumidor de Mato Grosso. E muitos desses produtos, no caso do limão e outros, acabam vindo de outros estados. Então você tem um mercado consumidor próprio e você tem dificuldades de organizar a produção, que por sua vez sustentaria essas cidades. Nesse sentido a gente incentiva eles [agricultores familiares] e mostra que é possível produzir aqui perto”, ressalta Marcos Balbino, o coordenador do Subprograma de Agricultura Familiar e de Comunidade e Povos Tradicionais do REM. 

A propriedade de Ademilson em Jangada faz parte de uma rede de 20 URTs que são apoiadas pelo REM nos territórios "Baixada Cuiabana", "Noroeste" e “Portal da Amazônia”. Essas unidades servem de modelo de produção sustentável para mais de três mil famílias da agricultura familiar atendidas pela Empaer no programa.

No caso do sítio de Ademilson, ela compõe uma das cinco URTs da Baixada Cuiabana. Já as demais (15) estão distribuídas nos outros dois territórios do Subprograma de Agricultura Familiar e de Comunidade e Povos Tradicionais do REM. 

Sobre o Programa REM MT

O Programa REM MT (do inglês, REDD para Pioneiros) é uma premiação ao Estado do Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento nos últimos 10 anos. A cooperação internacional dos governos do Reino Unido e da Alemanha doam recursos por meio do BEIS e do Banco de Desenvolvimento Alemão (KfW) para o Programa que aplica em ações de conservação da floresta a fim de reduzir emissões de CO2 no planeta. Para isso, beneficia diretamente iniciativas que contribuem para reduzir o desmatamento, estimular a agricultura de baixo carbono e apoiar povos indígenas e comunidades tradicionais.

É coordenado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Saiba mais sobre o Programa REM MT em: https://remmt.com.br/

Confira as reportagens da série especial sobre as URTs:

Programa REM MT transforma a vida de pequenos agricultores no interior do Estado 

Produção sustentável pode render 20 toneladas de limão ao ano em Jangada

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