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GOVERNANÇA INDÍGENA: Encontro discute projetos sociais que atendem 43 povos em Mato Grosso

 

Boas expectativas, trocas de experiências, vivências e perspectivas para o futuro. Esses foram os sentimentos que nortearam a abertura da 6ª Reunião de Governança do Subprograma Territórios Indígenas (STI) do Programa REM Mato Grosso (do inglês, REDD para Pioneiros). O encontro que começou nesta terça-feira (14) segue até quinta (16), no Hotel Paiaguás, em Cuiabá-MT, com uma série de apresentações de projetos que estão transformando a realidade de diversos povos indígenas no estado em áreas como saúde, segurança alimentar, preservação das florestas e combate aos incêndios florestais nos territórios.

 

No primeiro dia de reunião, os participantes falaram sobre as suas expectativas para os próximos dias de encontro, além do início da apresentação dos projetos que estão ocorrendo nas comunidades.

“São ações sociais, de sustentabilidade que estão no chão da aldeia, beneficiando diversos povos indígenas com a distribuição de cestas de alimentos, de medicamentos, a construção de casas de pajelança, além da criação de roças de hortaliças e paiol de galinheiro, que irão ajudar na autonomia alimentar dessas famílias”, elenca Marcos Ferreira, coordenador do STI. Ele acrescenta que fortalecer os territórios indígenas com esses projetos “é garantir a floresta em pé, que no final das contas é o principal objetivo do Programa REM”.

 


Marcos Ferreira, coordenador do Subprograma Territórios Indígenas do REM MT, e Crisanto Rudzö Tseremey'wá, presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt). (Crédito: REM MT)


OPORTUNIDADE

Para o presidente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Crisanto Rudzö Tseremey'wá, a reunião de governança é o momento de reflexão, de avaliar os projetos, comemorar os avanços e planejar as futuras ações. “É muito oportuno que esse encontro esteja acontecendo no final do ano, pois ele permite que a gente pense sobre os erros e acertos para realinharmos os trabalhos e chegarmos bem em 2022”, comentou a liderança Xavante.

 

Já Eliane Xunakalo, assessora institucional da Fepoimt, destacou a abrangência do Plano Emergencial de Enfrentamento à Covid-19 nas aldeias. Detalhou que o arranjo do plano possibilitou um diagnóstico amplo das principais necessidades dos povos indígenas em Mato Grosso.

“Entendemos que essa é uma ação inédita. Nunca existiu um plano que atendesse a necessidade de todos os povos do estado, cada um tendo um pedacinho do bolo. E a gente só conseguiu essa capilaridade graças ao plano emergencial”, enfatizou Eliane

O primeiro dia de encontro também contou com a presença de João Melo, que é o gerente dos projetos do REM MT no Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Ele - que estará presente nos próximos dias - explicou que além de ser o gestor financeiro, o Funbio tem o papel de operacionalizar a execução das diferentes ações que são pactuadas pelos subprogramas do REM.


João Melo, que é o gerente dos projetos do REM MT no Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) (Crédito: REM MT)

“Às tomadas de decisões e às etapas de planejamento dos projetos passam necessariamente pelo Funbio. Então, ter acesso de forma antecipada a essas informações é muito importante para organizarmos a execução financeira e operacionalização dessas ações”, ressaltou.

A 6ª Reunião de Governança Indígena discute projetos que beneficiam 43 povos indígenas localizados em sete regionais do estado articuladas pela Fepoimt: Xingu, Cerrado/Pantanal, Kayapó Norte, Médio Araguaia, Noroeste, Xavante e Vale do Guaporé. Só os Xavante moram em nove terras indígenas, com uma população de 22 mil pessoas. Os projetos também atendem povos como os Kaiapó, Kura Bakairi, Karajá, Terena e Bororo.

 

EXPERIÊNCIAS DA COP26

 

O primeiro dia de encontro também serviu para compartilhar as experiências e os resultados obtidos pelo Programa na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021, a COP26.

A coordenadora geral do REM, Lígia Vendramin, destacou que o trabalho do Programa foi muito elogiado por Meggie Charnley, vice-diretora de Florestas Uso da Terra e Mercados de Carbono no Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial do Reino Unido (BEIS). O BEIS é o financiador do REM MT juntamente com o Governo Alemão.


A coordenadora geral do REM, Lígia Vendramin (Crédito: REM MT)

“Isso nos mostrou que, apesar de todas as dificuldades, estamos no caminho certo. Que o investidor tem essa consciência e percepção dos avanços para manter a floresta em pé. Que esses esforços estão sendo vistos e reconhecidos lá fora [do Brasil]”, disse.

 

Kaianaku Kamayurá, assessora técnica da Fepoimt, também esteve presente na COP26 dentro da comitiva do REM. Para ela, o evento foi muito importante para o fortalecimento e união do movimento indígena em nível internacional.

A coordenadora geral do REM, Lígia Vendramin e Kaianaku Kamayurá, assessora técnica da Fepoimt. (Crédito: REM MT)

“Na COP tivemos a oportunidade de compartilhar vivências com lideranças indígenas nacionais e da América Latina. Isso possibilitou que a gente falasse a mesma língua e percebesse que as necessidades são muito parecidas”,destacou.

Ela acrescentou que a conferência também foi um momento oportuno para dialogar com os investidores internacionais. “É muito importante que organizações indígenas participem de eventos como a COP que reúne atores do mundo inteiro preocupados com preservação ambiental. É uma oportunidade de conseguir projetos, como a instalação de placas de energia solar nas aldeias, por exemplo”.

A REUNIÃO


Primeiro dia da 6 Reunião de Governança Indígena (Crédito: REM MT)

A reunião de governança é momento chave de discutir, avaliar e repensar as ações que estão ocorrendo nas aldeias localizadas em sete regiões do estado que abrangem 43 povos indígenas. Os projetos são financiados pelo REM MT e coordenados pela Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt).

 

Para executar os projetos, a Fepoimt conta com o apoio das instituições aglutinadoras: ATIX [Associação Terra Indígena Xingu], TNC [The Nature Conservancy Brasil], ICV [Instituto Centro de Vida] e Instituto Raoni.

 

Por Marcio Camilo

 

Mais:

Encontro indígena debate projetos de sustentabilidade e preservação das florestas de Mato Grosso

 

 

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Modificado em Terça, 14 Dezembro 2021 21:29

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